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Carta
ao leitor
Vitória
no campo deles
AFP
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| Reunião
da OMC: 9 a 2 para o Brasil |
A idéia tolamente acalentada por setores da política
brasileira de que os organismos internacionais são hostis
aos interesses nacionais não tem sustentação
no mundo real. Quase sempre, quando se apresenta com propostas e
reivindicações que não violentam as regras
internacionais de convivência, o Brasil sai vitorioso nas
votações daquelas organizações. Uma
breve análise das ações que correm na Organização
Mundial do Comércio (OMC) mostra que os negociadores do Itamaraty
ganham muito mais do que perdem. Das onze ações decididas
recentemente pela OMC, o Brasil saiu-se beneficiado em nove. Os
mais notáveis desses triunfos foram obtidos em embates diretos
com os Estados Unidos. Na semana passada, um julgamento preliminar
feito pela OMC condenou os EUA por darem cerca de 3 bilhões
de dólares de subsídios por ano a seus 25.000 plantadores
de algodão. A decisão é histórica por
ter evidenciado pela primeira vez em foro tão privilegiado
que os subsídios agrícolas, da forma como são
concedidos pelos americanos e europeus a seus agricultores, não
são apenas injustos para com os concorrentes dos países
emergentes. Eles podem ser também ilegais.
A
reação do mercado, tantas vezes vista aqui como irracional
ou mesmo motivada por interesses de especuladores, foi extremamente
positiva para o Brasil. Especialistas previram que as vendas externas
de algodão dos Estados Unidos podem cair até 41% e
que o interesse pelo produto brasileiro cresceria exponencialmente.
Editoriais de revistas e jornais econômicos dos EUA e da Europa
consideram "sábia" a decisão da OMC. Eles acreditam
que daqui para a frente será cada vez mais difícil
para a administração americana manter os 19 bilhões
de dólares de subsídios com que anualmente aduba as
mais diversas plantações do país. Em outra
vitória marcante, o Fundo Monetário Internacional
(FMI) decidiu começar pelo Brasil uma revolucionária
experiência. O Fundo autorizou Brasília a atrair investimentos
externos para uso em obras de infra-estrutura sem que os valores
sejam computados no cálculo do superávit primário.
Ou seja, pela primeira vez o Fundo admite que certos gastos são
tão vitais e produtivos para o país que não
podem ser contabilizados como despesas correntes, e sim como investimentos.
São boas novas para o Brasil e uma má notícia
para quem se acostumou a acreditar que os problemas nacionais vêm
todos de fora.
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