Edição 1950 . 5 de abril de 2006

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CINEMA

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Violação de Domicílio: alegoria do impasse entre Israel e Palestina


Violação de Domicílio
(Private,
Itália, 2004. Desde sexta-feira em cartaz em São Paulo) – Em algum ponto não identificado da Palestina, a casa de uma família é tomada, sem maiores explicações, por soldados israelenses – o andar de cima passa a ser proibido para eles e, todas as noites, os moradores terão de ser aprisionados em sua própria sala de estar. O pai, um professor, pretende resistir; a mãe implora para ir embora; e os filhos se dividem entre enfrentar o inimigo, matá-lo ou se isolar na apatia. Dirigido pelo italiano Saverio Costanzo com máxima tensão, esse filme singular é bem-sucedido em dois aspectos quase sempre excludentes: arrebata como narrativa realista e provoca como alegoria do impasse aparentemente insolúvel entre Israel e Palestina.

 

MÚSICA

Man-Made, Teenage Fanclub (Slag Records) – Os anos 60 sempre estiveram presentes nos discos desse trio escocês. A sonoridade limpa das guitarras remete a grupos como The Byrds, e suas harmonias vocais têm a qualidade das de Crosby, Stills & Nash. Man-Made, o novo lançamento do Teenage, traz mais um elemento: os teclados de John McEntire, produtor do disco e líder da banda de rock alternativo Tortoise. A intervenção de McEntire, no entanto, não alterou a sonoridade do Teenage Fanclub. Os escoceses continuam a compor "odes às alegrias do amor e da vida", como bem define o escritor e fã de carteirinha Nick Hornby. Faixas como Fallen Leaves e Time Stops são os melhores exemplos dessa qualidade do grupo.

 

LIVROS

Indícios Flutuantes, de Marina Tsvetáieva (tradução de Aurora Fornoni Bernardini; Martins Fontes; 148 páginas; 36,50 reais) – A poesia moderna russa foi uma das mais inventivas do século XX. Seus maiores nomes, porém, seriam marcados pela tragédia – é o caso, por exemplo, dos poetas Ossip Mandelstam, morto pela repressão stalinista, e Vladimir Maiakovski, que cometeu suicídio. Marina Tsvetáieva (1892-1941) também foi uma figura trágica: seu marido e uma filha foram condenados a trabalhos forçados pelos soviéticos, e ela se matou durante a invasão nazista. Essa edição bilíngüe traz poemas das mais diversas fases da autora, permitindo acompanhar sua evolução cronologicamente. Seus versos conseguem combinar delicadeza e violência: "O mundo são muros, / A saída é o machado". Leia trecho.

Ilícito, de Moisés Naím (tradução de Sérgio Lopes; Jorge Zahar; 338 páginas; 34,50 reais) – Ex-diretor executivo do Banco Mundial e editor da Foreign Policy, revista americana especializada em política internacional, o venezuelano Moisés Naím mostra nesse livro um sombrio efeito colateral da expansão do comércio mundial: ao mesmo tempo em que integra mercados e produz riqueza, a chamada globalização também abre mais oportunidades para o crime organizado. Abrangente em sua pesquisa, o livro examina as mais diversas atividades do crime multinacional: comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, falsificação de produtos. Entre outros dados estarrecedores, Naím revela que, todo ano, 2 milhões de pessoas são traficadas de um país para outro como escravas. Leia trecho.

 

DVDs

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Um Refúgio: cheio de atmosfera


Um Refúgio no Passado
(In My Father's Den,
Inglaterra/Nova Zelândia, 2005. Focus) – O fotógrafo e correspondente de guerra Paul (Matthew Macfadyen, o Sr. Darcy de Orgulho & Preconceito) volta para casa para o enterro do pai, e tudo parece estar como sempre esteve: o irmão religioso, a cidade sonolenta e a cabana em que seu pai se refugiava da família. Quanto mais Paul se demora a ir embora, porém, mais sua presença deflagra crises novas e antigas – que culminarão no desaparecimento de Celia (Emily Barclay), uma adolescente que ele julga ser sua filha. Cheio de atmosfera, esse drama contemplativo cede a tentações freudianas no trecho final – mas até aí se excede na maneira como conecta os dois ótimos protagonistas e retrata o clima sufocante de uma cidade pequena. Veja cenas.


Eliot Elisofon/Time Life Pictures/Getty
Ellington: o Beethoven do jazz


Concert of Sacred Music/Love You Madly,
Duke Ellington (ST2) – Trompetista e estudioso do jazz, Wynton Marsalis afirma que Duke Ellington (1889-1974) tem a mesma importância para o gênero que Beethoven ou Bach tiveram para a música erudita. Mas Ellington não se limitou a trabalhar nessa seara. Compôs trilhas para cinema, apresentou-se em musicais da Broadway e criou um concerto inspirado na luta pelos direitos civis dos negros. Esse DVD traz duas mostras de sua versatilidade. Love You Madly é um documentário e tem diversas entrevistas com Ellington. Concert of Sacred Music é o registro de uma apresentação feita em 16 de setembro de 1965, na qual Ellington e sua banda executam uma peça de música sacra composta especialmente para a ocasião.

 

TELEVISÃO

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My Name Is Earl: o novo Seinfeld?


My Name Is Earl
(estréia no domingo, dia 9, às 21 horas, no FX) – Sorte não é algo de que Earl (Jason Lee), protagonista dessa série cômica, possa se gabar. Ele é um desajustado que leva a vida na dureza, só se dá mal em seus trambiques e está cercado de gente que lhe traz problemas – como um irmão abobado e uma ex-mulher que tem fixação em matá-lo. Depois de perder um bilhete premiado na loteria e safar-se por pouco de um atropelamento, Earl tem um momento esotérico e passa a acreditar que tudo de errado que acontece com ele é fruto de seu carma. Ele decide que a melhor maneira de consertar a vida é reparar seus erros passados. Com tiradas que oscilam da ironia ao puro nonsense, My Name Is Earl é um sopro de renovação nos humorísticos da TV americana. Não à toa, tem sido comparado a Seinfeld.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Travessa, Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Fnac, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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