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Televisão
Saudosa maloca
A sexta edição do Big Brother não teve
intrigas nem confusões – e fez "justiça social"

Marcelo Marthe
Divulgação
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| A vencedora Mara (com Mariana, à
dir.): "Eu sou pobre, votem em mim" |
Encerrada na última terça-feira,
a sexta edição do Big Brother Brasil foi a
mais morna do programa até hoje. Não se viram intrigas
nem participantes ardilosos o suficiente para ganhar a pecha de
vilões. No fim, prevaleceu o desejo do público de
fazer "justiça social" tendência que já
tinha se manifestado na quarta edição, quando o prêmio
foi para a babá Cida. A baiana Mara, auxiliar de enfermagem
de 33 anos que embolsou 1 milhão de reais, era pobre. Mora
numa casa modesta na periferia de Porto Seguro e ganhava 400 reais
por mês. Ela entrou no programa por meio de sorteio, e não
da seleção da Rede Globo. Do ponto de vista da audiência,
o Big Brother continua a ser uma potência. Com média
de 48 pontos no Ibope, foi a segunda versão mais vista do
programa, só perdendo para a do ano passado. A falta de polêmicas
e lances surpreendentes, no entanto, fez com que essa edição
fosse pouco comentada. As pessoas assistiam porque a fórmula,
está provado, é viciante para quem está à
toa. Mas não se excitavam a ponto de pôr o programa
na ordem do dia.
O segredo para um Big Brother
cheio de intrigas está, é claro, na escalação
dos participantes. A edição recém-finalizada
mostra que, depois de cinco anos, a arte de selecioná-los
se complicou. Os concorrentes já estão escaldados
e, uma vez dentro da casa, se autopoliciam. Entre os participantes
havia "ratos" de Big Brother como Roberta, que tentou entrar
na casa por quatro vezes. A memória da versão do ano
passado em que o embate entre um grupo "do bem" e outro "do
mal" levou à vitória de Jean, um gay assumido
também estava fresca. E isso contribuiu para a falta de embates.
"Dava vontade de manipular os votos para derrotar outra pessoa,
mas a gente sabia que ia queimar o filme com o espectador", diz
o professor Rafael, terceiro colocado e chatonildo-mor do programa.
No lugar das confusões, entraram as orações
antes do almoço. Além disso, Agustinho, o "Batatinha
da Pavuna", se encarregou de instituir a disciplina na casa. E tome
sessões de limpeza. Nesse cenário, Mara não
teve dificuldades. Política, ela se oferecia para lavar a
roupa de todos. E, sempre que podia, lembrava de seu passado de
bóia-fria. "A Mara conseguiu, com malandragem, vender seu
peixe: eu sou pobre, votem em mim", diz Boninho, diretor da atração.
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