Edição 1950 . 5 de abril de 2006

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A sexta edição do Big Brother não teve
intrigas nem confusões – e fez "justiça social"


Marcelo Marthe


Divulgação
A vencedora Mara (com Mariana, à dir.): "Eu sou pobre, votem em mim"

Encerrada na última terça-feira, a sexta edição do Big Brother Brasil foi a mais morna do programa até hoje. Não se viram intrigas nem participantes ardilosos o suficiente para ganhar a pecha de vilões. No fim, prevaleceu o desejo do público de fazer "justiça social" – tendência que já tinha se manifestado na quarta edição, quando o prêmio foi para a babá Cida. A baiana Mara, auxiliar de enfermagem de 33 anos que embolsou 1 milhão de reais, era pobre. Mora numa casa modesta na periferia de Porto Seguro e ganhava 400 reais por mês. Ela entrou no programa por meio de sorteio, e não da seleção da Rede Globo. Do ponto de vista da audiência, o Big Brother continua a ser uma potência. Com média de 48 pontos no Ibope, foi a segunda versão mais vista do programa, só perdendo para a do ano passado. A falta de polêmicas e lances surpreendentes, no entanto, fez com que essa edição fosse pouco comentada. As pessoas assistiam porque a fórmula, está provado, é viciante para quem está à toa. Mas não se excitavam a ponto de pôr o programa na ordem do dia.

O segredo para um Big Brother cheio de intrigas está, é claro, na escalação dos participantes. A edição recém-finalizada mostra que, depois de cinco anos, a arte de selecioná-los se complicou. Os concorrentes já estão escaldados e, uma vez dentro da casa, se autopoliciam. Entre os participantes havia "ratos" de Big Brother como Roberta, que tentou entrar na casa por quatro vezes. A memória da versão do ano passado – em que o embate entre um grupo "do bem" e outro "do mal" levou à vitória de Jean, um gay assumido – também estava fresca. E isso contribuiu para a falta de embates. "Dava vontade de manipular os votos para derrotar outra pessoa, mas a gente sabia que ia queimar o filme com o espectador", diz o professor Rafael, terceiro colocado e chatonildo-mor do programa. No lugar das confusões, entraram as orações antes do almoço. Além disso, Agustinho, o "Batatinha da Pavuna", se encarregou de instituir a disciplina na casa. E tome sessões de limpeza. Nesse cenário, Mara não teve dificuldades. Política, ela se oferecia para lavar a roupa de todos. E, sempre que podia, lembrava de seu passado de bóia-fria. "A Mara conseguiu, com malandragem, vender seu peixe: eu sou pobre, votem em mim", diz Boninho, diretor da atração.

 
 
 
 
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