|
|
Livros
A rede das livrarias piratas
O download de livros na internet
começa a preocupar editores
 |
| Fonseca, Sheldon, Capote e Bruna Surfistinha:
livros de graça, mas ilegais |
Marcelo Duarte, da editora Panda Books,
descobriu recentemente que o grande sucesso atual de seu catálogo
pode ser obtido de graça. Terceiro lugar na lista de não-ficção
de VEJA nesta semana, O Doce Veneno do Escorpião,
coletânea de pornoconfissões da ex-garota de programa
Bruna Surfistinha, é oferecido sem custo em vários
sites da internet. Uma cópia do livro ilegal, pois
feita sem a autorização da editora, que detém
os direitos de reprodução da obra já
chegou, via e-mail, até o indignado Duarte, que não
sabe como agir diante do problema. "Se na rua a gente vê bancas
vendendo CDs piratas, que esperança eu posso ter de controlar
a distribuição de um livro pela internet?", reclama.
Ao abrir a possibilidade de que os
usuários baixem músicas livremente, a internet se
transformou no pesadelo da indústria fonográfica.
O mercado livreiro ainda não foi atingido do mesmo modo,
talvez porque copiar um livro digitalmente seja um processo trabalhoso
é preciso escanear cada página. A principal
preocupação de entidades dedicadas a zelar pelos direitos
autorais, como a Associação Brasileira de Direitos
Reprográficos (ABDR), ainda é combater as velhas fotocopiadoras
instaladas nas universidades. Mas o temor de que a internet logo
vá ocupar a ponta nos delitos desse mercado está crescendo.
No ano passado, em uma comunidade de
compra e venda on-line, um usuário tentou vender CDs com
cópias digitais dos romances de Sidney Sheldon. Trata-se
de um exemplo ainda relativamente raro de pirataria "remunerada".
Sites dedicados a distribuir de graça obras pirateadas, por
outro lado, já existem vários. Um deles é abrigado
por uma instituição pública a Universidade
Federal de Pelotas (UFPel), cuja Biblioteca Virtual de Letras oferece
3.500 títulos, entre eles A Sangue Frio, de Truman
Capote (que, até a semana passada, já havia sido copiado
por trinta internautas), Romance Negro, de Rubem Fonseca
(74 downloads), e O Código Da Vinci, de Dan Brown
(407). O coordenador da biblioteca, Elton Vergara Nunes, professor
da UFPel, diz que deseja apenas incentivar a leitura. "Não
é diferente de uma biblioteca convencional, em que o aluno
retira a obra que deseja sem pagar", diz. Na verdade, é diferente,
sim. Numa biblioteca há empréstimo, e não cópia,
como no site da UFPel. Além disso, nenhuma das obras citadas
está em domínio público. Elas não podem,
portanto, ser copiadas sem a devida autorização editorial.
"Qualquer uso ou distribuição de uma reprodução
não-autorizada é ilícito", diz Dalton Morato
Filho, advogado da ABDR.
|