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Brasil O
riso virou choro A cena abaixo tem Mattoso e Palocci
e muita alegria. Esta reportagem conta a história secreta que reuniu
os dois personagens no doloroso desfecho da mais grave crise do governo
Lula
Marcello Botelho/OBritoNews  |
| OLHA O EXTRATO!
O ex-presidente da Caixa Federal exibe um cartão
e um extrato ao ex-ministro Palocci em foto de 2005, em Brasília. Era apenas
uma demonstração de como funcionam os terminais |
O ensinamento
de que a "miséria produz estranhos companheiros" está contido na
tragédia A Tempestade, de William Shakespeare (1564-1616). Adaptada
para a política, a frase se tornou quase um lugar-comum para mostrar como
certas empreitadas acabam reunindo de um mesmo lado da trincheira as pessoas mais
díspares. Uma dessas situações é o foco da reportagem
que se segue. Ela relata a euforia seguida de drama de um grupo de servidores
públicos que se reuniram para tentar salvar o cargo do ministro Antonio
Palocci. Todos os envolvidos eram alguns ainda são admiradores
do ministro Palocci e de sua gestão técnica como condutor da política
econômica. Palocci foi flagrantemente desmentido por Francenildo Costa,
um simples caseiro, sobre suas idas a uma casa em Brasília onde se reuniam
senhores negocistas em torno de mulheres, bebidas e partidas de tênis. A
reportagem conta como a tentativa de calar o caseiro e desqualificar sua história
produziu uma trilha de atitudes criminosas. Quando as ilicitudes se mostraram
insuficientes para neutralizar os depoimentos de Francenildo e, ao mesmo tempo,
o feitiço começou a virar contra os feiticeiros, deu-se o efeito
contrário de A Tempestade. A miséria do fracasso da operação
para salvar o ministro degenerou em debandada e na triste mas previsível
reação de hostilidade entre companheiros que horas antes brindavam
alegremente à amizade e ao sucesso.
A história secreta da mais grave crise do governo Lula incluiu a quebra
dos sigilos bancário e fiscal de diversas pessoas. Incluiu também
a divulgação por meios ilegais desses dados. A crise que se seguiu
redundou na demissão de Antonio Palocci, o mais brilhante ministro do governo
Lula e um dos mais sensatos condutores da economia brasileira em décadas.
A crise arrancou do cargo também Jorge Mattoso, presidente da Caixa Econômica
Federal. Mas sua força desestabilizadora não acabou. Pela natureza
dos crimes cometidos e pela posição dos envolvidos na hierarquia
política do país, pode-se presumir que a crise esteja apenas no
começo.
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