Edição 1950 . 5 de abril de 2006

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Carta ao leitor
O fiador da estabilidade

 
Paulo Whitaker/Reuters
Lula: sem mágicas na economia

Não é razoável, a esta altura do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, duvidar do compromisso do presidente com a manutenção do rumo correto da política econômica. Enquanto Antonio Palocci ocupou a pasta de ministro da Fazenda, em diversas ocasiões Lula esvaziou as tempestades armadas contra a racionalidade na condução da economia representada pelo ex-prefeito de Ribeirão Preto. É certo que, tentado por Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, Lula tirou o apoio aos planos mais agressivos da equipe econômica para aprofundar o corte de gastos e apressar a queda do déficit público, raiz dos males estruturais da economia brasileira. Se vacilou quanto ao vigor dos ajustes, em nenhum momento Lula abraçou a idéia perigosa de que eles não são necessários.

Uma reportagem da presente edição de VEJA mostra que, com a queda de Antonio Palocci, o primeiro impulso de Lula foi nomear para o Ministério da Fazenda Henrique Meirelles, o atual presidente do Banco Central. Palocci e Meirelles formaram uma dupla formidável de exorcistas de bruxarias econômicas. Os correligionários de Lula no PT, no entanto, o convenceram de que o melhor nome para substituir Palocci seria o do economista Guido Mantega, cujas convicções não são propriamente coincidentes com o pensamento econômico hegemônico no governo até agora. Mantega acabou nomeado para a pasta, mas Lula cercou-se de cuidados. Reafirmou a independência do BC e anunciou que Meirelles despachará com o presidente da República.

Desde então Lula não desperdiça oportunidades de reafirmar a manutenção da rota. A mais de duas centenas de empresários italianos em visita a São Paulo, na semana passada, o presidente disse: "Em economia não existe mágica, mas tomada de posição e seriedade. Não vamos permitir que a inflação volte para resolver o problema de caixa de alguns e do próprio Estado brasileiro". Palavra do fiador da estabilidade.

 
 
 
 
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