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Carta ao leitor
O fiador da estabilidade
Paulo Whitaker/Reuters
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| Lula: sem mágicas na economia |
Não é razoável, a esta altura
do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, duvidar do compromisso
do presidente com a manutenção do rumo correto da
política econômica. Enquanto Antonio Palocci ocupou
a pasta de ministro da Fazenda, em diversas ocasiões Lula
esvaziou as tempestades armadas contra a racionalidade na condução
da economia representada pelo ex-prefeito de Ribeirão Preto.
É certo que, tentado por Dilma Rousseff, ministra-chefe da
Casa Civil, Lula tirou o apoio aos planos mais agressivos da equipe
econômica para aprofundar o corte de gastos e apressar a queda
do déficit público, raiz dos males estruturais da
economia brasileira. Se vacilou quanto ao vigor dos ajustes, em
nenhum momento Lula abraçou a idéia perigosa de que
eles não são necessários.
Uma reportagem da presente edição
de VEJA mostra que, com a queda de Antonio Palocci, o primeiro impulso
de Lula foi nomear para o Ministério da Fazenda Henrique
Meirelles, o atual presidente do Banco Central. Palocci e Meirelles
formaram uma dupla formidável de exorcistas de bruxarias
econômicas. Os correligionários de Lula no PT, no entanto,
o convenceram de que o melhor nome para substituir Palocci seria
o do economista Guido Mantega, cujas convicções não
são propriamente coincidentes com o pensamento econômico
hegemônico no governo até agora. Mantega acabou nomeado
para a pasta, mas Lula cercou-se de cuidados. Reafirmou a independência
do BC e anunciou que Meirelles despachará com o presidente
da República.
Desde então Lula não desperdiça
oportunidades de reafirmar a manutenção da rota. A
mais de duas centenas de empresários italianos em visita
a São Paulo, na semana passada, o presidente disse: "Em economia
não existe mágica, mas tomada de posição
e seriedade. Não vamos permitir que a inflação
volte para resolver o problema de caixa de alguns e do próprio
Estado brasileiro". Palavra do fiador da estabilidade.
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