Maluca beleza
Garota,
Interrompida é um
Estranho no Ninho para moças
Isabela Boscov
Divulgação
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| Winona (à
esq.) e Angelina: pouca loucura e muita birra |
Anos 60, um hospital psiquiátrico, jovens pacientes
que podem ser genuinamente perturbadas ou simplesmente rebeldes:
o que se espera de um filme com esses elementos é
alguma contundência e sinceridade. Mas Garota,
Interrompida (Girl, Interrupted, Estados
Unidos, 1999), que estréia nesta sexta-feira no país,
está longe de ser Um Estranho no Ninho. No
clássico da década de 70, Jack Nicholson botava
para quebrar no manicômio, instigando todos à
insurreição até ser silenciado por
uma lobotomia. Nesta fita adaptada de um romance autobiográfico
da americana Susanna Kaysen, as meninas não vão
muito além de testar a paciência das enfermeiras
e fazer beicinho. Essa, aliás, é uma especialidade
de Winona Ryder. Ela vive a protagonista, internada por
estar "triste" e ter tomado uma overdose de aspirinas e
vodca. Uma vez no hospital, a moça descobre que não
é problemática como as colegas, mas se acomoda
na situação. A subversão, por assim
dizer, fica por conta da personagem de Angelina Jolie, muito
atiradinha também na vida real, que levou o Oscar
de coadjuvante pelo papel. Angelina está ali para
ser uma versão curvilínea de Jack Nicholson.
Com seu estilo histriônico, ela faz o que pode. Mas
ora o roteiro culpa o "sistema" pela sua insurgência,
ora diz que ela é louca. Ao final, o espectador é
que se pergunta por que cargas d'água se internou
no cinema para ver tal filme.