Alimentação
Viva o chocolate
Agora dizem que ele faz bem ao coração
Karin Finkenzeller
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Fotos: Antonio Rodrigues
e LuisGomes |
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Chocolate: filtro de artérias,
mas um inimigo da balança |
É sempre assim. Chega a Páscoa, você
consome chocolate em porções além do
razoável, e, ao final da comilança, vem o
remorso. Quer uma boa notícia para diminuir seu sentimento
de culpa? Cientistas da Universidade da Califórnia,
nos Estados Unidos, descobriram que o chocolate pasmem!
faz bem à saúde. O estudo, apresentado
recentemente na Associação Americana para
o Avanço da Ciência, sugere que o consumo moderado
de chocolate amargo pode evitar infartos. O segredo da iguaria
estaria relacionado com uma substância de nome estranho:
o flavonóide. Facilmente encontrada em frutas e vegetais,
ela é capaz de combater os radicais livres que estão
por trás do entupimento das artérias. Os flavonóides
funcionam como potentes filtros sanguíneos: diminuem
a formação de placas de gordura e transformam
o colesterol ruim, conhecido como LDL, em substâncias
que favorecem o bom funcionamento do coração.
Mas, antes de se empanturrar de ovos de Páscoa,
saiba que nem todo chocolate é benéfico ao
organismo. Apenas os do tipo meio amargo são ricos
em flavonóides. O mesmo não vale para as barras
de chocolate ao leite ou feitas de chocolate branco. Os
estudos são taxativos. Os pesquisadores mediram o
nível de flavonóides em pessoas que haviam
ingerido barras das mais diversas qualidades. Apenas as
que consumiram tabletes de chocolate meio amargo tiveram
a presença da substância nos exames de sangue.
Isso porque o chocolate meio amargo tem uma concentração
de cacau bem maior que a de outros tipos do produto.
O Brasil ainda engatinha em relação ao consumo
per capita de chocolate: cada habitante come cerca de 1,8
quilo por ano. Na Argentina, o consumo médio é
de 3,6 quilos. Nos Estados Unidos é de 4,6 quilos.
Por aqui, muita gente evita o doce por causa de seu alto
poder calórico. E faz todo o sentido. Uma barra de
100 gramas tem 500 calorias, um quarto do que se deve ingerir
durante todo o dia. "Ninguém permanece magro se tiver
uma dieta baseada em chocolate", adverte o médico
Protásio Lemos da Luz, diretor da Unidade Clínica
de Arteriosclerose da Universidade de São Paulo.
Por isso, não se exceda: o chocolate virou amigo
do coração, mas continua inimigo da balança.