Edição 1 643 -5/4/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Economia e negócios
Guia
Como não perder tempo em serviço
Chocolate faz bem ao coração
O que estou lendo
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Lista de mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Na luta contra o relógio

Existe uma fórmula para não perder tempo no trabalho? Com a palavra os executivos e especialistas

Tatiana Chiari

Pessoas de agenda cheia vivem em busca de uma solução para economizar tempo. O empresário Antônio Ermírio de Moraes informa que não lê e-mails nem correspondências sem que tenham passado antes pela triagem das secretárias. Pudera. Ele cuida de um dos maiores grupos empresariais do país e dedica três horas por dia à assistência social. Não sobra tempo para mais nada. O publicitário Washington Olivetto acredita que ganhará tempo se conseguir deixar claro para os interlocutores que seus minutos valem ouro. Demonstra isso de duas maneiras. Ou faz reunião em pé para ser mais breve, ou senta-se à frente do funcionário para despachar o problema imediatamente. Vânia Ferro, a principal executiva da 3Com no Brasil, acha que ganha tempo se não tiver secretária. Prefere controlar os compromissos por meio das mensagens deixadas em sua caixa de voz e secretária eletrônica. O desejo de todos é o mesmo: já que não existe o dia de trinta horas, é fundamental criar estratégias para podar a perda de tempo. Com uma agenda atribulada, a lógica é livrar-se o mais rápido possível de um compromisso para poder dedicar-se a outro.

Todo mundo sabe como é fácil perder tempo no trabalho. É aquela conversa fiada no cafezinho a cada duas horas, um bate-papo um pouco mais longo na sala do colega, uma passeada por sites da internet ou a troca de e-mail com a amiga do departamento comercial. Não é preciso conhecer administração de empresas para saber que essa é a rotina de qualquer escritório ou consultório. Como os hábitos se solidificam e até servem de base para a construção de teorias, há correntes que defendem que essa perda de tempo é uma das grandes armas anti-stress do executivo. Já pensou um ambiente de trabalho sem cafezinho nem uma certa dose de improdutividade? Os departamentos de recursos humanos vivem tentando combater esse comportamento, mas nada que tenham feito se mostrou tão eficiente quanto explicar ao funcionário que ele perde mais do que a empresa em caso de desperdício. Afinal, a única forma de compensar esse tempo é estender a jornada de trabalho, fazer o famoso serão ou levar serviço para casa. A atitude compromete a vida familiar do empregado e seu desempenho na firma. "Não há dúvida de que o profissional acaba pagando um preço elevado pela perda de tempo", diz Jorge Renato Bruno, professor de administração de tempo da Fundação Mudes, especializada em pesquisa para o desenvolvimento econômico e social, no Rio de Janeiro.

Uma pesquisa recente mostrou que os funcionários das companhias americanas perdem em média 30% de seu dia navegando sem rumo na internet e respondendo a e-mails particulares. Contabilizando-se as demais perdas, há quem sustente que, de uma jornada de oito horas diárias, o profissional dedique apenas cinco ao trabalho para o qual é remunerado. Existe uma vasta literatura que sugere formas de aumentar a produtividade, ensinando truques para tornar o expediente mais eficiente. Três em cada grupo de quatro especialistas que lidam com administração do tempo dizem que estabelecer objetivos é a chave do segredo. Eles falam que é preciso ter metas claras para domar melhor o tempo. Outro bordão muito repetido é: aprenda a dizer não. Um terceiro: não combine compromissos demais. São técnicas úteis, mas que não resolvem o problema se tomadas isoladamente.

Em primeiro lugar, esses livros insinuam que os seres humanos podem transformar-se em máquinas capazes de manter uma rotina perfeita, sem deslizes. E não é assim. Em segundo lugar, os conselheiros desprezam que o tempo é sinônimo de poder e que esse exercício de poder permeia a rotina de um escritório. Quando um profissional vai a uma companhia pedir emprego, às vezes é obrigado a esperar quatro horas para ser atendido. Por quê? Porque quem vai recebê-lo sabe qual é o lado fraco da corda naquele instante. Isso também pode acontecer com o fornecedor ou o comprador de determinado produto – tudo depende de que lado está a força na transação. Se um gerente recebe a visita de um subalterno, pode deixá-lo aguardando até que finalmente se disponha a atendê-lo. Quando o mesmo gerente vai à sala do diretor, enfrenta situação semelhante. Esses exemplos mostram casos flagrantes de desperdício de tempo, mas se referem a situações em que o tempo não pertence a quem o desperdiça. Por essa razão, não pode ser economizado.

Antônio Ermírio de Moraes recebe todos os dias dezenas de pessoas com projetos e idéias na mão. Nas ruas, as pessoas param para pedir-lhe emprego. Ermírio já fez as contas. Se ele atendesse todas, não faria mais nada na vida. Por isso, criou um sistema de filtragem. São duas supersecretárias que cuidam de tudo em sua vida: agenda, compromissos e prioridades. Washington Olivetto tem outra tática: substitui telefonemas por e-mail. Luiza Helena Trajano Rodrigues, a superintendente do Magazine Luiza, transformou uma loja obscura num modelo de administração. Tem a própria receita de sucesso: não deixa papel acumulado em cima da mesa e sempre delega funções. Vale a pena conhecer fórmulas encontradas por gente famosa e bem-sucedida para economizar tempo, mas atenção: é impossível dizer qual das receitas vai dar certo para você.

Com reportagem de Adriana Setti

 

 
Montagem sobre fotos de Angelo Pastorello, Bia Parreiras, Rogério Montenegro e André Penner