Edição 1 643 -5/4/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Economia e negócios
Ainda entre os mais altos do mundo
Empresas combinaram preço da passagem
AmBev, a nova megaempresa brasileira
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Lista de mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Cervejarias

Agora pode

Sinal verde para a AmBev inaugura
nova fase do Cade

Edilson Coelho

Evelson deFreitas / Folha Imagem

Marcel Telles, presidente da AmBev: vitória da fusão


A aprovação do casamento entre Brahma e Antarctica, as duas maiores cervejarias brasileiras, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na semana passada, inaugurou uma nova fase na economia brasileira. Pode-se saber, a partir de agora, que as companhias estão autorizadas a unir forças e formar megaempresas, mesmo que ameacem a concorrência interna. A AmBev, marca resultante da fusão das duas cervejarias, controlará 67% do mercado brasileiro. É muito. Mas terá porte para disputar a preferência de consumidores em outros países. "O Cade não porá entraves às reestruturações de que o país necessita. Estamos acompanhando o que ocorre na economia mundial", diz Gesner Oliveira, presidente do conselho.

Pode-se prever que daqui para a frente brotarão no Brasil mais companhias com tamanho e competência para operar em nível mundial — coisa que pouco tempo atrás era um objetivo quase inalcançável. O ambiente é propício para que esse movimento rumo ao exterior aconteça, especialmente em setores em que o país é eficiente e competitivo, como o de papel e celulose, o financeiro, o siderúrgico e o de mineração. "As empresas brasileiras agora têm espaço para ganhar musculatura e ir brigar no mercado internacional", diz Yves Moyen, vice-presidente da empresa de consultoria americana A.T. Kearney, em São Paulo.

O entendimento sobre as vantagens e desvantagens da existência de superempresas vem mudando no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, as transformações têm sido mais rápidas. Nos últimos tempos, o governo alterou a legislação nas áreas de entretenimento e telecomunicações para permitir a formação de blocos capazes de operar além das fronteiras americanas — e trazer dividendos para o país. Boeing e McDonnell Douglas deram-se os braços, passaram a controlar 100% do mercado americano de aviões de grande porte e puderam reduzir o avanço do concorrente consórcio europeu Airbus. Os europeus têm sido mais conservadores. No último dia 14, a montadora sueca Volvo viu sua proposta de compra da Scania ir para o ralo, barrada pela Comissão Européia, uma espécie de Cade ampliado com poder de vetar fusões em todos os países que fazem parte da comunidade. Se a Volvo, segunda maior fabricante de caminhões pesados do mundo, tivesse feito a transação, sua marca estaria em 90% dos caminhões vendidos em muitos países da Europa.

A linha de pensamento dos conselheiros do Cade brasileiro, até agora, estava mais para européia do que para americana. Seu último caso retumbante envolveu a Colgate-Palmolive, que comprou as operações da Kolynos no mundo. O Cade obrigou a empresa a tirar das prateleiras o creme dental da marca Kolynos, o mais consumido no país, para que a concorrência não fosse asfixiada. No caso da AmBev, o conselho foi mais flexível, o que, é claro, desagradou à concorrência. "A luta continua, agora na Justiça", disse Humberto Pandolpho, presidente da Kaiser.

 
Saiba mais
Dos arquivos de VEJA
  Na guerra global
Da internet
  www.ambev.com.br