Cervejarias
Agora pode
Sinal verde para a AmBev inaugura
nova fase do Cade
Edilson Coelho
Evelson deFreitas / Folha Imagem
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Marcel Telles, presidente da AmBev:
vitória da fusão
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A aprovação do casamento entre Brahma e Antarctica,
as duas maiores cervejarias brasileiras, pelo Conselho Administrativo
de Defesa Econômica (Cade), na semana passada, inaugurou
uma nova fase na economia brasileira. Pode-se saber, a partir
de agora, que as companhias estão autorizadas a unir
forças e formar megaempresas, mesmo que ameacem a
concorrência interna. A AmBev, marca resultante da
fusão das duas cervejarias, controlará 67%
do mercado brasileiro. É muito. Mas terá porte
para disputar a preferência de consumidores em outros
países. "O Cade não porá entraves às
reestruturações de que o país necessita.
Estamos acompanhando o que ocorre na economia mundial",
diz Gesner Oliveira, presidente do conselho.
Pode-se prever que daqui para a
frente brotarão no Brasil mais companhias com tamanho
e competência para operar em nível mundial
coisa que pouco tempo atrás era um objetivo
quase inalcançável. O ambiente é propício
para que esse movimento rumo ao exterior aconteça,
especialmente em setores em que o país é eficiente
e competitivo, como o de papel e celulose, o financeiro,
o siderúrgico e o de mineração. "As
empresas brasileiras agora têm espaço para
ganhar musculatura e ir brigar no mercado internacional",
diz Yves Moyen, vice-presidente da empresa de consultoria
americana A.T. Kearney, em São Paulo.
O entendimento sobre as vantagens e desvantagens da existência
de superempresas vem mudando no mundo inteiro. Nos Estados
Unidos, as transformações têm sido mais
rápidas. Nos últimos tempos, o governo alterou
a legislação nas áreas de entretenimento
e telecomunicações para permitir a formação
de blocos capazes de operar além das fronteiras americanas
e trazer dividendos para o país. Boeing e
McDonnell Douglas deram-se os braços, passaram a
controlar 100% do mercado americano de aviões de
grande porte e puderam reduzir o avanço do concorrente
consórcio europeu Airbus. Os europeus têm sido
mais conservadores. No último dia 14, a montadora
sueca Volvo viu sua proposta de compra da Scania ir para
o ralo, barrada pela Comissão Européia, uma
espécie de Cade ampliado com poder de vetar fusões
em todos os países que fazem parte da comunidade.
Se a Volvo, segunda maior fabricante de caminhões
pesados do mundo, tivesse feito a transação,
sua marca estaria em 90% dos caminhões vendidos em
muitos países da Europa.
A linha de pensamento dos conselheiros do Cade brasileiro,
até agora, estava mais para européia do que
para americana. Seu último caso retumbante envolveu
a Colgate-Palmolive, que comprou as operações
da Kolynos no mundo. O Cade obrigou a empresa a tirar das
prateleiras o creme dental da marca Kolynos, o mais consumido
no país, para que a concorrência não
fosse asfixiada. No caso da AmBev, o conselho foi mais flexível,
o que, é claro, desagradou à concorrência.
"A luta continua, agora na Justiça", disse Humberto
Pandolpho, presidente da Kaiser.
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