Edição 1 643 -5/4/2000

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Lisinho e sem manchas

Novos tratamentos contra rugas, olheiras e
bolsas de gordura remoçam o rosto
sem
necessidade de intervenção cirúrgica

Aida Veiga

André Andrade

1. Rugas de expressão

Causa: envelhecimento da pele e perda de elasticidade dos músculos
Como tratar: a solução mais procurada, à base de Botox, paralisa os músculos, deixando a pele lisa. São necessárias de três a dez picadas, que levam no máximo vinte minutos, em cada região (testa, canto dos olhos, entre nariz e lábio e pescoço)
Recuperação: imediata, mas o tratamento leva de dois a três dias para fazer efeito
Duração: de quatro a seis meses
Preço: 600 a 1 200 reais


2. Bolsas

Causa: acúmulo de gordura na parte inferior dos olhos  
Como tratar: injeção com substância para derreter a gordura. É necessária uma aplicação de quinze minutos, a cada quinze dias, durante seis a oito semanas
Recuperação: duas semanas
(é normal o inchaço nos primeiros quatro dias)
 
Duração: definitiva  
Preço: 180 reais por sessão


Olheiras

Causa: excesso de pigmentação e de vasos sanguíneos em volta dos olhos

Como tratar: com laser, que destrói vasos e clareia o pigmento. São necessárias seis sessões de meia hora cada uma  
Recuperação:
de sete a dez dias para apagar as marcas e seis meses sem tomar sol  
Duração:
de quatro a seis anos
Preço:
200 a 400 reais por sessão

Em meio a um arsenal que não pára de crescer e se modernizar, duas armas vêm se destacando no front da guerra contra o tempo. Uma aponta contra as bolsas que se formam sob os olhos, que até recentemente só eram removidas a poder de bisturi e agora desaparecem com uma simples injeção. Outra amplia a ação da vedete dos tratamentos cosméticos, o Botox, que elimina os vincos da face. Usado e abusado na testa e na área dos deletérios pés-de-galinha, o Botox agora também alisa ruguinhas na faixa entre o nariz e o lábio e no pescoço. Além disso, está sendo testado na área do queixo, gengiva (para ajeitar o "sorriso Gloria Pires") e – suprema evolução – dos vincos nos cantos da boca. Um espanto. "Bem aplicado e, em certos casos, associado a outros tratamentos, ele pode efetivamente moldar e remoçar o rosto", confirma a médica Matilde Sposito, doutora e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O sucesso do Botox é estrondoso. Só nos Estados Unidos, seu maior mercado, onde "botoxar" virou verbo, foram realizadas 500.000 aplicações no ano passado. No ranking dos tratamentos estéticos da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, está em segundo lugar, perdendo apenas para o peeling químico. Para o fabricante, o laboratório Allergan, é uma mina de ouro. Em 1999, ele faturou com o produto 175 milhões de dólares, sendo 10% desse total no Brasil. As novas indicações devem fazer o consumo disparar. O Botox é a toxina causadora do botulismo, doença que provoca uma paralisia que pode levar à morte. Está presente, por exemplo, em enlatados malconservados. Diluída em porções mínimas, porém, apresenta propriedade paralisante eficientíssima em um número cada vez maior de situações: ameniza tiques nervosos, conserta estrabismo, reduz dores musculares crônicas e está sendo pesquisada para possível uso no combate à enxaqueca. No rosto, injetado nas rugas, o Botox "congela" alguns músculos e faz a pele naquele ponto ficar lisa como a de um bebê. Vantagem: age rápido. Desvantagens: o tratamento tem efeito temporário (dura de quatro a seis meses, em média), uma aplicação mal feita pode resultar em paralisia facial, e o Botox tira a expressão natural da área tratada. Daí a dificuldade de aplicá-lo nos vincos que se formam nos lados da boca e que são movimentados sempre que se manifestam sentimentos.

Tísico e romântico – Menos arriscada é a novidade apresentada no último Congresso Brasileiro de Dermatologia para remover, sem cirurgia, as bolsas de gordura que a idade e a predisposição genética formam sob os olhos. Aquelas que emprestam um ar abatido ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, um ar de quem vive na farra. O método consiste em três a quatro aplicações de uma injeção de fosfatidil colina, a mesma substância usada para reverter embolias. A fosfatidil colina tem a capacidade de derreter gordura. "É rápido, mais barato, não deixa cicatriz e, na maioria dos casos, é mais indicado do que a cirurgia", elogia Marcelo Gandelman, titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Companheiras quase inevitáveis das bolsas de gordura, embora também desenvolvam carreira-solo, as olheiras hoje são igualmente elimináveis, ainda que pouca gente saiba disso. Quem tem olheiras geralmente nasceu assim – elas são um distúrbio congênito. Os vilões são o excesso de pigmentação e a grande quantidade de vasos sanguíneos predispostos a hemorragias na área logo abaixo dos olhos. O excesso de sol, o stress e a falta de sono só contribuem para que as olheiras se tornem mais evidentes.

 
Alto da boca antes e depois do Botox: aplicação em maior número de áreas do rosto
Ana Araújo

Malan: como é, com as bolsas que todos aconselham a remover, e como ficaria se acatasse a sugestão (à direita, na simulação por computador)

Ana Araújo

Serra: como é, com suas olheiras "civilizadas", e como ficaria sem elas (à direita, na simulação por computador)

O tratamento mais eficaz para quem ostenta olheiras como as de um poeta tísico e romântico é a combinação de dois tipos de laser. Um, normalmente usado para lesões vasculares, destrói os vasos. O outro atua no próprio pigmento, clareando-o. Existem técnicas que agem apenas sobre uma parte do problema, como os cremes à base de vitamina K, que reforçam os vasos sanguíneos e evitam hemorragias. Apesar de ser paliativos, esses cremes são de grande ajuda para quem cansou de encontrar no espelho uma cara com aparência cansada. "Sou outra pessoa desde que comecei a usar esse tipo de creme", elogia a atriz Deborah Secco, de 19 anos. Quando criança, ela voltava das aulas de natação como quem havia levado dois murros nos olhos – os óculos de mergulho, utilizados para proteger a visão do cloro da piscina, aprofundavam ainda mais as suas olheiras.

O ministro da Saúde, José Serra, removeu cirurgicamente as bolsas de gordura sob os olhos, mas nem pensa em mexer nas famosas olheiras. Não porque ele queira bancar o poeta tísico e romântico. Sua resistência, acreditam os amigos, deve-se ao fato de que elas viraram uma espécie de marca registrada do tucano. Já pensou o desespero dos chargistas dos jornais se Serra as eliminasse? "As olheiras não me incomodam", garante o ministro. "Depois que retirei as bolsas, ficaram até civilizadas." A simulação de computador publicada nesta página mostra que Serra faz muito bem em não tirar as olheiras. Quanto a Malan, ele não dá o menor sinal de que pretenda tomar uma atitude, por mais que o aconselhem a dar um fim a seus polpudos depósitos de gordura, como fez recentemente o senador Antonio Carlos Magalhães, com uma ponta de ironia. Como ele ficaria sem as bolsas? O resultado pode ser visto nesta página, em outra foto simulada por computador. Seu semblante rejuvenesceria e se tornaria menos sisudo – ideal para quem deseja candidatar-se à Presidência, por exemplo. O ministro também poderia procurar estímulo em seu chefe. Antes de se tornar político, Fernando Henrique Cardoso convivia com salientes bolsas sob os olhos. Depois que as tirou, deu no que deu.

 
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Da internet
 

Sociedade Americana de Cirurgia Plástica
Ranking dos procedimentos cirúrgicos mais usados nos Estados Unidos
em 1999. O Botox é o segundo, na frente dos tradicionais preenchimentos
e lifting.

  Allergan - (empresa fabricante do Botox)
Informações sobre o produto e F.A.Q.