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5 de março de 2008
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Cinema
Só uns arrepios

O Orfanato é bem-feito, mas seria melhor se desse medo


Isabela Boscov

É sintomático da anemia do terror à antiga – parte psicológico, parte sobrenatural – que O Orfanato (El Orfanato, México/Espanha, 2007), desde sexta-feira em cartaz, receba elogios rasgados por onde passa. Produzido pelo mexicano Guillermo del Toro, de O Labirinto do Fauno, e dirigido pelo espanhol Juan Antonio Bayona, o filme gira em torno do desaparecimento do filho pequeno de Laura (Belén Rueda) logo que ela se muda para o casarão em que cresceu como órfã. Simón, o menino, é adotado e HIV positivo, embora não o saiba. Mas alguém parece saber: os amigos talvez não tão imaginários dos quais ele se cerca. Del Toro e o estreante Bayona aplicam com apuro as velhas matrizes do terror – portas que rangem, ruídos na noite, pegadas sem dono, objetos que somem: no filme de gênero, vale muito mais saber usar do que inovar. O que faz muita falta a O Orfanato é o que sobrava ao mais bem-sucedido filme nesse estilo dos últimos anos, Os Outros: a imprevisibilidade. Exceto por uma cena perturbadora com uma médium (Geraldine Chaplin) e pela atuação de Belén Rueda, que há alguns anos perdeu uma filha e impregna Laura desse desespero, aqui não há enigma que um espectador com conhecimento básico do gênero não decifre. O Orfanato pode até aplacar o desejo de ver um filme bem-feito – mas aquele outro desejo mais complicado, o de sentir medo, ele fica longe de satisfazer.



 

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