BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade
REVISTAS
VEJA
Edição 2050

5 de março de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
André Petry
Lya Luft
Diogo Mainardi
Millôr
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 

Cinema
Final infeliz

As Invasões Bárbaras foi um fenômeno. Mas
Denys Arcand deixa a dever nesta seqüência


Isabela Boscov

VEJA TAMBÉM
Da internet
Trailer do filme

Quanto mais A Era da Inocência (L’Âge des Ténèbres, Canadá, 2007) avança, mais se cristaliza a sensação de que, desta vez, o diretor canadense Denys Arcand perdeu a mão. O personagem central do filme, em cartaz no país desde sexta-feira, é Jean-Marc Leblanc (Marc Labrèche), um funcionário público entediado, sem grandes atributos físicos e intelectuais, ignorado pela mulher viciada em trabalho e pelas duas filhas, que, em 44 anos de existência, falhou em alcançar qualquer coisa a que ele próprio dê algum valor. A crise de Jean-Marc, porém, não é apenas decorrente da meia-idade ou de aspirações frustradas: é uma crise civilizatória. Ou, mais propriamente, advém de existir numa civilização que está devorando a si própria por meio das obsessões materiais e aquisitivas, da incomunicabilidade, do vocabulário politicamente correto com que se obscurecem as divergências reais, do correr para não chegar a lugar nenhum, da dissolução da própria idéia do que constitui uma família. Nesse sentido, ao menos, o filme é o desfecho lógico para a trilogia que Arcand iniciou em 1986, com O Declínio do Império Americano, e à qual dera seqüência, com brilho, em As Invasões Bárbaras, de 2003. (Um aparte necessário: o título brasileiro é uma bobagem atroz. O original significa "A Idade das Trevas", ou a Idade Média, o período que, como se aprende lá pelo 6º ano da escola, se seguiu às invasões bárbaras que puseram fim ao decadente Império Romano.) O que diminui o filme são a sátira primária com que o diretor retrata o atual estado de coisas (os videogames, mais uma vez, aparecem como o símbolo maior do entorpecimento) e o humor constrangedor com que ele encena as fantasias eróticas e de grandeza do pobre Jean-Marc. Arcand, definitivamente, não nasceu para ser comediante.

A cerca de meia hora do final, o protagonista percebe as vacuidades com que vem tentando preencher sua insatisfação. Jean-Marc então dá uma guinada – e o filme o acompanha, adquirindo a atmosfera melancólica e indagativa que fez de As Invasões Bárbaras o maior sucesso da carreira de Arcand. Nesse último ato, A Era da Inocência não só se redime, como consegue levar a platéia àquele mesmo ponto, entre a desilusão e a esperança, que é o alvo comum a todo o trabalho do diretor. Mas é um momento ao qual se chega com dificuldade. E, no trajeto até ele, Arcand dá farta munição aos críticos que enxergam, no seu pessimismo, um parentesco pouco lisonjeiro com o reacionarismo.


 

Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |