BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade
REVISTAS
VEJA
Edição 2050

5 de março de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
André Petry
Lya Luft
Diogo Mainardi
Millôr
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 

Internacional
Diplomacia da batuta

Filarmônica de Nova York apresenta-se na
Coréia do Norte, o mais fechado dos países


Thomaz Favaro


Chang W. Lee/The New York Times
Os músicos americanos são homenageados: apresentação inédita

Pelo menos durante noventa minutos a última fronteira da Guerra Fria viveu momentos de distensão. Pela primeira vez, uma orquestra americana – a Filarmônica de Nova York – apresentou-se em Pyongyang, a capital da Coréia do Norte. Com transmissão ao vivo pela televisão em rede nacional, os norte-corea-nos puderam desfrutar uma seleção de músicas nunca tocadas no país. A filarmônica executou, por exemplo, o clássico Um Americano em Paris, de George Gershwin, e o Hino Nacional dos Estados Unidos. A platéia reunida no Grande Teatro (só membros da elite comunista, pois não houve venda de ingressos) aplaudiu de pé. Sob o controle da dinastia Kim, esse dinossauro do comunismo é um dos países mais isolados do mundo. Sua economia está em ruí-nas, o fornecimento de energia elétrica é irregular e a comida é escassa na mesa da maioria da população. Ainda assim, o regime se deu ao luxo de investir na produção de armas nucleares. Em 2002, George W. Bush incluiu o regime de Pyong-yang no eixo do mal, junto com o Irã e o Iraque de Saddam Hussein.


AFP
Diplomacia do pingue-pongue, em 1971: jogador americano em Pequim

No momento, as relações estão menos tensas. Depois de negociações sobre seu programa nuclear, a Coréia do Norte fechou seu reator em Yongbyon em troca de ajuda econômica. A idéia de convidar a filarmônica surgiu durante as negociações e foi aprovada com entusiasmo pelo Departamento de Estado. Foi a primeira vez, desde o fim da Guerra da Coréia (1950-1953), que um grupo tão grande de americanos – 400, incluindo acompanhantes e jornalistas – esteve no país. Eventos culturais e esportivos já foram usados no passado para quebrar o gelo diplomático durante a Guerra Fria. Em 1956, a Sinfônica de Boston abriu uma brecha na Cortina de Ferro ao tocar pela primeira vez na União Sovié-tica. Os primeiros americanos a pisar na China comunista foram tenistas de mesa, em 1971. O episódio – que cunhou a expressão "diplomacia do pingue-pongue" – abriu as portas para a visita do presidente Richard Nixon a Pequim, em 1972.

Não se deve exagerar o alcance da viagem da Filarmônica de Nova York. Como mostra a participação recente da seleção americana de luta greco-romana em torneio iraniano, esse tipo de iniciativa nem sempre é bem-sucedido em criar laços entre países rivais. No caso da Coréia do Norte, de qualquer forma, o show continua: os norte-coreanos já convidaram Eric Clapton, artista preferido do filho do ditador Kim Jong-Il, para tocar no país.


 

Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |