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5 de março de 2008
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Notícias do terror

O relato de quatro seqüestrados libertados expõe
as torturas a que são submetidos os reféns das Farc


Alexandre Salvador

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Perguntas e respostas: Farc
"Aproveite cada minuto da sua liberdade" foram as últimas palavras que o ex-senador colombiano Luis Eladio Pérez ouviu de Ingrid Betancourt, antes de ser levado para o local onde foi libertado, na semana passada, com outros três ex-parlamentares: Jorge Eduardo Géchem, Orlando Beltrán e Gloria Polanco. Ingrid, seqüestrada quando fazia campanha pela Presidência da Colômbia em 2002, e outras sete centenas de pessoas permanecem nas mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A libertação dos quatro seqüestrados, depois de seis anos de pesadelo nas mãos do narcoterrorismo, teve ingredientes similares aos da soltura de duas ex-parlamentares em janeiro. Primeiro, as Farc apresentaram sua decisão como um presente ao presidente Hugo Chávez, da Venezuela. A pretexto de negociar a libertação dos cativos, Chávez tornou-se uma espécie de embaixador dos narcoterroristas e porta-voz da duvidosa tese de que esses devem ser reconhecidos como legítimos beligerantes numa guerra civil. Segundo, por terem os libertados fornecido novas e dolorosas informações sobre a vida nos campos de concentração mantidos pelas Farc nas florestas da Colômbia.

Ingrid Betancourt, a mais conhecida das seqüestradas, corre risco de morte, segundo contou Pérez. Ela sofre de hepatite B e de problemas renais graves. Como represália por suas tentativas de fuga e pela coragem com que enfrenta os terroristas, Ingrid é maltratada diariamente. Vive acorrentada a uma árvore ou a uma estaca e é forçada a caminhar descalça quando o grupo se desloca pela mata. Apesar de doentes, os quatro libertados na semana passada eram privados de assistência médica no cativeiro. Gloria Polanco tinha sido seqüestrada em 2001 na companhia de dois filhos. Três anos depois, seu marido, o ex-governador Jaime Losada, pagou resgate pela libertação dos jovens – mas acabou assassinado pelas Farc por ter atrasado a última prestação.

A narcoguerrilha anunciou que não pretende libertar mais nenhum seqüestrado até que o governo do presidente Álvaro Uribe aceite uma série de exigências. A principal é a criação, pelo período de 45 dias, de uma zona desmilitarizada de 800 quilômetros quadrados. Ela serviria de local para as negociações envolvendo a troca de quarenta políticos e policiais seqüestrados por 500 terroristas presos pelo governo. A libertação de uns poucos seqüestrados é parte da estratégia de passar ao mundo a impressão de que o destino dos reféns depende de Uribe, não dos seqüestradores. Trata-se de um blefe. "A criação da zona desmilitarizada servirá para as Farc se apossarem de uma vasta faixa do território colombiano, sem dar nada em troca, como já ocorreu no passado", disse a VEJA Olga Lucía Gómez, diretora da Fundação País Libre, de Bogotá.

 

"Ingrid está com problemas físicos e é muito maltratada pela guerrilha. Está acorrentada e rodeada de pessoas que tornam sua vida nada agradável."
Luis Eladio Pérez, ex-senador libertado na semana passada pelas Farc

AFP

Ingrid Betancourt fotografada no cativeiro: seis anos em poder dos criminosos

 


 

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