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Edição 2050

5 de março de 2008
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10s

1- Vocês ainda se lembram daquela história, edificante!, do garoto holandês que botou o dedo na rachadura do dique pra salvar sua cidade, e toda a Holanda, por que não?, de ser inundada pelas águas? Pois é. O Brasil está precisando de pelo menos um milhão desses garotos pra tapar com o dedo todas as rachaduras que estão aparecendo em nossos cofres morais. E, olha aqui, não seria também uma forma de resolver o problema dos menores abandonados? Nosso maior pobrema?

2- Os extremos se trocam. Pouco a pouco, mesmo no mundo ocidental, a quantidade de camisetas T-shirt com retrato de Bin Laden está se aproximando da quantidade das que têm a figura de Chê Guevara. Democracia dá nisso, ô meu!

3- Na soma de todos os resultados é com a subtração que se vão todos os lucros.

4- Este parágrafo 4 é pra, mais uma vez, deixar consignado que estou plenamente de acordo com a Igreja Universal (e também a local, por que não?), que aponta a imprensa, seus editores ignorantes, sectários e prepotentes como responsáveis por "tudo isso que está aí". Essa imprensa, afinal, digamos a palavra, solidários que somos com os esclarecidos autoproclamados evangelizadores – safada.

5- Pois é nessa mesma imprensa, por falta de ideal mais alto, de objetivo mais digno, de função mais bem remunerada, que eu continuo a servir, aqui, nesta modesta (mas modesta, hein, mamita?) página da VEJA. Depois de ter feito o mesmo em exatamente duas dezenas de publicações desprevenidas (atualmente até em UOL, que ainda não concluí se é imprensa, ou apenas um ato de levitação cinética).

Pois é, alguns já repararam e me fazem justiça (embora eu mereça mesmo é misericórdia) que continuo aqui, neste local e neste espaço, neste dia e nesta hora, na mesma linha de sempre (bitola estreita), e prossigo nesta letra (estão me acompanhando?), prometendo a mim mesmo – e a vocês, ora!, ora! – não botar a boca em nenhum trombone. Pois não tenho a menor vontade de ser mais uma conta bancária à disposição dos Bispos prêt-à-porter, caindo no livro de tombo dos grandes edifícios do Sérgio Naya.

6- Mas é isso aí. Fica combinado: se alguém repetir como se fosse minha qualquer coisa que afirmo, eu logo desminto. Pois em matéria de heroísmo tudo que fiz na vida foi recusar os meus 10%. Coisa, aliás, de que me arrependo muito. E sempre.

7- Me contou o Cícero Sandroni, um dia, há muito tempo, quando nem era imortal: "O jurista entrou na livraria e pediu uma Constituição. O balconista respondeu, sem nenhuma ironia: ‘Desculpe, mas não vendemos periódicos’ ".

8- Falsa cultura – Com o seguro social o trabalhador pode alegar velhice a qualquer momento em que ficar inválido, ou vice-versa.

9- Falsa cultura – A Previdência Social substitui com vantagens a Providência Divina. E cuida da sobrevivência dos que não morrem.

10- Humilhado? O sistema, a máquina, a sociedade, o grupo de poder, ou lá que diabo seja, o tem ultrajado muito ultimamente, como ser humano e cidadão? Você não agüenta mais? Pois não agüente mesmo. Remeta imediatamente sua frustração, ou sua fita gravada, para Palácio do Crepúsculo – perdão, Alvorada –, Brasília, DF (não mande e-mail que eles apagam). E aguarde sua C/C (conta corrupção) pelo reembolso postal.

A nova temporada de sempre
ou o moinho de vento que sopra do oeste



 

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