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Cartas
Fidel Castro Na semana em que a imprensa informou
sobre o afastamento de Fidel Castro, experimentei uma sensação de
perplexidade pelas manifestações em favor dele. Lula, Frei Betto,
Oscar Niemeyer e José Sarney enalteceram suas "qualidades", com
visões deploráveis e comentários obtusos. Senti-me confortado
ao ler a reportagem "Um país de muito passado agora tem algum futuro"
(27 de fevereiro) e entender que há em nosso país jornalismo voltado
às causas democráticas e com poderoso foco na verdade. Definitivamente,
VEJA é hoje um marco da expressão da liberdade no Brasil. Obrigado
pelo excelente trabalho desenvolvido. Sensacional a capa de VEJA
("Já vai tarde"). Sobre um ditador assassino como Fidel Castro,
é isso que todos os defensores da democracia deveriam bradar. Certamente
é isso que pensa a maioria do povo brasileiro que já conviveu com
ditadores sanguinários como Fidel. Infelizmente, alguns dos nossos dirigentes,
torturados e exilados pela ditadura brasileira, se esqueceram do que se passou
por aqui nos anos 60 e 70 e continuam a apoiá-lo, assim como ao déspota
Hugo Chávez. O poder de fato corrompe. Desejo mais sorte ao povo cubano. Emblemática
a capa de VEJA. A esquerda, obtusa e obscura, dá melancólico adeus
a um nada e, no cantinho, sorrateira como sempre, comemora as benesses do capitalismo. Após
aturar por uma semana as carícias e a adulação da mídia
à (falsa) generosidade de Fidel ao entregar o poder (passando o trono ao
irmão), finalmente tive meu momento de catarse: o título "Já
vai tarde" é o grito que qualquer pessoa de bom senso queria dar para
comemorar a exclusão de mais um caudilho de nosso pobre planeta. Parabéns
a VEJA pela coragem de dizer o que outros não disseram. Em
todos os meus 32 anos de serviço, acrescidos de mais doze na aposentadoria,
jamais deparei com uma análise tão verdadeira, relevante e impecavelmente
escrita como a apresentada na última edição de VEJA
sob o título "Já vai tarde". Trata-se de uma aula de história muito bem
ministrada: concisa, mas espetacularmente verdadeira, o que é muito difícil
de encontrar hoje em dia. Jamais a esquerda será a mesma depois dessa publicação,
que conseguiu desmascarar para todo o povo brasileiro a trama não só
do ditadorzinho latino Fidel, de seus filhotes Hugo Chávez, Morales e Corrêa,
mas também da quadrilha que tomou de assalto o país e pretende sugá-lo
até quando ninguém sabe. Aplausos a VEJA por mostrar
a verdade sobre o monstro ditador Fidel Castro. Vi pela TV o presidente Lula se
referindo a Fidel como "um dos heróis do século e um líder
que tem guiado Cuba com dignidade e caráter". Desde quando um tirano,
torturador e repressor de seu povo pode ser considerado uma pessoa de caráter?
O presidente Lula precisa vir a Miami, onde vivo, e escutar os milhares de
histórias de tortura, famílias e pessoas destroçadas por
causa desse sanguinário ditador que governa a ilha como se fosse seu próprio
reino. Como brasileiro vivendo nos Estados Unidos, eu posso retornar a minha pátria
a qualquer momento. O mesmo não se pode dizer do povo cubano, cuja pátria
lhe tem sido roubada e depredada por esse terrível ditador. Cumprimento
os autores da reportagem pela lucidez com que descreveram o (tenebroso) legado
do ditador Fidel Castro para Cuba e para a América Latina. Contudo, lamento
que essa mesma lucidez falte a grande parte da esquerda brasileira (incluindo
muitos de nossos governantes), que parece convencida de que a implantação
de uma ditadura à cubana, ou à venezuelana, seria de alguma serventia
para o Brasil. É
muito importante que as notícias sejam divulgadas com a clareza da realidade,
pois os livros e muitos registros históricos exaltam a figura de Fidel
como a de um jovem advogado que lutou para desgarrar Cuba do poder americano.
Isso pode bem ser verdade, entretanto toda moeda tem dois lados, e, no caso de
Fidel, somente a "coroa" é mostrada. A verdadeira "cara"
de um ditador sem escrúpulos é camuflada sob falsas aparências
de liberdade e justiça. Quero agradecer a VEJA pela transparência
das notícias, as quais permitem que jovens como eu não
sejam privados da verdade, que deve sempre permear o passado, o presente
e o futuro de nossa história! Fidel,
o ditador, não vai de vez, mas seguramente já vai tarde mesmo. Seria
bom que a renúncia dele tivesse sido motivada pela manifestação
de um tardio senso de autocrítica. Mas não foi, não.
Foi a decadência física apenas. A Fidel Castro desejo muita
lucidez até o fim de seus dias, para ele ouvir, sem cessar, do fundo de
sua consciência, os clamores das almas daqueles que ele levou ao paredón
com choro e ranger de dentes. Estive em Cuba há oito
anos para conhecer o setor de biotecnologia. Fiquei cinco dias. Nada do que vi
me impressionou bem, e todos os médicos e cientistas cubanos com os quais
estive me pediram para arrumar-lhes um jeito de sair do país. Tive
o privilégio de ver o fim da URSS, a unificação da Alemanha,
a abertura da economia chinesa e, agora, a aposentadoria forçada do tirano
caribenho. Sem dúvida, ele já vai tarde.
Reinaldo Azevedo Como
perseguido e fugitivo do comunismo alemão da extinta RDA ,
sinto-me autorizado a comentar seu artigo em pauta com triste conhecimento de
causa. Estou impressionado pela clareza e pela precisão com as quais o
senhor Reinaldo Azevedo analisou o DNA do comunismo em tão exíguo
espaço ("Fidel e o golpe da revolução operada por outros
meios", Artigo, 27 de fevereiro). Não deixa de ser curioso que os
nossos comunistas de salão, tão insatisfeitos com o capitalismo,
nunca emigraram para um paraíso sob a égide da foice e do martelo.
Por que será? Parabéns a VEJA e ao seu jornalista Reinaldo. O
artigo de Reinaldo Azevedo sobre o "coma-andante" cubano vai na contramão
da mediocridade que assolou a imprensa brasileira em geral na semana da renúncia
do ditador. Irrefutável nos fatos e praticamente impossível
de ser contestado nas idéias, é um soco na cara dos que choram a
queda do Muro de Berlin, vivem a eterna viuvez de Stalin e morrem de amores pelo
sanguinário ditador Fidel Castro. O artigo é um alento
a todos os que vêem, preocupados, a diminuição do espaço
de resistência ao discurso único dos que falseiam a realidade para
validar atos de facínoras como Fidel. Sob o pálio do que denominam
"justiça social", os defensores desses ditadores acobertam e
justificam a supressão da liberdade, atributo sem o qual a dignidade do
ser humano não existe. Também merecedora de elogio, a matéria
assinada por Diogo Schelp traz dados consistentes que não deixam dúvida
quanto ao acerto das opiniões manifestadas pelo articulista. Excelente
o artigo, sobretudo a referência a Chico Buarque, autor, entre outras músicas, de
Apesar de Você. Pois é, canção mais atual
do que nunca, para homenagear o responsável pelo atraso daquele país.
Brilhante
o artigo de Reinaldo Azevedo, com ênfase nos apologistas brasileiros do
governo cubano, como Oscar Niemeyer, Chico Buarque e frei Betto, que demonstram
uma grande simpatia pelo modelo Fidel de governar, no qual a força e a
intimidação são recursos imprescindíveis. Li emocionado uma verdadeira dissecação
socioideológica que desmascara algumas das pessoas que
mais souberam usar de forma nefasta, em proveito próprio,
a ditadura brasileira e a cubana: José Dirceu, Chico
Buarque e Oscar Niemeyer.
A popularidade de Lula A reportagem "Lula
surfa na supereconomia" (27 de fevereiro) comprova aquilo
de que muitos esclarecidos desconfiavam: brasileiro tem memória
curta. O alto índice de aprovação do governo
Lula não se encaixa no contexto de grandes escândalos
e passividade observados nestes cinco anos. O verbo surfar é
corretamente utilizado pois a onda sólida e dinâmica
da economia, impulsionada principalmente pela iniciativa privada
e por políticas adotadas por governos anteriores, como
o Plano Real, proporciona a Lula uma performance invejável.
Nunca antes neste país um governo teve tanta sorte. Se a economia não
estivesse bem, Lula certamente iria culpar a "herança
maldita" do governo anterior. A economia brasileira tem
um dinamismo impressionante ela consegue ir bem mesmo
quando o governante é ruim. Essa supernotícia,
fruto de governos anteriores comprometidos com o progresso,
foi um alento ao povo brasileiro. Mas daí a considerar
o governo Lula responsável pelo feito, apenas por ter
refutado a ultrapassada ideologia petista, é demais.
Esse governo não fez nada mais do que sua obrigação
ao seguir com as políticas econômicas sucessivamente
implementadas. Afinal, "em time que está ganhando
não se mexe".
Alice Braga Alice Braga é
uma vencedora. Um exemplo para os jovens brasileiros buscarem
seus sonhos com toda a garra e vontade de realizá-los.
Sua entrevista me deixou com o ânimo renovado para continuar
lutando pelos meus sonhos, que não são hollywoodianos,
mas são desafiadores (Amarelas, 27 de fevereiro).
Coquetel antiaids É espantosa
a verdade que VEJA trouxe na semana passada: como os jovens,
a cada dia que passa, se afundam em um absoluto inatingível
("O coquetel do dia seguinte", 27 de fevereiro). Parecem
não pensar antes de praticar o ato sexual. Duplamente
ignorantes, pois correm o risco de se contaminar com o vírus
da aids e, pior, tentam livrar-se dele através do uso
profilático de remédios. VEJA não deixa
a peteca cair e desperta o leão que dorme, para o bem
dos jovens imprudentes e dos pais acomodados. Eu sou pai de
dois filhos adolescentes e me chamou atenção a
oportuna reportagem para que eu os vigie um pouco mais, coisa
que certamente também farão outros pais. Conversem
com seus filhos e os alertem sobre essa situação,
que é muito delicada. O vírus da aids continua
assolando em altas proporções, e o cuidado precisa
ser redobrado. Sedimentando o lugar comum: parabéns,
VEJA. Brilhante, mais uma vez! Como católica,
vejo quão lamentável é o estágio
de banalização do sexo a que chegamos. É
triste constatar que muitos dos avanços científicos
conquistados no mundo contemporâneo são usados
de forma tão pouco nobre. Na verdade, evitar a propagação
de uma doença grave é, com certeza, algo louvável.
Contudo, tentar reparar erros humanos causados por irresponsabilidades
desse tipo pode ser associado ao completo descaso com os valores
éticos e sociais, visto que reflete um total desconhecimento
do real sentido da vida.
Diogo Mainardi Diogo Mainardi é
divertido mesmo quando resolve escrever sobre o nada. Seu humor
cáustico ao relatar o factóide da praia e sua
habilidade machadiana para metáforas são, de fato,
pura diversão. Particularmente, não gosto de Lula,
nem de Claudia Leitte, nem de comida árabe. Quase não
gosto de Diogo Mainardi também. Mas reconheço
que é impossível deixar de lê-lo. Li, como de costume,
o texto de Diogo Mainardi ("Massa e kebab", 27 de
fevereiro). Eu também não sei quem é Isaiah
Berlin, tampouco sei quem seja Elias Canetti. Sei quem são
o Lula e a Claudia Leitte. Também tenho dois filhos,
mas não passeio com eles de bicicleta. Se passeasse,
não iria a um restaurante árabe. Prefiro a comida
tipicamente nordestina. A liberdade de Diogo Mainardi começa
no mesmo instante e pela mesma razão pela qual começa
a de Claudia Leitte. Ele tem todo o direito de observar as pernas
dos espectadores do show e ela o direito de mostrar as dela,
embora, ao que parece, não sejam capazes de chamar a
atenção dele. Ele prefere Elias Canetti. Chega
a sentir o que Elias Canetti sentiu. Mas não é
capaz de sentir o que os milhares de fãs dela conseguem
sentir... Para mim, buchada, nada de homus ou kebab. Admiro
Mainardi, mas prefiro Claudia Leitte.
Tropa de Elite Ficam com cara de
tacho os críticos e "entendidos" de cinema
nacional que escolheram o xaroposo O Ano em que Meus Pais
Saíram de Férias para concorrer ao Oscar de
filme estrangeiro em vez de Tropa de Elite. À
época, justificou-se a escolha de mais um filme edificando
os que "combateram" a ditadura (hoje provavelmente
ganhando uma bolsa do governo) porque Tropa era muito
violento e não seria do gosto da academia. Final da história:
Tropa ganha o Urso de Ouro do Festival de Berlim e um
filme ultraviolento (e ótimo), Onde os Fracos Não
Têm Vez, ganha o prêmio máximo da academia
("A tropa conquistou Berlim", 27 de fevereiro).
Claudia Leitte Claudia Leitte é
bonita e pode até cantar bem, mas chega a ser pedante
ao se achar "a tal" e imatura ao falar tantas bobagens
em suas entrevistas. Espero que ela consiga chegar aos pés
de Ivete Sangalo ("A aposta de Claudia", 27 de fevereiro). Claudia Leitte pode
até ser muito parecida com Ivete Sangalo, mas lhe faltam
duas características: espontaneidade e carisma, que sobram
em Ivete.
Guimarães Rosa A reportagem "Briga
pelas jóias de família" (20 de fevereiro)
apresentou como mero capricho e até mesmo egoísmo
o empenho da família de João Guimarães
Rosa em manter inédito seu diário pessoal. A única
opinião não mencionada pela matéria foi
a do próprio Guimarães Rosa, que expressamente
requereu à filha Vilma que resguardasse seus escritos
pessoais. Ainda que as filhas, em razão da importância
histórica e literária do diário pessoal,
venham a eventualmente considerar a possibilidade de autorizar
que ele seja publicado, elas certamente vão, em respeito
à sua memória e à sua imagem, omitir os
trechos que exponham sua privacidade, cuidado que infelizmente
não foi tomado por VEJA.
CORREÇÃO: Na reportagem "Briga pelas jóias de família" (20 de fevereiro), saiu incorreta a grafia dos endereços Alster Pavillion e Rothenbaumchaussee.
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