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Trilha
é com ele
Marcus Viana ganha uma nota fazendo
música
para novelas e minisséries
Marcelo
Marthe

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Uma
das queixas mais comuns dos músicos brasileiros é que a
arrecadação de direitos autorais nas rádios é
uma grande bagunça. Por isso eles adoram quando uma de suas criações
vai parar na televisão. O controle fica bem mais fácil.
Que o digam os maestros Hareton Salvanini e Marcus Viana. Especialistas
em trilhas sonoras para programas de televisão, eles figuram respectivamente
em segundo e terceiro lugares no ranking dos dez artistas que mais ganharam
pela execução de suas músicas no ano passado. Ficaram
atrás de Roberto Carlos, mas à frente de artistas renomados
como Djavan e Gilberto Gil. O caso mais curioso é de longe o do
mineiro Marcus Viana. Enquanto Hareton Salvanini conquistou seu lugar
nessa lista graças a um acordo com a Rede Record, que lhe pagou
direitos que estavam em atraso havia vários anos, Viana realmente
emplacou um sucesso no ano passado: a canção A Miragem,
tema romântico da novela O Clone (aquela, que começava
com o verso "Somente por amor..."). No total, ele embolsou cerca de 300.000
reais em direitos autorais. E tudo indica que vai seguir por um caminho
semelhante em 2003: a trilha sonora instrumental da série A
Casa das Sete Mulheres também é de sua autoria.
Oscar Cabral
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| Viana:
terceira maior arrecadação de direitos autorais no ano passado |
Viana começou sua carreira como líder de um grupo de rock
progressivo dos mais jurássicos o Sagrado Coração
da Terra, surgido nos anos 70. Com músicas carregadas de papo-cabeça
sobre transcendência espiritual e ecologia, a banda, um dos principais
expoentes nacionais do gênero, foi o laboratório em que ele
desenvolveu o estilo "atmosférico" que mais tarde faria sua fama
de compositor de trilhas. Foi graças a esse estilo que conquistou
aquele que se tornaria seu grande padrinho na televisão: o diretor
Jayme Monjardim. Encantado com o trabalho de Viana, ele lhe deu a chance
de fazer a trilha de Pantanal, na extinta Rede Manchete, treze
anos atrás. Desde então, a parceria perdura. "Nós
nos damos bem porque o Jayme é tão bicho-grilo quanto eu",
explica o compositor.
Viana já musicou cinco séries, como Aquarela do Brasil
e Chiquinha Gonzaga, e onze novelas, como Terra Nostra
e Ana Raio e Zé Trovão. Conhecido no ambiente
da MPB instrumental por suas performances com um violino elétrico,
Viana se desdobra em vários instrumentos nas gravações
de suas trilhas. Nas faixas de A Casa das Sete Mulheres, tocou
percussão, flautas indígenas, rabeca, violoncelo, teclados
e por aí afora. Ele também faz letras e ataca de cantor.
"É meu lado bardo", diz. Sua maior façanha nesse campo foi
mesmo A Miragem, que chegou às paradas em sua voz e numa
versão do americano Michael Bolton. "Alguém tinha de fazer
o servicinho sujo de criar a canção brega-romântica
da novela", diz Viana. Afora essa observação, a auto-estima
do maestro vai muito bem, obrigado. Ele gosta de se comparar ao italiano
Ennio Morricone, que fez trilhas célebres para o cinema. "Dizem
que o meu trabalho lembra muito o dele", afirma. Hã, hã.
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