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Ainda
não é ela
A primeira vacina anti-Aids
decepciona
nos testes

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Foram
divulgados na semana passada os resultados da maior pesquisa já
feita com uma vacina anti-Aids. Fabricada pelo laboratório americano
VaxGen, a AidsVax foi testada durante três anos em mais de 5.000
pessoas, todas elas pertencentes a grupos de risco a maioria era
composta de homens bi ou homossexuais. As conclusões do estudo
foram recebidas pelos especialistas com um misto de decepção
e surpresa. Como arma de prevenção contra a doença
a ser usada em larga escala, a AidsVax revelou-se um fracasso. A vacina
só conseguiu imunizar 3,8% dos pacientes. No início dos
trabalhos, em 1998, estimava-se que esse índice pudesse chegar
a 30%. Em contrapartida, a vacina se mostrou extremamente eficaz entre
os voluntários negros e asiáticos. No caso dos negros, a
imunização chegou a 78%.
É
preciso, no entanto, analisar os dados com cautela. O grupo que melhor
respondeu à ação da vacina reúne apenas 498
pacientes amostragem que, em relação a uma doença
que atinge 40 milhões de pessoas em todo o mundo, é considerada
insignificante do ponto de vista estatístico. São necessários
mais estudos que comprovem a real efetividade da AidsVax nesse universo.
Por outro lado, a diferença étnica nas taxas de imunização
pode ajudar a desvendar por que algumas pessoas são mais suscetíveis
do que outras à infecção pelo vírus HIV. Há
que levar em conta que a AidsVax foi elaborada para combater apenas uma
das várias cepas do HIV o subtipo B, mais comum na América
do Norte e na Europa. A vacina utiliza uma versão sintética
da proteína gp120, encontrada na superfície do HIV e que
serve de porta de entrada para a contaminação das células
do corpo humano. O problema é que a gp120 é uma das partes
do vírus mais suscetíveis a mutações. Por
causa disso, é provável que, com o tempo, o HIV se torne
ainda mais resistente à ação da AidsVax. "A grande
dificuldade na criação de uma vacina anti-Aids é
que ainda não se descobriu a estrutura do HIV que é imutável
e comum a todos os tipos do vírus", diz o infectologista Artur
Timerman, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.
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