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Edição 1 792 - 5 de março de 2003
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Todos sabiam do perigo

Engenheiros da Nasa previram o desastre
um dia antes da explosão do Columbia

 
Fotos AP
Rastro da nave no céu: o Columbia se desmanchou aos poucos


Veja também
Da internet
Troca de e-mails entre os engenheiros da Nasa (Arquivo em PDF)

A destruição do ônibus espacial Columbia e a morte de seus sete tripulantes poderiam ter sido evitadas pela Nasa? As advertências feitas pelos próprios engenheiros da agência espacial americana sobre o risco que corria o Columbia de se desintegrar ao tentar reentrar na atmosfera – o que de fato ocorreu – estão bem documentadas numa série de e-mails divulgada na quarta-feira passada. Liberados em obediência à lei americana de liberdade de informações, os documentos comprovam que os engenheiros estavam envolvidos num frenético debate sobre o perigo, com telefonemas e mensagens eletrônicas, 24 horas antes do desastre. O temor deles era que a asa esquerda do Columbia, danificada na decolagem, não resistisse ao esforço exigido pela operação de descida. A troca de mensagens mostra que, como as dimensões do estrago não eram conhecidas, a Nasa chegou a solicitar ao Pentágono que usasse os telescópios dos satélites militares para inspecionar a nave. Por razões pouco claras, o pedido foi cancelado logo depois.

Ao ser informado de que uma simulação de pouso com pneus estourados estava sendo feita poucas horas antes de o Columbia começar a operação de descida, um engenheiro exasperou-se: "Por que estamos falando disso um dia antes do pouso quando deveríamos ter discutido um dia depois do lançamento?", perguntou aos colegas. Numa mensagem enviada às vésperas do desastre, Jeffrey Kling, responsável pela manutenção mecânica do Columbia, observou que o plasma, o gás aquecido a 1 600 graus em torno da nave, poderia se infiltrar no trem de pouso. Ele previu que isso causaria o superaquecimento e a perda sucessiva dos sensores de monitoramento na asa. Propôs então que a tripulação saltasse de pára-quedas quando a nave atingisse a altitude de 12.000 metros (ela explodiu a 63.000 metros). No dia seguinte, Kling pôde constatar pessoalmente seu prognóstico se tornar realidade, pois ele era o responsável pelo monitoramento dos sensores que falharam, como primeiro sinal do desastre que ocorreria minutos depois. Ainda não se sabe com certeza a causa do acidente. Mas os indícios de que a cúpula da Nasa ignorou todos os avisos começam a dar contornos de escândalo às investigações.

 
Os sete tripulantes: um minuto de agonia até a morte

A troca de e-mails veio à tona pouco depois de a Nasa divulgar uma transmissão recém-decifrada de dados enviados pelo Columbia. Esses dados revelaram que a cabine onde estava a tripulação não explodiu junto com a fuselagem. Pelos registros, percebeu-se que a tripulação sobreviveu por pelo menos mais um minuto. O mesmo ocorreu no desastre da Challenger, em 1986. A cabine foi jogada para o alto intacta. Os tripulantes só morreram dois minutos mais tarde, quando a cápsula onde estavam confinados caiu no mar.

   
 
   
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