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A
briga para ser o rei do lar
Com
a campanha agressiva da lã
de aço Assolan, o ex-dono da Arisco
quer repetir o sucesso do tempero
que lhe rendeu 500 milhões de dólares
François Calil
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Mello,
braço direito de
Júnior: "Podemos não
chegar a ser líderes,
mas vamos abrir
mercado para nossos
outros produtos"
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A
primeira grande idéia que o goiano João Alves de Queiroz
Filho, o Júnior, de 49 anos, teve rendeu-lhe 500 milhões
de dólares. Aos 21 anos, Júnior trabalhava na empresa atacadista
do pai quando começou a produzir e vender um tempero embalado contendo
sal, pimenta-do-reino, cebolinha e alho que o Brasil inteiro ficou conhecendo
com o nome de Arisco. Há três anos, a Arisco foi vendida
pela fortuna mencionada acima à americana Bestfoods, que seria
incorporada logo em seguida pela anglo-holandesa Unilever. Com meio bilhão
de dólares no bolso, Júnior que foge das câmeras
fotográficas por temor de seqüestro poderia exilar-se
numa ilha do Caribe ou em outro cenário paradisíaco qualquer
e viver como um rei pelo resto de seus dias. Ocorre que ele teve outra
idéia e, talvez não por coincidência, mais uma vez
ela vem da cozinha. Com seu braço direito, Nelson Mello, Júnior
agora se lançou na conquista das donas-de-casa consumidoras de
lãs de aço. Uma espécie de reduto tradicional da
Bombril, esse é um mercado de 300 milhões de reais por ano
no Brasil.
"Construir
bons negócios é como pintar quadros. A gente termina um
e logo parte para outro", diz Júnior. Sua nova aposta chama-se
Assolan, nome da lã de aço que vem sendo bombardeado sobre
os brasileiros por meio de um marketing brilhante e agressivo. De pouco
mais de 9% do mercado há doze meses, a Assolan já ficou
dona de 16,5% e continua gastando a rodo para crescer no mesmo ritmo em
2003. Curiosamente, essa marca existe há décadas e já
pertenceu à própria Arisco. Para relançá-la,
Júnior e Mello tiveram antes de recomprá-la da Unilever.
"Queremos mostrar ao consumidor que ele tem uma nova opção
de produto", diz Nelson Mello, presidente da Prátika, empresa que
fabrica a Assolan. A Bombril tem motivos para temer o fôlego da
concorrente? Bem, a história de agressividade e competência
dos ex-donos da Arisco é lendária, mas talvez essas qualidades
não bastem para desbancar um nome tão familiar às
brasileiras quanto a Bombril. "Com mais de 80% do mercado cativo, a Bombril
certamente não terá seu reinado ameaçado por muitos
anos", diz Nelson Barrizzelli, consultor de varejo. "Talvez não
venhamos a ser líderes, mas a Assolan vai abrir mercado para todos
os nossos outros produtos de limpeza", diz Mello.
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A
Assolan contratou a agência África, do publicitário
Nizan Guanaes, e comprou por 4,2 milhões de reais uma cota de patrocínio
no programa Big Brother Brasil 3. O desafio é enfrentar
outra estrela da publicidade, Washington Olivetto, que trabalha para a
Bombril, e disputar espaço na mente das consumidoras com os consagrados
comerciais estrelados há mais de vinte anos pelo ator Carlos Moreno.
"A concorrência da Assolan é boa para a Bombril. Principalmente
porque eles não estão fazendo guerra de preço, mas
estão brigando na publicidade. Isso é muito saudável
para o mercado", diz Fábio Avari, gerente de marketing da Bombril,
cujo radar registrou o avanço da nova marca em seus domínios.
A Bombril investiu 30 milhões de reais em propaganda no ano passado
e procurou novas maneiras de exibir sua marca. Entre elas, a mais bem-sucedida
foi a camisa do time de futebol do Santos, campeão brasileiro de
2002.
"As
grandes oportunidades de negócio no Brasil estão nos produtos
voltados para as classes C, D e E", afirma Júnior. "Consumidor
classe A só pensa em fazer regime, não gasta dinheiro com
produto de limpeza", diz ele. Embora a economia brasileira não
cresça em ritmo animador há um bom tempo, o número
de pessoas que se incorporam ao mercado consumidor de baixa renda todos
os anos é muito grande. "O potencial de novos compradores é
formidável. Basta um pequeno aquecimento da economia para que eles
apareçam", afirma Júnior. A lã de aço é
quase uma mania nacional. Praticamente ela não é consumida
nos Estados Unidos e nos países europeus. Segundo os fabricantes,
os americanos tendem a usar limpadores químicos que dispensam o
esfregamento e são mais adequados para panelas e utensílios
revestidos com película antiaderente, como o teflon. As brasileiras
podem vir um dia a dispensar as lãs de aço? Júnior
responde: "Sempre tem alguém dizendo que o mercado de lã
de aço ou de extrato de tomate vai acabar. Não acaba. Tem
espaço para crescer".
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Os
conselhos de Júnior, o criador
da Arisco
"Construir
um bom negócio é como pintar um quadro. Quando o primeiro
está pronto, a gente parte para o próximo."
"É
mais importante ter crédito do que dinheiro."
"O
consumidor das classes C, D e E é o grande consumidor brasileiro.
Consumidor classe A só pensa em fazer regime e nem gasta
com produto de limpeza."
João
Alves de Queiroz Filho
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