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O
garoto do Brasil
Romance
gay entre deputado inglês
e
jovem brasileiro vira um escândalo

Rosana Zakabi
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Romance
sem final feliz: Betts e Gasparo
passeiam em Veneza e trocam carícias no apartamento do deputado.
À direita, a manchete sensacionalista do The Sun
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Os
ingleses são fleumáticos no que diz respeito à vida
privada dos políticos mas mesmo na Inglaterra há
limites. O deputado Clive Betts, 53 anos, do Partido Trabalhista, o mesmo
do primeiro-ministro Tony Blair, ultrapassou a barreira da tolerância
ao empregar como assessor seu namorado, José Gasparo, um brasileiro
trinta anos mais jovem. Para poupar o amante do incômodo de se identificar
todos os dias na portaria da Câmara dos Comuns, Betts pediu que
lhe fosse concedido um crachá permanente. Antes de conceder o passe
livre, a Scotland Yard, a polícia inglesa, investigou os antecedentes
do funcionário. O que era simples rotina de segurança se
transformou num escândalo apimentadíssimo: ficou-se sabendo
que Gasparo, o assessor parlamentar, é um garoto de programa. Os
policiais descobriram que ele trabalhava na Villa Gianni, uma agência
de prostituição masculina da área central de Londres.
Até a semana passada, ele aparecia no site do prostíbulo
identificado como "Bryan, de Lisboa". Na terça-feira passada, o
caso do deputado que levou um "garoto de aluguel" para o venerando prédio
de Westminster, o Parlamento, chegou à primeira página do
The Sun, o mais popular dos tablóides sensacionalistas da
Inglaterra. No mesmo dia, Betts admitiu publicamente sua condição
de homossexual e confirmou ter dado um emprego temporário ao brasileiro.
"Nós nos gostamos muito, mas não é nada sério",
explicou aos colegas do Parlamento.
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| No
site da agência, o brasileiro José era Bryan, um lisboeta "versátil"
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Betts,
que é deputado desde 1992 e foi eleito numa cidadezinha de economia
decadente a 230 quilômetros de Londres, contou ter conhecido Gasparo
em uma festa promovida por um amigo em comum, no Natal. Segundo sua versão,
não sabia que Gasparo era garoto de programa. A versão do
brasileiro é menos romântica. Ao The Sun, ele contou
ter encontrado Betts pela primeira vez na Villa Gianni. Gasparo foi escolhido
pelo deputado numa fila de rapazes, que o cliente examina através
de uma parede espelhada que só permite a visão por um dos
lados, como as existentes em delegacias de polícia. Depois de fazerem
sexo, Betts o convidou para um novo encontro, mas fora da Villa Gianni.
Foi o brasileiro quem tomou a iniciativa de pedir um emprego no Parlamento,
sob a justificativa de que assim poderia abandonar a prostituição.
Mas o salário de assessor parlamentar, como ele disse, não
era suficiente nem para pagar seu aluguel. Gasparo passou a trabalhar
pela manhã no Parlamento até a hora do almoço. À
tarde freqüentava uma escola de inglês. À noite, escondido
do namorado, se dedicava à prostituição. Como assessor
parlamentar recebia 6 libras por hora trabalhada. Uma hora com o cliente
na agência lhe rendia 50 libras, o equivalente a 300 reais.
"Ele
começou a vir menos aqui depois que conheceu o deputado", disse
a VEJA o recepcionista brasileiro da Villa Gianni, que se identifica como
Eduardo. "O deputado dava toda a assistência, até mesada
semanal", diz. "Era esquisito viver em dois mundos completamente diferentes",
contou Gasparo ao jornal The Sun. "Estar nos dois empregos ao mesmo
tempo estava me deixando louco", disse ele. Antes de se mudar para Londres,
há três anos, ele morava com a mãe em São Paulo
e já era garoto de programa. Recentemente, Betts e Gasparo passaram
juntos uma semana em Veneza. Ficaram hospedados no Hotel Giorgione, um
quatro-estrelas que cobra diária de 900 reais. De acordo com seus
colegas do Villa Gianni, o deputado insistia para que Gasparo deixasse
o apartamento em que morava para viver com ele. O brasileiro, por sua
vez, tinha uma visão pragmática do relacionamento entre
os dois. "Ele nos contou que queria tirar vantagem da situação
e pediu uma casa ao deputado", diz Eduardo, da Villa Gianni. "Quando viu
que não iria conseguir, avisou que iria vender a história
para o The Sun, mas não acreditamos." Pagar por depoimentos
exclusivos é uma tradição dos tablóides ingleses.
Paul Burrell, ex-mordomo da princesa Diana, recebeu o equivalente a 3
milhões de reais para contar detalhes picantes da família
real. Gasparo não apenas contou tudo como entregou ao jornal fotos
de sua intimidade com o deputado. The Sun não quis informar
quanto pagou pela história.
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| Paixão
carioca do ministro inglês: Mandelson com Reinaldo e a manchete
no tablóide |
Há
quatro anos, outro brasileiro foi pivô de um escândalo político
que abalou o governo do primeiro-ministro Tony Blair. Os tablóides
descobriram que Peter Mandelson, ministro e braço direito de Blair,
namorava o carioca Reinaldo da Silva e puseram o assunto em manchete.
Na época, quatro ministros estavam envolvidos em encrencas sexuais,
e os jornais acusavam o ministério trabalhista de estar dominado
por uma "máfia gay". Para poder manter seu romance em paz, Mandelson
saiu do armário e se assumiu como gay. O Brasil é hoje conhecido
como um grande exportador para o mercado de prostituição
da Europa. De acordo com a Interpol, está entre os seis países
que mais exportam mulheres para esse fim. Entre os homens, não
é muito diferente. "Muitos jovens que são deportados da
Europa para o Brasil trabalhavam como garotos de programa ou travestis",
diz o delegado José Grivaldo de Andrade, da Polícia Federal
do Aeroporto Internacional de São Paulo. "A maioria vem da Itália
e da Espanha", conta ele. Dos 100 rapazes que trabalham na Villa Gianni,
trinta são brasileiros. Uma sessão de sexo custa lá
de 70 a 100 libras por hora, e os rapazes ficam com metade do valor. "Colocamos
anúncios nos jornais em busca de novos garotos, mas é a
propaganda boca a boca que funciona", disse a VEJA o alemão Jan
Saneerf, gerente de marketing da Villa Gianni. Alguns, como Gasparo, já
faziam programas anteriormente. Mas grande parte deles entrou para o ramo
depois que se mudaram para Londres. "São rapazes que chegam aqui
achando que vão ganhar uma fortuna e se decepcionam", observa Eduardo,
funcionário da casa. "Sem dinheiro para pagar as contas, muitos
acabam vindo trabalhar com a gente."
Com reportagem de Roberto Guimarães
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