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Edição 1 792 - 5 de março de 2003
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Enquanto é tempo...

A esfacelação da autoridade que se viu no Rio de Janeiro, na semana passada, é um aviso para todos aqueles que, no Brasil, ainda não perceberam que os limites da tolerância com o crime já foram ultrapassados. Se não bastassem os exemplos diários de violação da lei que se observam por toda parte no país, os acontecimentos do Rio são a prova final. Ali, o poder do tráfico comandou a cidade de ponta a ponta por um dia inteiro.

Essa situação não é produto de uma alteração repentina das condições de vida nas capitais do país. Ao contrário, ela vem sendo cevada vagarosamente, ano após ano, por uma série de fatores. Em primeiro lugar, figura a inação do poder público. Polícia, Judiciário e sistema carcerário estão visivelmente perdendo a batalha para os bandidos. No caso do Rio, a cultura da tolerância em relação à violência vinda dos morros também contribuiu para o caos atual. Essa cultura espalha-se especialmente entre os políticos que se formaram numa escola na qual os chefões do jogo do bicho sempre foram cortejados. A situação evoluiu rapidamente para os assaltos violentos, seqüestros e assassinatos sob o domínio dos reis da droga. Pelas mais diversas razões, o fato inegável é que quem deveria estabelecer um limite para a ousadia do narcotráfico no Rio de Janeiro não o fez.

É preciso ter em mente que os maiores descalabros nesse terreno começam pequenos. A vizinha Colômbia é um exemplo dessa realidade. No final dos anos 50, o narcotráfico era uma ameaça pequena. Hoje, os narcoguerrilheiros são centenas de milhares, controlam metade do país, compram mísseis no mercado negro da Rússia com o lucro da venda de cocaína e planejam simplesmente a derrubada do governo eleito do país.

Portanto, é imprescindível tomar a orquestração criminosa da semana passada no Rio como um sinal de que não se pode mais retardar a ação contra o crime organizado. A capacidade operacional dos traficantes precisa ser desmantelada sem mais demora pela instância de governo que tenha poder efetivo para isso. Caso se constate que o poder dos criminosos se tornou maior do que a capacidade do Estado do Rio de Janeiro de contê-lo, será preciso que o governo federal arregace as mangas e vá dar sua contribuição ao combate. Adiar essa tarefa é um risco que o país não pode se permitir. Quando afinal as autoridades resolverem se mexer, poderá ser tarde demais. Veja reportagem.

 
 
   
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