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Edição 1 788 - 5 de fevereiro de 2003
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DVD


Zardoz: Connery de sunga

Zardoz (Inglaterra, 1974. Fox) – Sean Connery diz que, entre todos os filmes que fez, esse é um dos seus favoritos – e olhe que ele passa o tempo todo correndo pelo cenário com uma sunga vermelha. Connery interpreta Zed, um guerreiro que, no ano de 2293, obedece ao deus Zardoz, exterminando os seres primitivos para os quais a humanidade involuiu. Até que Zed descobre que Zardoz não é tão divino assim, e que seu mundo é, na verdade, governado por um grupo de imortais que suprimiram seus instintos mais humanos – por exemplo, o sexo – até o ponto do tédio absoluto. O filme é ultra-kitsch e tem lá a sua cota de tolices, mas nem por isso é menos interessante. Repare como o diretor inglês John Boorman reciclou o visual da máscara do deus Zardoz na armadura do filho do rei Arthur em Excalibur, que faria alguns anos depois.

 

LIVROS

Agência Nº 1 de Mulheres Detetives, de Alexander McCall Smith (tradução de Carlos Sussekind; Companhia das Letras; 236 páginas; 29 reais) – Renomado especialista em legislação médica, o advogado escocês McCall Smith revelou uma outra faceta alguns anos atrás: a de autor de romances policiais. Ele faz sucesso nessa área desde 1998, quando criou uma personagem tão insólita quanto carismática, a detetive africana Preciosa Ramotswe. Nativa de Botsuana, a heroína atende num escritório precário em que galinhas ciscam pelo chão, e resolve seus casos, que incluem de desaparecimento de pessoas a problemas de família, fiando-se na intuição. Smith, que viveu na África, já escreveu quatro histórias com a personagem – essa é a primeira delas – e vendeu seus direitos de filmagem para Anthony Minghella, de O Paciente Inglês.

 
London: matriz da ficção-catástrofe

A Praga Escarlate, de Jack London (tradução de Roberto DeNice; Conrad; 104 páginas; 23 reais) – O ano é 2073. Num cenário primitivo, em que se distinguem na paisagem apenas as ruínas do que um dia foi São Francisco, um ancião relata aos jovens como a civilização foi destruída por uma epidemia. O americano Jack London, autor do clássico Caninos Brancos, concebeu essa história em 1912, poucos anos antes de morrer. Trata-se de uma fábula pessimista e cuja futurologia ficou algo datada (fala de telégrafo no século XXI, por exemplo). Mas, no essencial, continua impressionante: é uma espécie de matriz da ficção-catástrofe que mais tarde faria sucesso na literatura e no cinema. Uma curiosidade: ao descrever os surtos que precederam a grande praga, London cita uma hipotética Peste Pantoplástica, que teria surgido no Brasil. Leia trechos do livro.

Guia de Vinhos 2003, de Hugh Johnson (tradução de Cláudio Weber Abramo; Companhia das Letras; 360 páginas; 46 reais) – O jornalista inglês Hugh Johnson é imbatível em sua especialidade: escrever sobre a história e as peculiaridades dos vinhos produzidos ao redor do planeta. Além de ser autor de obras obrigatórias sobre o tema, desde 1977 ele vem editando anualmente esse seu tradicional Guia de Vinhos. Trata-se de um manual de bolso, útil tanto para grandes conhecedores quanto para diletantes, pois concentra uma quantidade assombrosa de informação e troca tudo em miúdos para o leitor, sempre com humor. Entre outros serviços, Johnson descreve e dá dicas sobre mais de 6.000 tipos de vinho, faz um balanço das safras nos principais países produtores e aponta qual a bebida ideal para acompanhar cada refeição.

 

DISCOS

Forever Delayed, Manic Street Preachers (Sony Music) – Surgido em 1991, no País de Gales, esse grupo mostra que nem só de bandas inglesas vive o pop britânico. Os Manic Street Preachers conquistaram o respeito de público e crítica com uma mistura original de punk rock, música pop e letras politizadas. O CD é um cartão de visita para conhecer as duas fases da banda. O período inicial é representado por Faster, canção de 1994. Na época, eles tinham uma sonoridade pesada e escreviam letras sobre paranóia e depressão – não por acaso Richey Edwards, guitarrista e mentor daquela fase, desapareceu do mapa e foi dado como morto pela polícia. O lado pop predominou a partir de 1996 e se constitui no filé dessa compilação, com destaque para Kevin Carter, Everything Must Go e If You Tolerate This Your Children Will Be Next.

Paulo Salomão

Nara: agora, obra inteira em CD


Leão,
Nara Leão (Universal) – Com essa caixa de dezesseis CDs, a gravadora encerra o projeto de completar a discografia da cantora em formato digital. No ano passado, a caixa Nara trazia álbuns gravados entre 1964 e 1975 – quando ela enveredou pela bossa nova e pelas canções políticas do espetáculo Opinião. Leão apresenta discos dedicados ao repertório de Roberto e Erasmo Carlos (Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos, de 1978, que traz uma versão irretocável de As Curvas da Estrada de Santos) e canções de João Donato (Nasci para Bailar, faixa que dá título a um disco de 1982). O CD de raridades traz Morena Boca de Ouro, de Ary Barroso, Fez Bobagem, de Assis Valente, e outras faixas que haviam saído somente em compacto.

 

TELEVISÃO

Família Soprano (Segunda a sexta, na HBO) – Crônica da vida de um mafioso americano dividido entre seus negócios sujos, uma família para lá de problemática e sessões de psicoterapia nas quais discute seu complexo de Édipo mal resolvido, Família Soprano é um dos seriados mais instigantes da TV paga. Ótima notícia para seus fãs: depois de um jejum de episódios inéditos que perdurou por mais de seis meses, finalmente já há data marcada para a estréia de sua quarta temporada no país. Será no dia 9 de março. Enquanto as novas aventuras do mafioso Tony Soprano (James Gandolfini) e seu clã não chegam, o canal HBO oferece um belo aperitivo: vai reprisar todos os 39 episódios exibidos até agora, em ordem cronológica. Serão dois capítulos por dia, que irão ao ar em horários que variam da meia-noite à 1h15 da madrugada.

 
Veja também
Galeria de fotos
Trailer do seriado

 

 

OS MAIS VENDIDOS — CRÍTICA

O sucesso de Aprendendo a Silenciar a Mente (tradução de Carlos Irineu da Costa; Sextante; 112 páginas; 19,90 reais), que aparece em décimo lugar na lista de mais vendidos de auto-ajuda e esoterismo de VEJA, traz de volta aos holofotes a figura do guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh, que depois se rebatizaria Osho (1931-1990). Desde os anos 60, sua filosofia – que preconiza a alegria e a celebração como caminhos para a transcendência espiritual – vem conquistando fãs em todo o mundo. Entre eles, o músico japonês Kitaro e o autor brasileiro de auto-ajuda Roberto Shinyashiki. A peça central dessa filosofia é a meditação, tema do atual best-seller. Muito de sua fama, contudo, se deve a outra peculiaridade: ele era um guru ultraliberal, que via o sexo como forma de atingir a "supraconsciência". Nos anos 70, virou referência para a turma do amor livre. Milionário, fundou uma comunidade nos Estados Unidos, mas foi expulso do país em 1985, sob acusação de forjar casamentos para que seus discípulos estrangeiros pudessem permanecer em território americano. Exibicionista, Osho possuía uma frota de quase trinta Rolls-Royce. Até hoje, mais de dez anos após sua morte, seu espólio é alvo de disputa entre os seguidores.

   
 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Argumento, Laselva, Nobel, Saraiva, Siciliano, Sodiler, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel; Natal: Nobel, Sodiler.
   
 
   
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