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Guindaste para os
gordões
Indústria
dos Estados Unidos
se adapta para atender uma
população cada dia mais obesa
KCI
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| Peso-pesado:
guindaste capaz de levantar 500 quilos usado em hospital que cuida
de obesos mórbidos |
O órgão
do governo americano que fiscaliza a aviação civil tomou
uma decisão drástica na semana passada: determinou que os
passageiros sejam pesados antes de embarcar em aviões pequenos.
A medida é uma precaução para evitar acidentes aéreos
como o que matou 21 pessoas no começo do ano no Estado da Carolina
do Norte. Os investigadores estão certos de que o Beech 1900 caiu
logo após a decolagem devido ao excesso de peso mas não
causado pela bagagem, e sim pela gordura dos passageiros. O cálculo
de ocupação em aviões de pequeno porte considera
81 quilos por passageiro, o que é a média tradicional de
peso de um adulto, mais 9 quilos de bagagem. O problema é que,
no que diz respeito a peso, os padrões de normalidade nos Estados
Unidos estão totalmente fora de moda. Sete em cada dez adultos
estão acima do peso ideal. Um aumento de 46% em relação
a duas décadas atrás. E quase um terço dos adultos
são considerados obesos, o dobro do registrado em 1991. As crianças
seguem pelo mesmo caminho: 25% delas são gordinhas.
A balança
na porta das avionetas é apenas um exemplo das mudanças
provocadas pela população mais gorda do planeta. Nos últimos
anos, surgiu nos Estados Unidos uma indústria milionária
de produtos para o conforto dos supergordos. Um deles é assustador:
um guindaste capaz de erguer pessoas com até 500 quilos. Similar
aos aparelhos usados na construção civil e nas oficinas
mecânicas, a peça faz parte de uma série de equipamentos
e acessórios adotados nos hospitais americanos que tratam de obesos
mórbidos pessoas que estão 45 quilos ou mais acima
do peso ideal e que, muitas vezes, recorrem às cirurgias de redução
de estômago como último recurso para emagrecer. Só
a indústria especializada em equipamentos médicos para supergordos,
que inclui camas mecanizadas e cadeiras de rodas reforçadas, movimenta
150 milhões de dólares por ano e cresce ao ritmo de 15%
anuais.
A indústria
da dieta é ainda maior movimentou 40 bilhões de dólares
no ano passado, dos quais 1 bilhão referentes a remédios.
A pujança reflete, evidentemente, o desejo da maioria de perder
alguns quilinhos. O espetacular crescimento da outra indústria,
a dos produtos para facilitar a vida dos gordões, mostra uma tendência
talvez mais realista: os obesos vieram para ficar e exigem que as medidas-padrão
sejam revistas para se tornarem maiores. Nada mais justo, então,
que a indústria faça seu papel e ponha um sorriso de alívio
no rosto de quem ultrapassou 100 quilos. O mobiliário é
um setor que passa por grandes ampliações. A nova cadeira
para escritório é 13 centímetros mais larga que as
convencionais e tem capacidade para 250 quilos. Para uso doméstico,
a oferta mais atraente é a poltrona típica de quem come
quilos de salgadinhos na frente da TV, outro hábito bem americano.
Estão à venda modelos com 10 centímetros extras na
largura e um mecanismo que é um verdadeiro achado: o sistema de
molas impulsiona o gordo para ajudá-lo na hora de se levantar.
O tamanho médio das camas americanas aumentou 10% em relação
às medidas-padrão, adotadas há quarenta anos. Causa
furor entre os consumidores um novo tamanho chamado Olympic Queen, com
1,67 metro de largura.
Os gordos
e a indústria automobilística já travaram uma verdadeira
guerra em torno do tamanho de assentos e dos cintos de segurança
mas as fábricas acabaram por entender que precisam se adaptar
às novas medidas da freguesia. Os carros grandes, como jipes e
vans, desbancaram os modelos menores em vendas. O assento do ultra-espaçoso
Lincoln Navigator, da Ford, ficou 1 polegada maior na versão 2003.
O espaço entre o banco e a direção também
cresceu. No Focus, que é um modelo compacto, o fabricante reduziu
o painel e os bolsos laterais em proveito de bancos mais largos. A Honda
aumentou em 6 centímetros a largura dos assentos do Civic, a pedido
dos consumidores. A Volvo foi obrigada a fazer um recall de 65.000
peruas porque o peso dos passageiros obesos causava curtos-circuitos no
sistema de aquecimento embutido nos assentos. O mercado de roupas extragrandes
já fatura 17 bilhões de dólares por ano. Não
à toa. O tamanho médio das roupas de metade das americanas
saltou do número 36, em 1985, para o 42.
Nada indica
que o inchaço dos americanos esteja próximo de ser revertido.
Se a população está tão gorda, isso se deve
principalmente à ingestão de alimentos cheios de gordura
e açúcar. Seguindo a tendência de se adaptarem a consumidores
cada vez mais gorduchos, as porções de fast food
refrigerantes, hambúrgueres, batatas fritas e barras de chocolate
mais que dobraram de tamanho nas últimas décadas.
"Trata-se de uma gordura barata, de acesso fácil e, infelizmente,
muito boa", disse a VEJA o médico Walter Willett, chefe do departamento
de nutrição da Universidade Harvard. Ainda bem que as cadeiras
estão mais largas.
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