Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 788 - 5 de fevereiro de 2003
Geral Saúde
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
 

O cirurgião que matou e esquartejou a ex-amante
O procurador de encrencas
Movimento supera as expectativas
Game The Sims é sucesso mundial
Pesquisas desvendam mecanismos da memória
Cigarro de fumo transgênico, sem nicotina
Guarda-costas contratados por hora
Produtos que facilitam a vida dos gordos

Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
VEJA on-line
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2003
Reportagens de capa
2000|01|02|03
Entrevistas
2000|01|02|03
Busca somente texto
96|97|98|99
2000
|01|02|03


Crie seu grupo




 

O cigarro sem nicotina

Feito de fumo transgênico, pode
ajudar quem quer se livrar do vício

Natasha Madov

 
Quest em suas três versões: teores decrescentes até chegar a zero de nicotina

Veja também
Teste: calcule sua dependência do cigarro
Dos arquivos de VEJA
Fumar menos não adianta (15/1/2003)
As armas contra o vício (6/11/2002)
"A química do vício" (17/4/2002)
"O vício resiste a tudo" (27/2/2002)

Um cigarro que não faça mal à saúde é o sonho da indústria americana do fumo, acuada por campanhas antitabagistas e pedidos de indenizações milionárias na Justiça. Na semana passada, a Vector, o menor dos cinco gigantes da indústria de cigarros nos Estados Unidos, lançou o primeiro produto sem nicotina. A proeza é resultado do uso de sementes de tabaco geneticamente modificadas, de modo a eliminar o gene responsável pela produção de nicotina. Como é essa a substância que causa dependência química em fumantes, em tese ninguém ficará viciado se consumir apenas o novo cigarro, vendido com a marca Quest. Ele é oferecido em três versões, com teores decrescentes de nicotina. O Quest 1 tem 17% menos dessa substância que a média dos cigarros. O Quest 2 contém metade, e o Quest 3 chega praticamente ao teor zero. "Pedir que as pessoas parem de fumar é como lhes pedir que não tomem sol. Não funciona", diz Bennett LeBow, presidente da Vector. "Então, em vez de mandarmos que fiquem dentro de casa, vendemos filtro solar."

Não é a primeira vez que a Vector tenta ganhar mercado nos Estados Unidos à custa do medo dos fumantes. As estimativas são de que oito em cada dez fumantes gostariam de se livrar do vício. Há dois anos, a empresa lançou o Omni, cuja promessa era uma redução de 70% nas principais substâncias cancerígenas. A campanha publicitária de lançamento custou 25 milhões de dólares, mas até agora o Omni só rendeu 6 milhões de dólares, quantia que o Marlboro fatura a cada quatro horas no país. LeBow foi o primeiro figurão da indústria do fumo a admitir em um processo judicial que cigarros viciam e fazem mal à saúde. A Vector teve muita dificuldade de achar quem aceitasse plantar o fumo transgênico – as concorrentes ameaçavam os produtores com boicote, receando que a variedade acabasse contaminando as colheitas normais. A solução foi pagar três vezes mais que o normal a 600 fazendeiros amish, uma seita cristã que vive isolada na Pensilvânia e rejeita a tecnologia moderna.

 

Fonte: Instituto Nacional de Câncer

Apesar de conter menos ou nenhuma nicotina, o Quest está longe de ser inofensivo. Seu teor das outras substâncias nocivas, como o alcatrão, que podem causar câncer, enfisema e doenças cardíacas, é o mesmo das demais marcas. "Temo que o apelo da ausência de nicotina incentive mais gente a fumar, sem medo de se viciar", afirma Tânia Cavalcante, chefe da divisão de controle de tabagismo do Instituto Nacional de Câncer, no Rio de Janeiro. Testes iniciais, patrocinados pela Vector, indicam que após seis semanas os fumantes conseguiram efetivamente diminuir gradualmente o consumo de nicotina, mas foram incapazes de largar o Quest 3. A Vector é um fabricante de cigarros baratos, praticamente desconhecidos fora dos Estados Unidos. Em princípio, LeBow não pretende exportar o cigarro sem nicotina. Um dos motivos é que na Europa e no Japão – e, de certo modo, também no Brasil – os consumidores têm mais medo de produtos transgênicos que do câncer causado pelo cigarro.

 

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS