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Brincando de Deus
Você
é do tipo que gosta
de controlar as pessoas?
Você também adora discutir
a relação? Então, vá...
...jogar
o The Sims e deixe
os outros em paz
Marcelo Marthe
Fotos divulgação Electronic Arts
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| Cena
da versão on-line do The Sims: ficou mais complexo
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Veja também |
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No princípio
é o nada. E então você cria um casal o senhor
e a senhora da Silva, por exemplo com o rosto e o tipo físico
de sua preferência. Em seguida, providencia uma prole para a família
e lhes dá casa, mobília, comida e bichos de estimação.
Da escolha do emprego à hora de fazer xixi, o controle de seus
atos fica sempre em suas mãos. Enfim, você brinca de ser
Deus. E é essa sensação que tem seduzido os usuários
do jogo de computador The Sims. Criado há três anos
pelo americano Will Wright, ele é um produto sem par na indústria
dos videogames. Em vez de apostar na pancadaria e na alta velocidade,
como a maioria de seus congêneres de sucesso, oferece aos usuários
um outro tipo de experiência: a possibilidade de criar e controlar
bonecos que simulam daí o nome do jogo o dia-a-dia
de habitantes de uma cidade. Hoje, o The Sims é o game de
computador mais popular do planeta, com nada menos do que 30 milhões
de aficionados, cerca de 500.000 dos quais
no Brasil. Há pouco mais de um mês, foi lançada nos
Estados Unidos sua versão on-line, que permite a participação
de várias pessoas ao mesmo tempo. Com mais de 90.000
cópias vendidas até agora, o novo formato amplia as possibilidades
do jogo. Por enquanto, só está à venda no Brasil
a versão do The Sims convencional. O produto on-line não
tem data de lançamento por aqui e quem se dispuser a jogá-lo
precisa adquirir um kit de CD-ROM no exterior. O jogo on-line requer que
a pessoa esteja conectada à internet por meio de banda larga.
Numa sessão
de The Sims não há ganhadores nem perdedores. Jogá-lo
consiste em zelar pelo "bem-estar" dos personagens e fazê-los evoluir
na vida do ponto de vista material e psicológico. Para que
eles não definhem nem se tornem figuras inconvenientes em sua vizinhança,
é preciso cuidar de itens como higiene, alimentação
e sociabilidade. Os personagens ganham pontos e dinheiro
à medida que desenvolvem suas habilidades físicas, mentais
e até seu carisma. Segundo pesquisas da fabricante do jogo, a empresa
americana Electronic Arts, o fato de o The Sims ter os relacionamentos
como matéria-prima explica uma de suas maiores singularidades:
60% de seus usuários são mulheres.
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| Wright:
ele demorou para emplacar |
Will Wright
teve dificuldade para vender sua idéia na bilionária indústria
dos games. Passou dois anos tentando emplacá-la, até que
resolveu lançar por conta própria o SimCity, um embrião
do The Sims no qual o usuário pode criar e administrar cidades
como se fosse seu prefeito. O sucesso chamou a atenção da
Electronic Arts, que começou a produzir o SimCity e bancou
o The Sims, em 2000. O lançamento desse jogo foi cercado
de ceticismo. Afinal de contas, uma ação que se resume a
tarefas banais, como lavar a louça e arrumar a cama, parecia entediante
demais. Os céticos perderam a aposta, como está claro. Aos
42 anos, Wright faz agora sua investida mais ambiciosa com a versão
on-line do jogo. O lançamento inclui um contrato de merchandising
milionário e sem precedentes no mercado de games, pelo qual a fabricante
de chips Intel e o McDonald's têm direito de anunciar seus produtos
nos cenários. A chegada do The Sims à internet também
introduziu um certo caos na ordem do jogo. No game original, os personagens
criados pelo jogador interagem com os dirigidos pelo computador. Na versão
on-line, cada personagem tem por trás de si uma pessoa de carne
e osso. Ou seja, as reações são mais imprevisíveis.
No fundo, é como discutir a relação com o maridão
ou a patroa. Você nunca sabe aonde a coisa vai chegar. O impressionante
é que tenha tanta gente disposta a pagar por isso.
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