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Edição 1 788 - 5 de fevereiro de 2003
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Pouca moda, muito zunzum

Mais contidos que o habitual, os desfiles da São Paulo Fashion Week da temporada de outono-inverno 2003, mesmo assim, tiveram seus momentos, se não de alta moda, pelo menos de compridas (e belas) mulheres, curtos cabelos e até garoto-prodígio. Gisele veio mas, doentinha, nem parecia Gisele. Sorte das colegas, que apareceram mais.

Reuters
Shirley, o retorno: churrasco, sim; festinha, não


A gaúcha Shirley Mallmann não só apareceu como reapareceu. Depois de dois anos longe das passarelas brasileiras, surgiu gloriosa, de botas longuíssimas e capa esvoaçante. "Fiquei arrepiada", diz Shirley. Aos 25 anos, casada, um filhinho, a modelo encerrou o dia traçando um churrasco. Nada de ir à comentada festa que sua grife promoveu em uma casa de prazeres outrora proibidos, com um tal de "labirinto" de que todo mundo não parava de falar no dia seguinte.

 

Ernesto Rodrigues/AE
Marcelle, sem cobertura: a capa escorregou, quase caiu


Marcelle Bittar protagonizou a obrigatória cena dos seios que escapam. A culpada desta vez foi uma capa de peles e véus. "Cobri um lado, escorregou do outro. Fui cobrir e a capa ameaçou cair. Larguei tudo para segurá-la", lembra a modelo. Como se tratou de acidente de percurso, Marcelle nem foi recompensada com o extra que algumas modelos ganham quando o peito aberto é exigência do estilista.

 

 

 

 
Claudio Rossi
Flavia Vitoria/AE
Epitácio Pessoa/AE
J. e a sandália de cristais, Pedro com os pais e Conrado sendo tosado por Mariana: estréias

O paulista Conrado Bullo, 18 anos, zero desfile no currículo, estreou topando tudo por dinheiro: teve o cabelo cortado em plena passarela, e por isso ganhou cachê diferenciado – 500 reais, em vez dos 300 dos iniciantes. "Estou começando. Tenho de aceitar o que os estilistas pedem", resigna-se. Consolo: quem lhe passou a máquina 4 foi a colega famosa Mariana Weickert.

Por trás, muita gente critica. Mas pela frente ninguém quer falar nada sobre o animado e precocíssimo Pedro, filho dos estilistas Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço, que, com apenas 12 anos, assinou a coleção da segunda grife de sua mãe. Pedro estuda, joga bola e desenha roupas. Nesta última função, tem sua sala, sua equipe e, principalmente, a mãe. "Ela entrava o tempo todo para dar palpite", conta.

A designer J. (de Jeanette) Maskrey, radicada em Londres, queridinha dos modernos por suas jóias-tatuagem, veio a São Paulo para pôr os pezinhos em seara inexplorada: fechou contrato para cobrir de pedrinhas uma popular sandália de plástico. "Tive uma dessas quando pequena, em Hong Kong, onde nasci. Eu adorava", diz. O modelo, com 150 cristais em cada pé, será lançado em Londres neste mês. Da primeira leva de 2.200 pares assinados e numerados, só 200 devem chegar às lojas brasileiras, em junho. Será plástico a preço de ouro: entre 400 e 500 reais.

 

O primeiro desfile a gente não esquece

 
Ernesto Rodrigues/AE
Marisa com Walter Rodrigues, no desfile de Almeida: calma em meio ao caos
Heudes Regis

De um lado, Gisele Bündchen passando mal, ameaçando não entrar na passarela para a apresentação inicial da São Paulo Fashion Week. De outro, a primeira-dama Marisa Lula da Silva. Não faltou emoção nos bastidores do desfile de Ricardo Almeida, agora conhecido como o homem que faz os ternos do marido de Marisa. Confusão demais para quem nunca tinha estado antes no ambiente apocalíptico de um desfile de moda? Sentada ao lado do estilista Walter Rodrigues, o autor do vestido da posse, a primeira-dama deu sinais de que estava achando tudo divertido. Conversar mesmo, só nos camarins, com o cabeleireiro paulista Wanderley Nunes. É ele quem corta e aloira suas madeixas, com eventuais idas a Brasília. Dá para esclarecer quem paga a viagem? "A verba que meus três patrocinadores dão para promover meu nome", diz, referindo-se a fabricantes de produtos para cabelo.


Editado por Lizia Bydlowski.
Colaboraram Bel Moherdaui e Sandra Brasil

 

 
 
   
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