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Capital
inicial
AP
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| Lula
discursa em Davos: prestígio no exterior e apoio interno no
auge |
Se governar é também ter senso de oportunidade, esta é
a hora exata para o governo do PT dar início ao processo de reformas
estruturais prometidas na campanha e anunciadas por seus ministros nas
primeiras semanas após a posse. O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva voltou da viagem à Europa com um invejável
capital de prestígio externo e popularidade interna. Em seus encontros
com líderes europeus, Lula superou as expectativas. Em vez de acusar
os países ricos pelos problemas brasileiros, surpreendeu a todos
ao reconhecer a origem autóctone de nosso secular atraso. Internamente,
Lula está recebendo dos brasileiros a mais alta taxa de aprovação
de um governante desde que esse humor coletivo da população
começou a ser medido com métodos rigorosos. Segundo a pesquisa
CNT/Sensus divulgada na semana passada, 83,6% dos brasileiros aprovam
a atuação de Lula na Presidência da República.
Aplausos externos e suporte interno se somam para dar mais munição
ao presidente em seus primeiros testes práticos de poder.
Utilizando o instrumental político tradicional representado pela
oferta de cargos, mas somando a isso a aura de um presidente visto pelo
povo como um demiurgo capaz de melhorar "tudo isso que está aí",
Lula tem obtido também um patamar alto de adesão dentro
do Congresso. Por enquanto, está fazendo o que quer entre senadores
e deputados. A escolha do ex-presidente José Sarney para presidir
o Senado, inicialmente contra a vontade da liderança de seu partido,
o PMDB, é uma demonstração de ascendência do
Executivo brasileiro sobre o Legislativo. Pois bem: não será
fácil modernizar a Previdência, a estrutura tributária
e as leis trabalhistas que estão aí mas é preciso
fazê-lo, porque esses sistemas arcaicos representam um entrave ao
crescimento brasileiro. Como sabem os presidentes que precederam Lula
no cargo, a popularidade costuma ser gasta pelo simples ato de governar.
Assim, em relação às reformas, quanto antes, melhor.
Se o governo esperar muito, poderá perder o poder de realizá-las.
Veja
reportagem.
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