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Edição 1 788 - 5 de fevereiro de 2003
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AP
Lula discursa em Davos: prestígio no exterior e apoio interno no auge


Se governar é também ter senso de oportunidade, esta é a hora exata para o governo do PT dar início ao processo de reformas estruturais prometidas na campanha e anunciadas por seus ministros nas primeiras semanas após a posse. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou da viagem à Europa com um invejável capital de prestígio externo e popularidade interna. Em seus encontros com líderes europeus, Lula superou as expectativas. Em vez de acusar os países ricos pelos problemas brasileiros, surpreendeu a todos ao reconhecer a origem autóctone de nosso secular atraso. Internamente, Lula está recebendo dos brasileiros a mais alta taxa de aprovação de um governante desde que esse humor coletivo da população começou a ser medido com métodos rigorosos. Segundo a pesquisa CNT/Sensus divulgada na semana passada, 83,6% dos brasileiros aprovam a atuação de Lula na Presidência da República. Aplausos externos e suporte interno se somam para dar mais munição ao presidente em seus primeiros testes práticos de poder.

Utilizando o instrumental político tradicional representado pela oferta de cargos, mas somando a isso a aura de um presidente visto pelo povo como um demiurgo capaz de melhorar "tudo isso que está aí", Lula tem obtido também um patamar alto de adesão dentro do Congresso. Por enquanto, está fazendo o que quer entre senadores e deputados. A escolha do ex-presidente José Sarney para presidir o Senado, inicialmente contra a vontade da liderança de seu partido, o PMDB, é uma demonstração de ascendência do Executivo brasileiro sobre o Legislativo. Pois bem: não será fácil modernizar a Previdência, a estrutura tributária e as leis trabalhistas que estão aí – mas é preciso fazê-lo, porque esses sistemas arcaicos representam um entrave ao crescimento brasileiro. Como sabem os presidentes que precederam Lula no cargo, a popularidade costuma ser gasta pelo simples ato de governar. Assim, em relação às reformas, quanto antes, melhor. Se o governo esperar muito, poderá perder o poder de realizá-las. Veja reportagem.

 
 
   
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