Edição 1886 . 5 de janeiro de 2005

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CINEMA

 
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Meu Tio Matou um Cara: humor e paixão adolescente

Meu Tio Matou um Cara (Brasil, 2004. Em cartaz desde sexta-feira) – Depois de Houve uma Vez Dois Verões e do ótimo O Homem que Copiava, o diretor e roteirista gaúcho Jorge Furtado mostra, com seu novo filme, que sua carreira cinematográfica promete ser das mais consistentes. Darlan Cunha, o Laranjinha de Cidade dos Homens, é o adolescente Duca, cujo tio notoriamente atrapalhado (Lázaro Ramos) chega em casa um dia anunciando ter matado, por acidente e em legítima defesa, o ex-marido de sua namorada (Deborah Secco). Metido a detetive, Duca logo desconfia que essa história está mal contada, e com os melhores amigos, Isa e Kid (Sophia Reis e Renan Gioelli), decide fazer sua própria investigação. Além do humor impecável, Furtado tem olho clínico para a dinâmica e os detalhes da rotina da classe média – chega a ser enternecedor, por exemplo, o cuidado com que o pai de Duca (Ailton Graça) prepara as refeições da família. Furtado também compreende como poucos o universo dos adolescentes: o grande objetivo da investigação de Duca não é outro, claro, que se aproximar de Isa, por quem ele morre de amores. Um ótimo casamento, em suma, de romance e comédia de costumes.

 

LIVROS

 
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Monica Ali: um novo talento da literatura inglesa  

Um Lugar Chamado Brick Lane, de Monica Ali (tradução de Léa Viveiros de Castro; Rocco; 472 páginas; 52 reais) – A literatura inglesa contemporânea mostra uma presença forte de escritores que têm raízes nas antigas colônias do Império Britânico. É o caso do indiano Salman Rushdie e do inglês de ascendência paquistanesa Hanif Kureishi. Nascida em Bangladesh, em 1967, Monica Ali é uma das mais novas representantes dessa tendência multicultural. Um Lugar Chamado Brick Lane, seu romance de estréia, conquistou uma indicação para o prestigioso prêmio Booker. Narra a história de Nazneen, uma bengalesa infeliz em seu casamento arranjado que, radicada em Londres, aos poucos rompe com as sufocantes tradições familiares. Leia trecho.

Lapa e Noturno da Lapa, de Luís Martins (José Olympio/Biblioteca Nacional; 172 e 286 páginas; 55 reais o pacote com os dois livros) – Freqüentada por prostitutas e malandros, compositores e poetas, a Lapa era o grande reduto boêmio do Rio de Janeiro dos anos 30. O escritor Luís Martins (1907-1981) traçou um retrato sombrio da região em seu romance de estréia, Lapa, de 1936. Na época, o livro foi censurado, e seu autor quase foi preso. Mais tarde, Martins revisitaria a zona boêmia de sua juventude em Noturno da Lapa, livro de memórias publicado em 1964. As duas obras reaparecem agora numa edição conjunta. O pacote ainda inclui um CD com seis sambas sobre a Lapa, interpretados por figurões da velha-guarda como Francisco Alves e Aracy de Almeida. Leia trecho.

 

DVDs

The Complet Truth about De-Volution & Devo Live, Devo (Warner Music) – Formado no fim dos anos 70, o grupo americano Devo foi um dos ícones da chamada new wave. O conjunto causava sensação com seus sintetizadores e o visual um tanto robótico – e esquisitão – de seus integrantes. Foi um dos pioneiros do pop eletrônico, e também da linguagem do videoclipe. Esse DVD duplo fornece uma panorâmica de sua carreira. The Complete Truth about De-Volution traz dezessete clipes, da impagável Peekaboo! à irônica Beautiful World, que mostra imagens de destruição e de ditadores enquanto a banda entoa letras sobre as belezas do universo. Devo Live é o registro de uma apresentação ao vivo na Califórnia, em 1996.

 
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Lola: cinema alemão de primeira

Lola (Alemanha, 1981. New Line) – Nos bordéis e salões da Alemanha dos anos 50, uma mulher sedutora e manipulativa enreda um empresário cegado pela paixão e por sua própria inexperiência. Os temas da mentira e da degradação, constantes na etapa final da carreira do diretor alemão Rainer Werner Fassbinder (que morreria no ano seguinte ao lançamento do filme, tendo concluído outros dois trabalhos), aparecem aqui disfarçados em melodrama e altamente estilizados. Ainda que inferior aos dois outros títulos com que compõe uma espécie de trilogia – O Casamento de Maria Braun e Veronika Voss –, Lola é um testemunho da fluência e grandeza do cinema de Fassbinder e uma chance de apreciar os desempenhos magníficos de Barbara Sukowa e Armin Mueller-Stahl, como o par central.

 

DISCOS

One Plus One Is One, Badly Drawn Boy (Sum) – Damon Gough, mais conhecido como Badly Drawn Boy, é um talento emergente do pop inglês. Trata-se de um tipo de artista cada vez mais raro no mercado: ele está preocupado, mais que tudo, em criar canções que primam pela simplicidade e pelas belas melodias. Um exemplo disso é a trilha sonora que compôs para o filme Um Grande Garoto, adaptação do livro de seu conterrâneo Nick Hornby. One Plus One Is One, seu novo trabalho, é permeado de letras que dissecam as relações amorosas em todas as variantes – várias delas, inspiradas nas próprias aventuras do autor. O disco vai do rock básico da faixa Easy Love ao arranjo elaborado de Year of the Rat, que conta com um coro.

 
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Donato: funk e psicodelia 

A Bad Donato, João Donato (Dubas Música) – Ainda está para nascer um gênero musical não explorado pelo pianista acreano João Donato, um dos cérebros instrumentais por trás da bossa nova. A Bad Donato é uma amostra disso. Gravado em Los Angeles em 1970, o disco registra seus flertes com o funk, o jazz e a música psicodélica da época. Ao combinar a música popular brasileira com esses estilos, Donato produziu um disco dançante e à frente de seu tempo. O repertório inclui faixas como Debutante's Ball e Straight Jacket, que se tornariam uma influência marcante da música negra brasileira até os dias de hoje. Inédito em CD, A Bad Donato ganhou uma excelente reedição, que traz como extra uma entrevista com o músico.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Saraiva, Siciliano, Sodiler, Nobel, Fnac, Submarino.
 
 
 
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