Edição 1886 . 5 de janeiro de 2005

Índice
Stephen Kanitz
Millôr
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
Roberto Civita
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"A informação é o melhor meio para lutar por um mundo mais justo e solidário, e VEJA vem cumprindo cada vez mais seu papel."
Davis Glaucio Quinelato
Catanduva, SP

Retrospectiva 2004

É sempre agradável ler as retrospectivas anuais de VEJA, mas a deste ano (22 de dezembro) se destaca pela análise da saúde do planeta, oferecendo um contraponto à embriaguez otimista divulgada pelo governo federal. É praticamente impossível escapar de algumas subjetividades na avaliação de um ano que termina. Assim, para mim, 2004 não ficará marcado nem por Lula nem pelo motim na Casa de Custódia de Benfica, mas, sim, pelo fato de o Brasil enfim ter entrado oficialmente na lista dos dez maiores contribuintes para o efeito estufa – e em nada menos do que num indecoroso quinto lugar!
Peter Schröder
Jaboatão dos Guararapes, PE

A impulsividade de Leonel Brizola, sua eterna combatividade em favor da soberania plena, do desenvolvimento igualitário, contra a pilhagem de nossas riquezas e por uma educação pública dinâmica transformaram-no em um homem incompreendido e bombardeado por segmentos conservadores de nossa sociedade. Brizola carregava dentro de si uma concepção racional, lúcida e contemporânea sobre os problemas nacionais. Sua visão coerente e humana fez dele um estadista, e não um populista.
Renan Barbedo
Por e-mail

É indescritível o olhar do menino que foge com um pedaço de carne nas mãos. A expressão de seu rosto nos dá a idéia do tamanho da barbárie que se alastra no Haiti ("A reversão ao estado tribal", 22 de dezembro).
Darcy Barcelos
Por e-mail

 

Planeta Terra

As fotos deslumbrantes da reportagem especial "Como salvar o planeta" (22 de dezembro) me inspiraram a escrever estas linhas cumprimentando todos. Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. O que dizer então de imagens fantásticas acompanhadas de textos igualmente espetaculares por sua clareza, objetividade e imparcialidade? Infelizmente as notícias referentes à "destruição" do planeta Terra não são nada entusiásticas. Espero que, seguindo a tradição de fazer votos de saúde e prosperidade para o novo ano que se inicia, façamos também votos para que nós, seres humanos, nos conscientizemos dos danos (muitos deles permanentes) que estamos causando ao nosso planeta.
Vanderson Viana Santos
Brasília, DF

Não existe solução para a degradação ambiental sem controle do crescimento populacional. Cedo ou tarde, os interesses políticos, econômicos e religiosos contrários a essa verdade óbvia terão de ser revistos. Espero que a premência traga também uma mudança na moral religiosa, e que o amor ao Criador se exprima no respeito à criação e em sua preservação.
Wagner Lisso
Valinhos, SP

 

Veja essa

A frase que melhor ilustra quanto Lula bebe "prazerosamente" e tem ressaca na madrugada não foi resgatada na última edição (22 de dezembro): "Quando eu era mais jovem, ser antiamericano era não tomar Coca-Cola. Agora que fiquei maduro, descobri que não há nada melhor do que tomar uma Coca-Cola gelada quando se acorda na madrugada". Ou não é só quem tem ressaca que precisa tomar gelado de madrugada?
José Carlos Thomaz
São Paulo, SP

 

Banestado

Estou perplexo ante a desfaçatez com que se pretende zombar da inteligência dos brasileiros com o relatório da CPI do Banestado ("Mentor do fiasco", 22 de dezembro). Ao inocentarem fraudadores e indiciarem inocentes, os parlamentares responsáveis arriscam perigosamente a credibilidade de sua instituição. E mais: tornam-se cúmplices nos crimes investigados. Digno de ser subscrito pelo deputado Thomas Jefferson, personagem da novela Senhora do Destino.
Sergio Amaral Silva
Guarujá, SP

 

Alimentação do brasileiro

Nunca aceitei a idéia de que no nosso Brasil existissem tantos esfomeados, como nos fazia crer o governo Lula. As últimas informações do IBGE mostram isso. Mas uma notícia que me alegrou provocou a ira da Presidência! Não é patético? Até onde vai o desequilíbrio dos políticos? Queriam que houvesse mais famintos, para no fim do governo declarar que o número baixou vigorosamente ("Um país que come pior e está mais gordo", 22 de dezembro).
João Carlos Macluf
São Paulo, SP

 

Mercosul

O fato de o Mercosul completar dez aninhos por si só demonstra o acerto de sua criação, sua vitalidade e conquistas ("A ilusão do Mercosul", 22 de dezembro). Com todas as dificuldades e problemas, inerentes a qualquer organização multinacional, o Mercosul desperta hoje o interesse de toda a América Latina e já conta com países associados, como o Chile e a Venezuela, além de manter estreitos contatos com a África do Sul e a Índia.
Alfredo R. Neves
Búzios, RJ

 

Diogo Mainardi

Parabéns pela (sua) retrospectiva ("A minha retrospectiva", 22 de dezembro). Mainardi pensa como a maioria dos brasileiros sobre o governo Lula. Parece que só seu governo está satisfeito com as barbaridades que andam fazendo. Acredito que ninguém mais agüenta ouvi-lo colocar Deus em seus discursos, dizendo que só Ele é testemunha de seu esforço.
Luciana Barcheky de Matos
Curitiba, PR

Ao ler a retrospectiva de Diogo Mainardi, refleti: com tantas coisas maravilhosas que nós, brasileiros, podemos usufruir, por que temos de passar o ano inteiro lendo as críticas de Diogo Mainardi? Convenhamos, senhor Diogo! Sua retrospectiva chega a ser repugnante.
Célia Maria S. Magalhães
Campo Grande, MS

No dia em que 10% da população brasileira tiver o conhecimento, a inteligência, a perspicácia e o senso crítico de Diogo Mainardi o país vai ver a verdadeira pantomina que é o governo Lula.
Homero Luiz Itaquy
Porto Alegre, RS

Mais uma vez Diogo Mainardi vem, a pretexto de informar, tentar baixar a auto-estima do brasileiro. Até mesmo quando ele próprio confirma que os números são favoráveis à administração federal ("depois de apenas um ano de crescimento...") teima em fazer previsões de quando novamente entraremos em derrocada.
Marco Aurélio Pereira Paiva
Ibiá, MG

Lanço a campanha: Diogo Mainardi 2006 – presidente da sensatez. Alguém que conhece tão bem os problemas que assolam nosso país deve ter tido tempo também para refletir a respeito das possíveis soluções. Ou será que falar (escrever) é fácil? Não somos hipócritas a ponto de achar que tudo está perfeito e que a política não está a serviço de interesses muito distantes ainda do bem-estar do povo, mas daí a só jogar pedras e não apresentar soluções acho uma posição muito cômoda.
Bianca Aparecida Ribeiro Sacramento
São Lourenço, MG

 

Especial Saúde

Foi um verdadeiro presente a edição Saúde Verão de VEJA (dezembro), que mais uma vez nos presta um excelente serviço. Estou com 39 anos e até os 24 praticava vários esportes. Mas depois, por questões profissionais e de estudos, acabei relaxando. Estou voltando às atividades físicas neste momento e fazendo também drenagem linfática e outros tratamentos para ter o corpo de antes.
Maria Goretti Sousa
Santo André, SP

À primeira vista, a reação imediata da capa é de uma imagem representando beleza exterior, mas não saúde. Numa época em que o culto ao corpo nunca esteve tão intenso, a capa sugere que a saúde e a perfeição física são uma coisa só, o que sabemos perfeitamente que não é verdade.
Renato Pereira
Maringá, PR

 

Roberto Pompeu de Toledo

Parabéns pela retrospectiva de 2004. O lado irônico de Roberto Pompeu de Toledo eu já conhecia. Sua veia poética, essa eu desconhecia.
Celso Benini
Brasília, DF

Sou argentino e nunca ouvi falar em meu país dos "macaquitos". Quando vim morar no Brasil, realizei uma pesquisa e descobri que essa palavra foi publicada por um jornal de Assunção, durante a Guerra do Paraguai. O comando da Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai) passou do general Bartolomeu Mitre, argentino, para o duque de Caxias. O Paraguai, quase vencido, foi sistematicamente atacado, com toda a força e vigor, pelas tropas brasileiras. Um jornal paraguaio fez uma caricatura do imperador dom Pedro II e o chamou, junto com suas tropas, de "macaquitos".
Eugenio Tschelakow
Salvador, Bahia

 

Mercosul

Sobre a reportagem "A diplomacia que é uma viagem" (15 de dezembro), os números do comércio mostram que o Mercosul não "se transformou num fantasma". As exportações brasileiras para o bloco aumentaram 61% no corrente ano, com ampla predominância de produtos industrializados, de maior valor agregado. No caso específico da Argentina, as exportações deverão atingir mais de 7 bilhões de dólares em 2004, o que constituirá recorde em termos absolutos e manterá aquele país como o segundo maior parceiro individual do Brasil. Prova da vitalidade do Mercosul é o ingresso, durante a Cúpula de Ouro Preto, de três novos países (Venezuela, Equador e Colômbia), como Estados associados, que vêm se juntar a Bolívia, Chile e Peru. A idéia de que as "parcerias com outras nações em desenvolvimento" decorrem meramente das "veleidades" da diplomacia brasileira não leva em consideração fatos significativos: os países em desenvolvimento recebem atualmente 49% das exportações brasileiras. As exportações para a América do Sul, por exemplo, deverão somar mais de 14 bilhões de dólares e crescer 57% em 2004 – mais do que para a União Européia (29%) ou para os EUA (17%). A diplomacia brasileira não "virou as costas para a Alca". Chegamos em 2003 a um acordo em Miami, que constitui a base para a negociação, e as conversações deverão ser retomadas no início do próximo ano, conforme acertado em recente troca de cartas entre o chanceler Celso Amorim e o representante comercial dos EUA, Bob Zoellick. É improcedente a opinião de que o reconhecimento da China como economia de mercado "reduziu drasticamente as chances de defesa" de setores produtivos brasileiros: o Brasil continuará a dispor dos mecanismos anti-dumping da OMC (construção do valor normal, melhor informação disponível, verificações in loco, direitos compensatórios, acordo de subsídios, salvaguardas específicas), que são abrangentes e flexíveis, para defender sua indústria. O reconhecimento está contido em Memorando de Entendimento, que trata também da ampliação do acesso de produtos vegetais e animais brasileiros ao mercado chinês, formação de joint ventures, venda de aviões e muitos outros assuntos. Os acordos e contratos assinados com a China deverão ampliar o comércio e os investimentos bilaterais em bilhões de dólares nos próximos anos. A noção de que "a diplomacia brasileira está se tornando o braço mais fraco do governo Lula" é desmentida por diversas pesquisas de opinião, realizadas ao longo dos últimos dois anos. A política externa defende os interesses do país e tem apresentado resultados concretos para o empresariado brasileiro.
Ricardo Neiva Tavares
Chefe da assessoria de imprensa do gabinete do ministro das Relações Exteriores
Brasília, DF

 

Britney Spears

A foto de Britney Spears publicada na retrospectiva é dela em seu próprio clipe (Outrageous), e não no do Snoop Dog. Sobre a afirmação de que ela está dando um tempo em sua carreira, já foi confirmado o lançamento de seu novo clipe (Do Somethin') para 7 de janeiro na Inglaterra.
Felipe Cordeiro Magalhães
Felipop@msn.com

 

CORREÇÃO: Na tabela "O apagão dos impostos" ("Baixa voltagem", 15 de dezembro), o correto é dizer que 51% do total da conta de luz se refere a tributos e encargos. Alguns desses encargos são investidos no próprio setor de energia e não ficam com os estados nem com a União.

 

 

A PULSEIRA DE ARMSTRONG

Os leitores Matuzael Aires e Murilo Marques leram o quadro "A pulseira da moda e do bem" (15 de dezembro), sobre o acessório criado pela Fundação Lance Armstrong com a finalidade de arrecadar fundos para uma campanha de combate ao câncer, e se interessaram pelo assunto. "Gostaria de saber como posso adquirir a pulseira Live Strong", escreveu Aires. Armstrong, o americano supercampeão de ciclismo, curou-se de um tumor nos testículos e voltou a vencer. Neste ano ele se tornou o recordista, com seis vitórias, da prova mais importante da modalidade: a Volta da França. As pulseiras, que hoje enfeitam o punho de famosos como o presidente George W. Bush e o ator Tom Hanks, podem ser adquiridas diretamente no site da fundação (http://www.laf.org/).



A QUEM SERVIU RUBENS

O leitor Sílvio Carlos Sousa Siqueira faz uma pertinente correção relativa à reportagem "Olhar indiscreto" (10 de novembro de 2004): "A reportagem afirma que o pintor Rubens era holandês e que trabalhou para a corte holandesa. Na verdade, ele era flamengo e trabalhou para os regentes espanhóis da região de Flandres, que na época era dominada pela Espanha". O leitor tem razão. A família de Rubens era de Flandres (Bélgica) e ele nasceu na cidade de Siegen (Alemanha), para onde seu pai fora exilado por sua participação na luta pela independência do domínio espanhol. De volta do exílio, a família foi viver em Antuérpia (Bélgica), mas Rubens cresceu como pintor sob o patrocínio do duque Vicenzo Gonzaga de Mântua, na Itália, onde viveu grande parte da vida e se tornou conhecido. Com a morte da mãe, retornou a Antuérpia e passou a trabalhar para o governador espanhol para os Países Baixos, o arquiduque Alberto de Habsburgo. Com cidadania espanhola, serviu à diplomacia daquele país, que ainda dominava a região de Flandres.

 
 
 
 
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