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Carta
do Editor: Roberto Civita Meus
votos para 2005: competência, disciplina e persistência!
"Precisamos
de menos debates sobre diferentes modelos de desenvolvimento e mais ênfase
na indispensabilidade de governos eficazes"
Vamos começar pelas boas notícias: o Brasil teve um bom 2004. Além
de termos promovido mais uma megaeleição que honra e reforça
a nossa democracia, a economia cresceu cerca de 5%, nossas exportações
aumentaram dramaticamente, nosso endividamento (em relação ao PIB)
encolheu, começamos finalmente a criar mais empregos e praticamente todos
os outros indicadores econômicos mostram um país que progride em
todas as frentes. Mas antes de prolongar
o réveillon para continuar festejando esses inegáveis avanços,
convém fazer uma pausa para a grande pergunta: isso é crescimento
sustentável? Ou apenas um fugidio momento positivo na longa sucessão
de altos e baixos que vivemos há tantos anos? Tudo
depende, a meu ver, do sucesso que obtivermos no ataque às causas
e não aos sintomas dos grandes e conhecidos problemas que
continuam aí: juros absurdos, corrupção rampante, legislação
trabalhista paralisadora, um sistema previdenciário falido, uma sufocante
teia tributária digna de uma aranha bêbada, e acima de tudo
a nossa secular iniqüidade social.
O que fazer, e como? De um lado, a resposta está em prosseguir com as reformas
indispensáveis. Governo e Congresso merecem nosso reconhecimento coletivo
pelas recentes mudanças que permitirão tanto desentupir o esclerosado
sistema judiciário como transformar o processo falimentar que triturava
empresas em dificuldades num novo que estimule a sua recuperação.
De outro, precisamos de menos debates sobre diferentes modelos de desenvolvimento
e mais ênfase na indispensabilidade de governos eficazes. Isso implica
fundamentalmente fazer mais com menos, e não pouco com cada vez
mais. Exige competência, disciplina e persistência. E deve resultar
numa máquina pública que gaste menos do que arrecada para poder
investir maciçamente em saúde e nutrição, habitação
e educação de qualidade as únicas coisas realmente
capazes de acabar com o círculo vicioso da pobreza. Isso
é factível. Para fazê-lo, precisamos antes de mais
nada de clareza de propósitos. E depois (como sempre), muito empenho,
muito trabalho, a vigilância permanente das instituições e
a cobrança de todos nós.
Roberto Civita é presidente da Abril e editor de VEJA |