Edição 1886 . 5 de janeiro de 2005

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Carta do Editor: Roberto Civita
Meus votos para 2005:
competência, disciplina
e persistência!

"Precisamos de menos debates sobre
diferentes modelos de desenvolvimento
e mais ênfase na indispensabilidade de
governos eficazes"

Vamos começar pelas boas notícias: o Brasil teve um bom 2004. Além de termos promovido mais uma megaeleição que honra e reforça a nossa democracia, a economia cresceu cerca de 5%, nossas exportações aumentaram dramaticamente, nosso endividamento (em relação ao PIB) encolheu, começamos finalmente a criar mais empregos e praticamente todos os outros indicadores econômicos mostram um país que progride em todas as frentes.

Mas antes de prolongar o réveillon para continuar festejando esses inegáveis avanços, convém fazer uma pausa para a grande pergunta: isso é crescimento sustentável? Ou apenas um fugidio momento positivo na longa sucessão de altos e baixos que vivemos há tantos anos?

Tudo depende, a meu ver, do sucesso que obtivermos no ataque às causas – e não aos sintomas – dos grandes e conhecidos problemas que continuam aí: juros absurdos, corrupção rampante, legislação trabalhista paralisadora, um sistema previdenciário falido, uma sufocante teia tributária digna de uma aranha bêbada, e – acima de tudo – a nossa secular iniqüidade social.

O que fazer, e como? De um lado, a resposta está em prosseguir com as reformas indispensáveis. Governo e Congresso merecem nosso reconhecimento coletivo pelas recentes mudanças que permitirão tanto desentupir o esclerosado sistema judiciário como transformar o processo falimentar que triturava empresas em dificuldades num novo que estimule a sua recuperação. De outro, precisamos de menos debates sobre diferentes modelos de desenvolvimento e mais ênfase na indispensabilidade de governos eficazes. Isso implica – fundamentalmente – fazer mais com menos, e não pouco com cada vez mais. Exige competência, disciplina e persistência. E deve resultar numa máquina pública que gaste menos do que arrecada para poder investir maciçamente em saúde e nutrição, habitação e educação de qualidade – as únicas coisas realmente capazes de acabar com o círculo vicioso da pobreza.

Isso é factível. Para fazê-lo, precisamos – antes de mais nada – de clareza de propósitos. E depois (como sempre), muito empenho, muito trabalho, a vigilância permanente das instituições e a cobrança de todos nós.

Roberto Civita é presidente da Abril e editor de VEJA

 
 
 
 
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