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Os americanos
Michael Joyce
e Stuart
Moulthrop:
conduzindo
o leitor por
labirintos
de histórias
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Para a maioria dos escritores, o computador não passa
de uma máquina de escrever melhorada. Alguns até
hoje desconfiam das vantagens de arquivar seus textos na memória
do micro. Quanto antes a obra puder ser impressa num livro,
melhor. Aos poucos, no entanto, começa a surgir uma pequena
tribo de autores que pensam diferente. Para eles, é o
livro que se tornou dispensável. Seus romances e contos
são feitos para ser lidos exclusivamente no computador.
Com isso, criaram uma nova modalidade de literatura: a ficção
em "hipertexto". É uma apropriação do formato
das páginas da internet. Em vez de conduzir o leitor
por um único caminho, da primeira linha ao ponto final,
esses escritores incrementam o trajeto com atalhos e bifurcações.
Cada leitor escolhe o percurso pelas possibilidades que lhe
são oferecidas na tela. Em alguns casos, as narrativas
se transformam em verdadeiros labirintos literários.
Quase sempre há imagens e sons.
A ficção em hipertexto já ganhou adeptos
no Brasil. O site Galáxias (http://www.terravista.pt/ilhadomel/2158/galaxias/index.htm)
lista quatro obras. Uma delas é Quatro Gargantas Cortadas,
coletânea de contos de Daniel Pellizzari. A mais curiosa,
ainda que o texto deixe muito a desejar do ponto de vista estilístico,
é Tristessa, assinada por um anônimo, identificado
como O Passageiro. Quem chega ao site encontra uma "capa". Clicando
o mouse, o leitor é transportado até o prefácio
e de lá para um "navegador", no qual estão listados
os sessenta capítulos principais do texto. Não
existe uma seqüência correta de leitura ou, como
afirma o autor, "não há instruções
de navegação".
Nos Estados Unidos, a novidade está virando um negócio.
Já existe pelo menos uma editora especializada no gênero,
a Eastgate. Além de publicar os trabalhos, a empresa
desenvolve programas de editoração eletrônica
que ajudam os autores a escrever no formato hipertexto. Criada
no começo dos anos 80 pelo ex-químico Mark Bernstein,
a Eastgate conta atualmente com 35 títulos e 27 autores
em seu catálogo. Entre eles estão as estrelas
Michael Joyce e Stuart Moulthrop. O primeiro é o patriarca
da nova arte. Sua obra mais antiga, Afternoon: a Story,
foi publicada em 1989 e já ganhou o status de "clássico".
Moulthrop é o mais ativo e engenhoso dos hiperficcionistas.
Seu melhor trabalho, Victory Garden, tem um enredo convencional
uma história de amores e intrigas num campus universitário.
Mas o texto é dividido em quase 1 000 "páginas",
conectadas por 2.800 links
eletrônicos, o que dá uma idéia da complexidade
de sua arquitetura. "Ler ficção em hipertexto
demanda paciência e concentração", diz Moulthrop.
"Eu mesmo, às vezes preciso reunir coragem antes de iniciar
uma leitura, embora ache que a experiência vale a pena."
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As páginas
iniciais
de Quatro
Gargantas Cortadas
e Tristessa:
literatura
em hipertexto
também
pode ser
encontrada em
português
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A tiragem de uma obra em hipertexto, vendida em disquete, gira
em torno das 3.000 cópias.
É similar à dos livros de poesia nos Estados Unidos.
Mas deve aumentar. A Microsoft acaba de criar um prêmio
de 100.000 dólares
para obras escritas originalmente no formato eletrônico.
No âmbito literário, é melhor olhar o hipertexto
como aquilo que ele de fato é. Não necessariamente
o anúncio de uma nova era, mas uma interessante ferramenta
de criação, que mal começou a ser explorada.