Edição 1 630 -5/1/2000

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Antonio Milena

Um novo país está sendo construído em torno
da rodovia que liga o Rio Grande do Sul ao Pará.
Uma região jovem e com capacidade surpreendente
para enfrentar desafios

Num país de dimensões continentais como o Brasil é natural que o processo civilizatório ocorra por etapas. A primeira fase do progresso brasileiro se deu ao longo da costa. Por mais de três séculos, desde que os bandeirantes avançaram sobre a Serra do Mar, esse tem sido o centro da economia e da cultura do país. Foi nas proximidades do litoral que se criaram as raízes da identidade nacional. A sociedade litorânea foi solidificada pela construção de grandes eixos de norte a sul, como a BR-101 e a BR-116. Nas próximas vinte páginas, VEJA trata do segundo estágio dessa evolução. Existe no centro do país, na região que os moradores do litoral definiam como grotões, uma nova e excitante onda de ocupação levada a cabo pela civilização brasileira sobre o imenso território. Num eixo imaginário longitudinal está brotando um país herdeiro do primeiro, mas com horizontes diferentes e talvez mais amplos. Para relatar esse fenômeno, os repórteres de VEJA trafegaram por mais de 10 000 quilômetros ao longo da BR-153, a Rodovia Transbrasiliana, de Aceguá, na fronteira com o Uruguai, até Belém, no Pará. Percorreram estradas vicinais, conheceram dezenas de cidades, falaram com centenas de pessoas.

A BR-153 não é a maior nem a mais movimentada do país, mas a única que atravessa as cinco macrorregiões. Ela é o eixo imaginário em torno do qual se delineia um país um tanto desconhecido dos moradores do Brasil urbano mais próximo da costa. A maioria das cidades entre Goiás e Pará nem sequer existia quando, em 1958, o presidente Juscelino Kubitschek abriu as obras da Rodovia Belém–Brasília, o trecho mais conhecido da BR-153. Nessa região, a rodovia é a alma do pioneirismo. É uma nova fronteira simbolizada pela juventude de Palmas, a capital que tem metade de sua população com até 18 anos. O segundo descobrimento do Brasil que esta reportagem flagrou é um processo em franca atividade e cheio de surpresas. No interior de Minas Gerais, satélites mapeiam a qualidade de cada palmo do solo, multiplicando a produtividade. Também é um Brasil que aprende a mudar de rumo. No Pará, a devastação da Floresta Amazônica está dando lugar ao corte seletivo de árvores. Um Brasil em construção é o que se descobre nas reportagens seguintes.

Vale Vêneto / RS Ibitinga / SP Passo Fundo / RS
Paragominas / PA Barcarena / PA Formoso do Araguaia / TO
Bagé / RS Londrina / PR Uberlândia / MG
 


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