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Congresso
Vão reagir?
Presidente veta projeto
que anistia parlamentares
Depois de duas semanas fazendo suspense sobre sua decisão,
o presidente Fernando Henrique decidiu vetar o projeto que perdoa
quase 100 parlamentares e dez governadores do pagamento de multas
eleitorais aplicadas pela Justiça em 1996 e 1998. Fez
a coisa certa. A lei que criou as punições e definiu
os crimes foi discutida, votada e aprovada pelo próprio
Congresso. O problema é que, agora, quando chegou a conta,
um naco de 21 milhões de reais em multas, esse mesmo
Congresso decidiu mudar as regras do jogo ao aprovar a anistia.
Não contava com o veto de Fernando Henrique. Quando voltarem
das férias de fim de ano, os parlamentares terão
de fazer uma escolha. Ou mantêm o que eles mesmos criaram
ou mais uma vez legislam em causa própria.
Ao vetar o projeto, Fernando Henrique fez uma opção
clara. Ele preferiu ficar do lado da razão, mesmo que
isso possa complicar sua vida mais à frente, em futuras
votações no Congresso. FHC também não
quis arriscar a perda de mais alguns preciosos pontos na popularidade.
Com a decisão, sua imagem saiu fortalecida. O que não
se sabe ainda é como o Congresso reagirá ao veto.
Preocupado com isso, o governo já está começando
a articular com os partidos de sua base de sustentação
o adiamento da análise do veto pelo Congresso. Dessa
forma, o assunto não deverá constar da pauta do
começo do ano durante a convocação extraordinária.
Os líderes do governo não acreditam na hipótese
de o Congresso derrubar o veto do presidente, o que não
significa que FHC esteja livre de ataques. O líder na
Câmara, Arnaldo Madeira, admitiu insatisfações
entre os parlamentares. Ele acha, porém, que isso não
será um problema nas votações. "Muito mais
azedume pode gerar a postura contrária do governo em
relação à reforma tributária", diz
o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima.
Azedume mesmo será o Congresso insistir na anistia.
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