Edição 1 630 -5/1/2000

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Congresso

Vão reagir?

Presidente veta projeto
que anistia parlamentares

Depois de duas semanas fazendo suspense sobre sua decisão, o presidente Fernando Henrique decidiu vetar o projeto que perdoa quase 100 parlamentares e dez governadores do pagamento de multas eleitorais aplicadas pela Justiça em 1996 e 1998. Fez a coisa certa. A lei que criou as punições e definiu os crimes foi discutida, votada e aprovada pelo próprio Congresso. O problema é que, agora, quando chegou a conta, um naco de 21 milhões de reais em multas, esse mesmo Congresso decidiu mudar as regras do jogo ao aprovar a anistia. Não contava com o veto de Fernando Henrique. Quando voltarem das férias de fim de ano, os parlamentares terão de fazer uma escolha. Ou mantêm o que eles mesmos criaram ou mais uma vez legislam em causa própria.

Ao vetar o projeto, Fernando Henrique fez uma opção clara. Ele preferiu ficar do lado da razão, mesmo que isso possa complicar sua vida mais à frente, em futuras votações no Congresso. FHC também não quis arriscar a perda de mais alguns preciosos pontos na popularidade. Com a decisão, sua imagem saiu fortalecida. O que não se sabe ainda é como o Congresso reagirá ao veto. Preocupado com isso, o governo já está começando a articular com os partidos de sua base de sustentação o adiamento da análise do veto pelo Congresso. Dessa forma, o assunto não deverá constar da pauta do começo do ano durante a convocação extraordinária.

Os líderes do governo não acreditam na hipótese de o Congresso derrubar o veto do presidente, o que não significa que FHC esteja livre de ataques. O líder na Câmara, Arnaldo Madeira, admitiu insatisfações entre os parlamentares. Ele acha, porém, que isso não será um problema nas votações. "Muito mais azedume pode gerar a postura contrária do governo em relação à reforma tributária", diz o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima. Azedume mesmo será o Congresso insistir na anistia.

 

 


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