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Edição 1 780 - 4 de dezembro de 2002
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Com a bola toda

Uma biografia tenta explicar o
sucesso de
Ronaldinho. E o que
aconteceu com ele em 1998

 
Hiroki Gomi/Mainichi Shimbun/AP

Ronaldinho comemora um gol na Copa de 2002: volta por cima

O Fenômeno
3 Copas do Mundo e 2 conquistas
Gols em Copas: 12
Média de gols na carreira: 0,8 por partida
Maior salário: 5 milhões de dólares por ano no time espanhol Real Madrid


Veja também
Trechos do livro

Poucas vezes um apelido foi
tão certeiro quanto este: "O Fenômeno". Criado pelos italianos, ele descreve o brasileiro Ronaldinho tanto dentro quanto fora de um campo de futebol. Se sua carreira se encerrasse hoje, aos 26 anos, ele teria um lugar de honra nas estatísticas do esporte, com sua média de 0,8 gol por partida. Mas não é só isso que o distingue. "Ronaldo tem um traço singular, que é a projeção universal de sua imagem", diz Florentino Pérez, presidente do time espanhol Real Madrid, que há três meses comprou o passe do jogador por 55 milhões de euros. E ele está coberto de razão. Segundo uma pesquisa recente da fabricante de produtos esportivos Nike, que tem com o atleta um contrato milionário de patrocínio, Ronaldinho é a terceira pessoa mais conhecida do mundo, depois do papa João Paulo II e do presidente americano George W. Bush. Se explicar seu gênio com a bola é difícil, mostrar por que "O Fenômeno" adquiriu essa celebridade é uma tarefa bem realizada pelo jornalista Jorge Caldeira na biografia Ronaldo – Glória e Drama no Futebol Globalizado (Lance!/Editora 34; 318 páginas; 34 reais).

O livro começa com a conquista da Copa de 2002 pelo Brasil, depois de um jogo contra a Alemanha em que Ronaldinho marcou dois gols. Nesse sentido, é obra de um aficionado do futebol, que celebra o retorno de um grande atleta ao ápice, depois de sérios problemas físicos. Fora isso, há poucas descrições de jogo, pouco jargão e nada da "poesia" às vezes encontrada nas crônicas esportivas. No que o autor se esmera mesmo é em descrever as mudanças do futebol na última década, e como Ronaldo se tornou um personagem-chave nesse cenário. Fala das transmissões televisivas de esportes, de empresas como a Nike e seus megainvestimentos em marketing, da organização dos clubes como empresas – enfim, daquilo que ele chama de globalização do futebol. A sorte de Ronaldinho, diz Caldeira, foi encontrar, aos 15 anos, dois empresários que encaminharam sua carreira segundo padrões atípicos para o Brasil, no começo dos anos 90. Reinaldo Pitta e Alexandre Martins assinaram com ele um contrato que ia além da preocupação de estabelecê-lo num bom time. "A associação envolvia futebol e imagem. Os dois pontos eram essenciais", diz o autor. Ronaldinho foi talhado para aproveitar oportunidades de negócio. E despontou justamente quando os negócios em torno do futebol explodiam. Por contraste, foi só muito tarde que Pelé se deu conta do poder de sua imagem. Em 1975, no fim da carreira, acertou seu primeiro contrato milionário em dólares.

Um capítulo da biografia deve causar polêmica. É aquele que discute o problema que atingiu Ronaldinho na final da Copa da França, em 1998. Horas antes da partida, durante um cochilo, ele teve uma série de espasmos. A hipótese de uma convulsão não se confirmou e desde então persiste o enigma. Segundo Caldeira, Ronaldinho teria sofrido um tipo de parassonia – um distúrbio do sono conhecido como terror noturno. Não apenas os sintomas que apresentou seriam condizentes com essa idéia, como também o seu histórico: ele foi sonâmbulo na infância, e o sonambulismo é um tipo de parassonia. "Testei essa hipótese em minúcias com seis especialistas. Estou certo dela", diz o autor.

 
Lemyr Martins

Pelé: milhões de dólares só no fim da carreira
O Rei
4 Copas do Mundo e 3 conquistas
Gols em Copas: 12
Média de gols na carreira: 0,96 por partida
Maior salário: 2 milhões de dólares por ano no time americano Cosmos (1975-1977)

 

   
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