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Com
a bola toda
Uma biografia tenta explicar o
sucesso de
Ronaldinho. E o que
aconteceu com ele em 1998
Hiroki Gomi/Mainichi Shimbun/AP

Ronaldinho
comemora um gol na Copa de 2002: volta por cima |
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O
Fenômeno
3 Copas do Mundo e 2 conquistas
Gols em Copas: 12
Média de gols na carreira: 0,8
por partida
Maior salário: 5 milhões
de dólares por ano no time espanhol Real Madrid
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Veja também |
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Poucas
vezes um apelido foi
tão certeiro quanto este: "O Fenômeno". Criado pelos italianos,
ele descreve o brasileiro Ronaldinho tanto dentro quanto fora de um campo
de futebol. Se sua carreira se encerrasse hoje, aos 26 anos, ele teria
um lugar de honra nas estatísticas do esporte, com sua média
de 0,8 gol por partida. Mas não é só isso que o distingue.
"Ronaldo tem um traço singular, que é a projeção
universal de sua imagem", diz Florentino Pérez, presidente do time
espanhol Real Madrid, que há três meses comprou o passe do
jogador por 55 milhões de euros. E ele está coberto de razão.
Segundo uma pesquisa recente da fabricante de produtos esportivos Nike,
que tem com o atleta um contrato milionário de patrocínio,
Ronaldinho é a terceira pessoa mais conhecida do mundo, depois
do papa João Paulo II e do presidente americano George W. Bush.
Se explicar seu gênio com a bola é difícil, mostrar
por que "O Fenômeno" adquiriu essa celebridade é uma tarefa
bem realizada pelo jornalista Jorge Caldeira na biografia Ronaldo
Glória e Drama no Futebol Globalizado (Lance!/Editora
34; 318 páginas; 34 reais).
O
livro começa com a conquista da Copa de 2002 pelo Brasil, depois
de um jogo contra a Alemanha em que Ronaldinho marcou dois gols. Nesse
sentido, é obra de um aficionado do futebol, que celebra o retorno
de um grande atleta ao ápice, depois de sérios problemas
físicos. Fora isso, há poucas descrições de
jogo, pouco jargão e nada da "poesia" às vezes encontrada
nas crônicas esportivas. No que o autor se esmera mesmo é
em descrever as mudanças do futebol na última década,
e como Ronaldo se tornou um personagem-chave nesse cenário. Fala
das transmissões televisivas de esportes, de empresas como a Nike
e seus megainvestimentos em marketing, da organização dos
clubes como empresas enfim, daquilo que ele chama de globalização
do futebol. A sorte de Ronaldinho, diz Caldeira, foi encontrar, aos 15
anos, dois empresários que encaminharam sua carreira segundo padrões
atípicos para o Brasil, no começo dos anos 90. Reinaldo
Pitta e Alexandre Martins assinaram com ele um contrato que ia além
da preocupação de estabelecê-lo num bom time. "A associação
envolvia futebol e imagem. Os dois pontos eram essenciais", diz o autor.
Ronaldinho foi talhado para aproveitar oportunidades de negócio.
E despontou justamente quando os negócios em torno do futebol explodiam.
Por contraste, foi só muito tarde que Pelé se deu conta
do poder de sua imagem. Em 1975, no fim da carreira, acertou seu primeiro
contrato milionário em dólares.
Um capítulo da biografia deve causar polêmica. É aquele
que discute o problema que atingiu Ronaldinho na final da Copa da França,
em 1998. Horas antes da partida, durante um cochilo, ele teve uma série
de espasmos. A hipótese de uma convulsão não se confirmou
e desde então persiste o enigma. Segundo Caldeira, Ronaldinho teria
sofrido um tipo de parassonia um distúrbio do sono conhecido
como terror noturno. Não apenas os sintomas que apresentou seriam
condizentes com essa idéia, como também o seu histórico:
ele foi sonâmbulo na infância, e o sonambulismo é um
tipo de parassonia. "Testei essa hipótese em minúcias com
seis especialistas. Estou certo dela", diz o autor.
Lemyr Martins

Pelé:
milhões de dólares só no fim da carreira
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O
Rei
4 Copas do Mundo e 3 conquistas
Gols em Copas: 12
Média de gols na carreira: 0,96
por partida
Maior salário: 2 milhões
de dólares por ano no time americano Cosmos (1975-1977)
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