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Edição 1 780 - 4 de dezembro de 2002
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Para sobreviver às crises

Quanto mais você souber negociar,
menos stress vai sofrer no trabalho,
mesmo nos momentos mais difíceis

 
Lúcia Brandão

Veja também
Teste: Qual é seu nível de stress?
Teste: Você é estressado no trabalho?

Profissionais com maior habilidade de negociação e persuasão enfrentam menos stress quando a empresa em que trabalham passa por crise e promove demissões. A conclusão é de um levantamento feito no Brasil por uma instituição internacional dedicada ao estudo do stress, a International Stress Management Association. Foram entrevistados 230 profissionais de três companhias que fizeram drásticos cortes de pessoal nos últimos tempos. O principal problema, citado por 61% dos pesquisados, foi o conflito de funções entre os funcionários que sobreviveram aos cortes. A coordenadora do trabalho, Ana Maria Rossi, explica que o stress pode provocar sintomas como aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial e dificuldade de respirar. Os profissionais mais afetados são os menos habilidosos em influenciar a opinião dos colegas e chefes. "O funcionário capaz de negociar a redistribuição equilibrada das tarefas sofre menos em situações como essas", diz Ana Rossi. A consultora de recursos humanos Ana Maria Cadavez, da KPMG, enumera alguns exemplos de atitudes que ajudam a aliviar o stress nessas ocasiões:

Se vários chefes solicitam tarefas com prazos semelhantes, estabeleça prioridades, informe-as a seus superiores e tente renegociar as datas-limite.

Procure ampliar a lista de contatos e distribua seu currículo profissional. Não espere a próxima etapa de demissões para começar a buscar alternativas.

Se você está sobrecarregado, peça ajuda. Os períodos de demissão aumentam a solidariedade entre os que sobrevivem aos cortes.

Tente convencer seus superiores a passar as tarefas com maior antecedência. Com organização é possível aliviar o trabalho e reduzir o stress.

 

Salário para ouvir

Profissional encarregado de ouvir
queixas de clientes pode ter ganhos
de até 16 000 mensais

Procura-se: profissional com bom nível cultural e, acima de tudo, paciência para ouvir reclamações. Se você cumpre esses requisitos, pode se tornar um ouvidor (ou ombudsman, no termo original em sueco). A atividade, recente no país, já abriu cerca de 1 000 vagas em diversos setores. Trata-se de profissionais pagos pela empresa para ouvir as reclamações e sugestões dos clientes e encaminhá-las internamente – não só para resolver o problema imediato mas também para extrair informações que sirvam para melhorar o desempenho da companhia. O salário fica em torno de 4.000 reais na administração pública e chega a 16.000 reais no setor privado. Em algumas empresas, o cargo de ouvidor foi criado com status de diretoria – o profissional participa das principais reuniões e tem voz ativa nas tomadas de decisão. Pessoas com qualquer formação podem disputar as vagas, já que a função ainda não está regulamentada. A Associação Brasileira de Ouvidores promove cursos regulares de capacitação e a Fundação Getúlio Vargas já criou um MBA em formação de ouvidores. Mais informações em www.abonacional.org.br e www.ebape.fgv.br.

 

E-mail: guiaveja@abril.com.br

 
 
   
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