Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 780 - 4 de dezembro de 2002
Geral Saúde
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
 

Desigualdade entre negros e brancos persiste
O carro brasileiro feito para vencer ralis
O apoio do grupo Re Vida aos pacientes com câncer
Trancoso ganha resorts e perde a tranqüilidade
Os atletas dos novos jogos até parecem de verdade
Eles não querem mais saber de celular
Spams, as mensagens indesejadas que atolam seu micro
Novas técnicas e estampas nos biquínis deste verão
O minirregime para perder 3 quilos em três semanas
O que querem os consumidores de produtos orgânicos
Presentes para um Natal tecnológico

Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
VEJA on-line
Gente
Datas

VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Terapia da alma

Como o Re Vida, um grupo de
apoio a pacientes
de câncer, ajuda
a diminuir a solidão da doença

Anna Paula Buchalla

 
Frederic Jean
"Não há experiência mais solitária do que a do câncer. É difícil dizer isso, mas nesse momento as pessoas da família são quase um incômodo. Elas se esforçam para agradar, sem entender que o que você precisa mesmo é entender o que você tem."
Hector Babenco, cineasta

Um dos efeitos colaterais do câncer é a solidão. Explica-se: como o diagnóstico da doença ainda é interpretado como uma inapelável sentença de morte, o paciente vê-se entregue à própria sorte. Para completar, ele se crê vítima de uma maldição divina ou culpado por ter gerado o tumor que o consome – está-se falando aqui do mito de que o câncer é conseqüência de emoções reprimidas e bobagens que tais. Atormentado por esses sentimentos, é comum que o doente se isole. Para tirá-lo dessa redoma de angústia, é importante que ele conte com algum tipo de apoio psicológico. Um dos trabalhos mais notáveis nesse sentido é o que vem sendo realizado pelo grupo Re Vida, em São Paulo. Seus criadores partem de um princípio simples – o de que só quem passou pela doença é capaz de compreender integralmente a dor do outro – e de uma conclusão que soa paradoxal: a de que a família, em tais casos, não é a mais indicada para ajudar. Por isso mesmo, o Re Vida não envolve os parentes do doente. "Em família, emoções antigas acabam se confundindo com dados de realidade, o que só prejudica o trabalho", diz o psicoterapeuta Edmundo Barbosa, diretor do Re Vida.

 
Fotos André Penner
"Ficar face a face com a morte é uma carga pesada demais para carregar sozinho. A ajuda psicológica ensina a dividir a dor. Essa é também uma trajetória de cura. A cura dos medos, da solidão."
Priscilla Coutinho Pereira, tradutora

A base das atividades promovidas pelo grupo de apoio é a troca de experiências entre os pacientes e aqueles que conseguiram se livrar do câncer. "Quando estava doente, meus amigos e familiares representavam quase um incômodo. Eu via o esforço que eles faziam para me ajudar, mas no fundo o que eu queria era entender o que eu tinha e sentia. O Re Vida me ajudou muito a percorrer esse caminho", diz o cineasta Hector Babenco, que venceu um câncer no sistema linfático. Há cerca de quatro meses, o enfermeiro paulista Carlos Más, de 46 anos, recebeu a notícia de que tinha um câncer no intestino. "Tenho quatro filhos, um deles com 4 anos. Não é fácil ver que as pessoas que você ama estão sofrendo por você", diz ele, que encontrou alívio no Re Vida.

O grupo foi criado há catorze anos por especialistas em psicoterapia oncológica e por pacientes que superaram a doença. Seu método é uma combinação de experiências americanas bem-sucedidas, como as do Cancer Support and Education Center e do Commonweal, que têm sede na Califórnia. Em sessões semanais de psicoterapia de grupo, durante quatro meses, o paciente disseca seus medos. Duas vezes ao ano é feito um retiro em uma fazenda no interior de São Paulo, onde os pacientes têm alimentação especializada, sessões de ioga, relaxamento, massagem e meditação. "Só quem enfrentou o pânico do diagnóstico, o medo de abrir o resultado dos exames, os enjôos, a perda de cabelos sabe como esses encontros injetam ânimo", diz Virginia Garcia de Souza, uma das fundadoras do grupo.

 
Retiro de pacientes de câncer em uma fazenda: natureza, meditação, relaxamento e muita conversa

O Re Vida tem uma concepção diferente, talvez mais elaborada, mas os grupos de apoio tradicionais também são bastante efetivos. "Em geral, esses grupos têm a grande vantagem de dar ao paciente a real dimensão do problema que ele vive", afirma Sergio Simon, oncologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A tradutora fluminense Priscilla Coutinho conhece bem a importância desse tipo de trabalho. Aos 40 anos, ela enfrenta o seu terceiro tumor. "O diagnóstico de câncer é um fardo pesado demais para ser carregado sozinho", diz ela. "A ajuda psicológica ensina a dividir a dor, o que não deixa de ser uma forma de cura – a cura dos medos e da solidão." O câncer é uma solidão de multidões. Só neste ano, cerca de 340.000 brasileiros ouviram a notícia de que estão doentes, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer. Graças aos avanços nos métodos de diagnóstico e tratamento, 60% dos casos têm solução se flagrados em estágio inicial. A doença já não é necessariamente uma sentença de morte.

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS