
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Só
mesmo ele
Presidente
eleito critica a ação
dos antigos companheiros e os
convoca para trabalhar
Maurício
Lima
Antonio Gauderia/Folha Imagem
 |
| Lula
e os sindicalistas: hora de pensar no Brasil |

Veja também |
|
|
|
Os
adversários do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva
elaboraram uma máxima durante a campanha: a aparência suave
e o tom conciliador das propostas do candidato petista não passavam
de um lance de marketing. O verdadeiro Lula, radical e sectário,
só iria aparecer depois das eleições. Pelo que se
viu até agora, esse Lula foi de fato colocado para hibernar sem
data para retorno. Lula, ainda durante a transição, tem
enfrentado questões delicadas, como as pressões para o aumento
do salário mínimo, a necessidade do futuro governo de puxar
para cima as alíquotas do imposto de renda e a necessidade também
de honrar os contratos com o FMI, com a mesma serenidade com que o faria
o atual ministro Pedro Malan, da Fazenda. Na semana passada, Lula ultrapassou
de longe o que poderiam ousar Malan e Fernando Henrique se somassem suas
forças. Para uma platéia em que estavam presentes as maiores
lideranças sindicais do país, os velhos companheiros, como
o presidente eleito gosta de dizer, Lula defendeu a reforma da Previdência,
combateu as reivindicações permanentes por aumentos de salário
e, por fim, criticou a atuação dos próprios sindicatos.
"Estamos em um momento em que precisamos de menos bravata e mais competência",
disse o presidente eleito. "O movimento sindical precisa acabar com essa
história de só funcionar na época da data-base e
depois ficar um ano sem ter o que fazer."
Só mesmo um presidente que veio do meio sindical e da esquerda
teria respaldo ideológico e político para colocar esse freio
nos sindicalistas de maneira tão dura e explícita. Qualquer
outro de seus concorrentes na eleição, José Serra,
Ciro Gomes ou Anthony Garotinho, seria provavelmente acusado de conspirar
contra as conquistas dos trabalhadores. Ao contrário do que era
esperado, o presidente eleito, que presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos
de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, nem sequer
se deu ao trabalho de suavizar suas críticas com algumas menções
favoráveis ao corporativismo sindical brasileiro. Aproveitou a
identidade com a maioria dos presentes para cobrar coerência, sacrifícios
e mostrar que ser governo é bem mais difícil do que ficar
na porta de fábrica pedindo aumentos ao patrão. "Que diabos
de sindicalistas revolucionários somos nós, que só
sabemos pedir o bem-bom onde já está mais ou menos bom?",
disse Lula. Depois do desnudamento impiedoso das práticas sindicais
correntes no Brasil, Lula saiu aplaudido do encontro. Surpreendente.
|
|
 |