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Edição 1 780 - 4 de dezembro de 2002
Brasil Distrito Federal

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Eles foram rejeitados

O novo presidente conversa com
todos, menos com os governadores
do Distrito Federal e do Tocantins

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva disse na semana passada que pretende se reunir com todos os governadores eleitos antes da posse, à exceção de dois. "Eu já me reuni praticamente com vinte governadores. Faltam apenas sete. Com dois, eu não quero me reunir mais", disse Lula a uma platéia de sindicalistas, sem esclarecer a quem estava se referindo. Para evitar especulações, seus assessores se encarregaram de desfazer o mistério. Um dos proscritos, de acordo com esses assessores, seria o governador eleito do Tocantins, Marcelo Miranda, herdeiro político do atual governador, Siqueira Campos. O outro, Joaquim Roriz, foi reeleito para governar o Distrito Federal pela quarta vez. Os dois governadores indesejados têm em comum um currículo cheio de relações suspeitas. O pai de Miranda, José Brito Miranda, coordenador da equipe de transição do filho, é acusado de beneficiar empreiteiras amigas em licitações no governo tocantinense, do qual era secretário. Segundo a Polícia Federal, ele fazia parte de uma ampla teia de corrupção que unia empresários e políticos do Estado.

O segundo rejeitado, Joaquim Roriz, vive o pior momento de sua carreira política. Nem quando esteve enroscado com os anões do Orçamento, há quase dez anos, o governador se viu tão encurralado. Investigado pela Polícia Federal, pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo Ministério Público, pela Procuradoria da República, pelo Tribunal de Contas da União e pelo Senado, Roriz será alvo agora de uma força-tarefa do Ministério da Justiça. O maior problema de Roriz é a grilagem de terras. No final de setembro, VEJA revelou a existência de um arsenal de gravações legais feitas pela polícia mostrando a promiscuidade entre autoridades e grileiros. Uma das gravações trazia Roriz conversando com o grileiro-mor da cidade, que falou em propina, pediu apoio ao governador e recebeu dele a garantia de que ajudaria a impedir a fiscalização em uma área pública invadida. O escândalo explodiu, Roriz venceu as eleições, mas se transformou desde então numa crise ambulante.

Todo dia aparece uma nova gravação para atormentar a vida do governador. A última mostra o grileiro-mor, Pedro Passos, conversando com um desembargador. De novo, o assunto gira em torno das relações de Roriz com os grileiros e as propinas. O Ministério da Justiça enxergou nas conversas uma prova de que as instituições no Distrito Federal estão muito mais próximas do crime organizado do que se imaginava e decidiu nomear uma força federal para investigar o caso. "As pessoas precisam ter consciência de que existe uma coisa chamada lei. A União tem o dever de investigar qualquer irregularidade envolvendo seu patrimônio", disse o ministro Paulo de Tarso Ribeiro. Refém de seus amigos grileiros e acuado pelas investigações, o governador Roriz não conta nem com a solidariedade de seu partido, o PMDB. Cautelosos, os líderes peemedebistas não se moveram ainda para tentar ajudar Roriz. Depois do pito público, a assessoria de Lula até que tentou amenizar o discurso politicamente incorreto do presidente eleito, ressaltando que não existe restrição direta a ninguém e que é desejo dele encontrar-se com todos os governadores. Para Roriz e Miranda, pelo menos por enquanto, ainda não há nada agendado.

 
 
   
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