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Eles foram rejeitados
O novo
presidente conversa com
todos,
menos com os governadores
do
Distrito Federal e do Tocantins
O presidente
eleito Luiz Inácio Lula da Silva disse na semana passada que pretende
se reunir com todos os governadores eleitos antes da posse, à exceção
de dois. "Eu já me reuni praticamente com vinte governadores. Faltam
apenas sete. Com dois, eu não quero me reunir mais", disse Lula
a uma platéia de sindicalistas, sem esclarecer a quem estava se
referindo. Para evitar especulações, seus assessores se
encarregaram de desfazer o mistério. Um dos proscritos, de acordo
com esses assessores, seria o governador eleito do Tocantins, Marcelo
Miranda, herdeiro político do atual governador, Siqueira Campos.
O outro, Joaquim Roriz, foi reeleito para governar o Distrito Federal
pela quarta vez. Os dois governadores indesejados têm em comum um
currículo cheio de relações suspeitas. O pai de Miranda,
José Brito Miranda, coordenador da equipe de transição
do filho, é acusado de beneficiar empreiteiras amigas em licitações
no governo tocantinense, do qual era secretário. Segundo a Polícia
Federal, ele fazia parte de uma ampla teia de corrupção
que unia empresários e políticos do Estado.
O segundo
rejeitado, Joaquim Roriz, vive o pior momento de sua carreira política.
Nem quando esteve enroscado com os anões do Orçamento, há
quase dez anos, o governador se viu tão encurralado. Investigado
pela Polícia Federal, pelo Superior Tribunal de Justiça,
pelo Ministério Público, pela Procuradoria da República,
pelo Tribunal de Contas da União e pelo Senado, Roriz será
alvo agora de uma força-tarefa do Ministério da Justiça.
O maior problema de Roriz é a grilagem de terras. No final de setembro,
VEJA revelou a existência de um arsenal de gravações
legais feitas pela polícia mostrando a promiscuidade entre autoridades
e grileiros. Uma das gravações trazia Roriz conversando
com o grileiro-mor da cidade, que falou em propina, pediu apoio ao governador
e recebeu dele a garantia de que ajudaria a impedir a fiscalização
em uma área pública invadida. O escândalo explodiu,
Roriz venceu as eleições, mas se transformou desde então
numa crise ambulante.
Todo dia
aparece uma nova gravação para atormentar a vida do governador.
A última mostra o grileiro-mor, Pedro Passos, conversando com um
desembargador. De novo, o assunto gira em torno das relações
de Roriz com os grileiros e as propinas. O Ministério da Justiça
enxergou nas conversas uma prova de que as instituições
no Distrito Federal estão muito mais próximas do crime organizado
do que se imaginava e decidiu nomear uma força federal para investigar
o caso. "As pessoas precisam ter consciência de que existe uma coisa
chamada lei. A União tem o dever de investigar qualquer irregularidade
envolvendo seu patrimônio", disse o ministro Paulo de Tarso Ribeiro.
Refém de seus amigos grileiros e acuado pelas investigações,
o governador Roriz não conta nem com a solidariedade de seu partido,
o PMDB. Cautelosos, os líderes peemedebistas não se moveram
ainda para tentar ajudar Roriz. Depois do pito público, a assessoria
de Lula até que tentou amenizar o discurso politicamente incorreto
do presidente eleito, ressaltando que não existe restrição
direta a ninguém e que é desejo dele encontrar-se com todos
os governadores. Para Roriz e Miranda, pelo menos por enquanto, ainda
não há nada agendado.
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