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A rebelião
dos tucanos
Governadores
eleitos se reúnem
com Lula,
fazem reivindicações
e anunciam que
o comando do
partido é deles
Malu Gaspar
Armando Favaro/AG. Estado
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| José
Aníbal, o presidente do partido, não foi convidado para a reunião
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Primeiro
foram os governadores do PMDB que se rebelaram contra a proposta das lideranças
do partido de fazer oposição sistemática ao presidente
eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. Na semana passada foi a vez
de os tucanos se insurgirem. À revelia de seus comandantes, os
sete governadores eleitos do PSDB se reuniram com Lula na cidade de Araxá,
em Minas Gerais. Elaboraram uma extensa pauta de reivindicações
e anunciaram que estão dispostos a apoiar o governo nas votações
dos projetos que o PT pretende implementar ainda durante o processo de
transição. O encontro foi pautado pela cordialidade. O deputado
Aécio Neves, eleito governador de Minas e que desde o primeiro
turno das eleições já deixava cair uma asa para a
candidatura petista, foi aguardar Lula no aeroporto. O presidente eleito,
completamente à vontade, disse que se sentia entre amigos e lembrou
os tempos em que muitos ali aproveitavam as folgas na Constituinte para
jogar futebol. No final da reunião, os tucanos divulgaram uma nota
anunciando a consolidação de uma parceria com o futuro governo
e afirmando que o partido fará uma oposição responsável.
Assim como
no PMDB, o que está por trás desse cenário de entendimento
é a disputa pelo comando do partido. Tanto que o resultado mais
visível da reunião foi o bate-boca que se seguiu entre os
próprios tucanos. Desde o final das eleições, há
uma disputa de bastidores pelo espólio do PSDB. Algumas lideranças
defendem a oposição sistemática. Chegaram a propor
reajustes para o salário mínimo e redução
de alíquotas de imposto de renda o discurso fácil
que até ontem pertencia à oposição e, mais
particularmente, aos petistas. Outra parte, capitaneada agora pelos governadores
eleitos, tendo o deputado Aécio Neves na proa, não quer
afastar-se do futuro governo, pelo menos por agora. Olhando muito à
frente, Aécio trabalhou em silêncio para organizar o encontro
de Araxá. A reunião atendia a interesses dos dois lados.
Para Lula, significava a abertura de mais um canal de negociação
que pode render apoios importantes no futuro. Para o grupo de governadores
tucanos, uma demonstração de força e prestígio
dentro de seu partido. A certa altura, um jornalista perguntou a Aécio
se ele não temia que aquela reunião dos governadores com
Lula contrariasse a cúpula do tucanato. "A cúpula agora
somos nós", devolveu Aécio Neves.
José Paulo Lacerda/AE
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| Os
governadores eleitos do PSDB com o presidente Lula em Minas Gerais:
"A cúpula agora somos nós" |
O recado
chegou ao destino. O presidente do partido, deputado José Aníbal,
ficou tão bicudo quanto um tucano verdadeiro. Um dos principais
colaboradores de José Serra durante a campanha, Aníbal pertence
ao grupo que quer levar o PSDB para a oposição radical.
Na véspera do encontro, ele até chegou a anunciar que o
partido criaria uma comissão técnica para fiscalizar o governo
petista. Percebendo o movimento dos dissidentes, telefonou para Aécio
e reclamou. Ou a executiva do PSDB também seria convidada ou a
reunião não deveria acontecer. Aécio disse que falaria
com os colegas. O presidente do partido ainda tentou, sem sucesso, convencer
alguns governadores a desistir de participar. "Só fomos informados
da presença de Lula na última hora", encenou o governador
Marconi Perillo, de Goiás, com ar de surpresa. Outros foram direto
ao assunto: "Eles (José Aníbal e aliados) perderam
a eleição, levaram o partido à derrota. Agora, devem
deixar que quem tem voto conduza o PSDB", disse Ivo Cassol, o governador
eleito de Rondônia.
A aliança
entre governadores tucanos e o governo do PT é apenas o primeiro
movimento de um intrincado jogo de xadrez. Por enquanto, a trégua
interessa aos dois lados. Atolados em dívidas, os governadores
necessitam das benesses federais para manter o orçamento saudável.
Ansioso para formar maioria, o novo governo precisa das bancadas controladas
pelos governadores para aprovar projetos de lei e emendas constitucionais.
Um governador de Estados como São Paulo e Minas Gerais tem sob
seu controle uma bancada de quase cinqüenta deputados. As conveniências
de momento vão, no entanto, dar lugar a uma renhida disputa tão
logo os interesses de ambos os partidos PSDB e PT sejam
confrontados. Hoje, as duas legendas são as que têm os mais
sólidos projetos de poder. Basta lembrar que nas últimas
três eleições tucanos e petistas foram os principais
protagonistas. Além disso, a estratégia final, tanto de
Aécio Neves como do governador paulista Geraldo Alckmin, é
se cacifar para disputar a Presidência da República daqui
a quatro anos. Por enquanto, vale a pena se distanciar da marca José
Serra. Mais adiante, será a vez de bater firme em Lula e no PT.
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