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Edição 1 780 - 4 de dezembro de 2002
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A barreira da raça

Capas de VEJA sobre os negros: um desafio que resiste ao tempo

Por razões históricas que continuam sendo estudadas, o Brasil é a única grande nação do mundo em que a questão racial não cria tensões ou conflitos sociais perturbadores. O problema racial, no entanto, está longe de uma solução satisfatória no Brasil. O Itamaraty não tem um único embaixador negro, como observou recentemente o presidente Fernando Henrique Cardoso. Embora se façam representar proporcionalmente nas graduações inferiores das Forças Armadas, são raros os negros que atingem o generalato no Brasil. Entre os bispos, dirigentes de empresas e mesmo líderes sindicais quase não há negros. Não existem pessoas da raça negra no núcleo dirigente do Partido dos Trabalhadores, que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente do Brasil. Essas distorções precisam ser encaradas com mais sinceridade no país até porque negros e pardos – como se discrimina estatisticamente um grande número de negros do país – formam quase metade da população brasileira.

Pela convivência pacífica das etnias, talvez nenhuma outra sociedade reúna melhores condições que a brasileira para enfrentar o desafio da igualdade de oportunidades para todos os seus cidadãos. O Brasil foi vanguardista na evolução do pensamento teórico sobre a questão racial. Quando reputadas universidades européias ainda pregavam, no fim dos anos 40, a existência de raças inferiores e superiores, um mestre brasileiro, Gilberto Freyre (1900-1987), já havia demolido essa noção fazia uma década, passando a explicar as diferenças por aspectos culturais e não pela cor da pele. Uma reportagem da presente edição de VEJA mostra, com base num estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que no topo da pirâmide social, o grupo do 1,7 milhão de pessoas mais ricas do país, há nove brancos para cada negro. Segundo o mesmo estudo, a remuneração média dos negros brasileiros é pouco mais da metade da dos brancos. É mais uma barreira a ser vencida para que a paz racial no Brasil não seja apenas a face resignada do preconceito.

 
 
   
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