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A
barreira da raça
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| Capas
de VEJA sobre os negros: um desafio que resiste ao tempo
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Por
razões históricas que continuam sendo estudadas, o Brasil
é a única grande nação do mundo em que a questão
racial não cria tensões ou conflitos sociais perturbadores.
O problema racial, no entanto, está longe de uma solução
satisfatória no Brasil. O Itamaraty não tem um único
embaixador negro, como observou recentemente o presidente Fernando Henrique
Cardoso. Embora se façam representar proporcionalmente nas graduações
inferiores das Forças Armadas, são raros os negros que atingem
o generalato no Brasil. Entre os bispos, dirigentes de empresas e mesmo
líderes sindicais quase não há negros. Não
existem pessoas da raça negra no núcleo dirigente do Partido
dos Trabalhadores, que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente
do Brasil. Essas distorções precisam ser encaradas com mais
sinceridade no país até porque negros e pardos como
se discrimina estatisticamente um grande número de negros do país
formam quase metade da população brasileira.
Pela convivência pacífica das etnias, talvez nenhuma outra
sociedade reúna melhores condições que a brasileira
para enfrentar o desafio da igualdade de oportunidades para todos os seus
cidadãos. O Brasil foi vanguardista na evolução do
pensamento teórico sobre a questão racial. Quando reputadas
universidades européias ainda pregavam, no fim dos anos 40, a existência
de raças inferiores e superiores, um mestre brasileiro, Gilberto
Freyre (1900-1987), já havia demolido essa noção
fazia uma década, passando a explicar as diferenças por
aspectos culturais e não pela cor da pele. Uma reportagem da presente
edição de VEJA mostra, com base num estudo do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que no topo da pirâmide
social, o grupo do 1,7 milhão de pessoas mais ricas do país,
há nove brancos para cada negro. Segundo o mesmo estudo, a remuneração
média dos negros brasileiros é pouco mais da metade da dos
brancos. É mais uma barreira a ser vencida para que a paz racial
no Brasil não seja apenas a face resignada do preconceito.
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