Prato fino

Restauração revela um autêntico Carpaccio

Ceia em Emaús,
de Vittore Carpaccio:
avaliado em 50
milhões de dólares
Foto: Ottorino Nonfarmale/
"Supper at Emmaus"/Restored
by Save Venice
 

Dona de 60% do patrimônio artístico mundial, a Itália ainda está longe de conhecer o exato valor de seu acervo. Duas semanas atrás, as autoridades de Veneza anunciaram que a restauração de um quadro sujo, com três camadas de repintura feiosíssima, revelou uma obra soberba, feita em 1513 pelo renascentista Vittore Carpaccio. Antes se imaginava que o quadro era de autoria de um pintor menor. Tinindo como se pintada ontem, Ceia em Emaús está agora avaliada em 50 milhões de dólares. Para autenticá-la como um Carpaccio, os peritos cruzaram dados técnicos, como a elegância do traço, com documentos de época. A documentação demonstra que a cena bíblica serviu de peça publicitária para o mecenas Girolamo Priuli, retratado de negro, à esquerda de Cristo. Já do lado direito de Jesus, Carpaccio pintou, de turbante, o embaixador Taghri Berdi, enviado pelo sultão de Constantinopla para negociar a paz com os venezianos. Cristo abençoa justamente a concórdia entre os adversários. Logo depois de a Ceia ficar pronta, porém, Veneza e Constantinopla entraram novamente em guerra, o que talvez tenha levado a que o quadro fosse relegado ao esquecimento. No século XX, Carpaccio entrou para o dicionário como um prato de finas lâminas de carne crua. O nome da iguaria foi inspirado nos tons de vermelho do pintor.




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line