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Tesouro içado
Esfinge e
estátua de sacerdote do Egito
antigo são retiradas do fundo do mar
Parece impossível,
mas o Egito, explorado por pesquisadores há séculos,
ainda consegue produzir novidades arqueológicas
surpreendentes. Foi o que aconteceu na semana passada. Na
quarta-feira, uma esfinge de granito com a cabeça do pai
da rainha Cleópatra foi içada das águas turvas do
Porto de Alexandria depois de ter passado 1.600 anos
submersa. No mesmo dia, mergulhadores franceses liderados
pelo arqueólogo Franck Goddio recuperaram, também do
fundo do Mediterrâneo, uma estátua do sacerdote de
Ísis segurando uma urna. Acredita-se que essa peça de
250 quilos faça parte do santuário de Ísis existente
na Ilha de Anti-Rodes, onde Cleópatra tinha o seu
palácio. A ilha e seu porto, que afundaram depois de uma
série de terremotos e inundações, tornaram-se o alvo
principal das explorações dos cientistas neste ano.
Eles fazem parte da área real da cidade de Alexandria,
fundada por Alexandre, o Grande no ano 331 antes de
Cristo, que está sendo perscrutada há três anos.
Víbora
Foi dali, há alguns anos, que se conseguiu içar uma
peça simplesmente sensacional: um bloco de 40 toneladas
que se supõe ser um pedaço do Farol de Alexandria, uma
das sete maravilhas do mundo antigo. No final de 1996,
Franck Goddio anunciou ter encontrado as ruínas do que
acredita ser o palácio de Cleópatra, a rainha que
seduziu Julio César e Marco Antônio e depois se
suicidou com o veneno de uma víbora. Seria impróprio
dizer que tantas peças de qualidade foram
"achadas". A palavra pode transmitir uma
conotação inadequada ligada ao acaso. Esses objetos,
integrantes de construções erguidas pelos egípcios
durante 5.000 anos de História, só foram retirados do
fundo do mar graças ao emprego de uma nova tecnologia.
Mesmo escondidas na água turva da região, as peças
são localizadas e fotografadas por rastreadores
submarinos acoplados a computadores. Com esses
equipamentos foram mapeados 2 hectares de ruínas
submarinas da antiga Alexandria, dando início ao atual
trabalho dos arqueólogos marinhos.
Ainda não se sabem
os destinos da esfinge e da estátua do sacerdote.
Provavelmente, elas ficarão guardadas no Museu de
Alexandria, embora as autoridades egípcias queiram que a
maioria dos achados seja deixada no fundo do mar. A
idéia deles é transformar toda a antiga área real em
um museu submarino para ser visitado em barcos com fundos
transparentes ou em túneis com paredes de vidro.

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