Pesca

Creche aquática

Escassez no mar leva Ceará a criar lagosta em cativeiro

A criação em Icapuí:
pesca da lagosta caiu
pela metade desde 1991
Fotos: Tibico Brasil  

Alguns restaurantes de Fortaleza e de outras capitais estão oferecendo lagostas maiores, mais bem nutridas e saborosas do que as costumeiras. A novidade não resulta de uma espécie nova, recém-descoberta, mas da criação em cativeiro do crustáceo. A colocação de filhotes em criatórios para engorda foi a alternativa encontrada no Ceará para enfrentar a escassez cada vez maior de lagostas no litoral nordestino. Sete anos atrás, os cearenses, responsáveis pelo abastecimento de 70% do mercado nacional, tiraram do mar 7.000 toneladas de lagostas. Em 1997, conseguiram só a metade disso.

Vendida para os restaurantes por 23 reais o quilo, a lagosta é uma preciosa fonte de renda para os pescadores cearenses. Sua pesca predatória é um problema antigo, mas pouco se tem feito para resolvê-lo. Ao contrário. Em julho passado, o Ibama liberou a pesca com uma rede chamada caçoeira, que varre o fundo do mar e perturba a reprodução da lagosta. O Ibama também permitiu que os lotes capturados tenham até 2% de filhotes, cuja pesca antes era proibida. Como a fiscalização é precária, os filhotes são pegos indiscriminadamente. "Isso impede a recuperação da espécie", afirma o engenheiro de pesca Masayoshi Ogawa, que montou um criatório em Icapuí, no Ceará.

Ana Pessoa




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