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Ponta do iceberg
Brasil
ainda oculta maus-tratos a crianças
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Violência
impune |
Violência
praticada contra crianças é particularmente revoltante.
Ainda mais porque costuma ser cometida por pais ou
parentes das vítimas. E justamente por ser encarada como
um "assunto de família", a ser resolvido em
casa, a violência doméstica raramente é denunciada no
Brasil. A situação é diferente em outros países. Nos
Estados Unidos, por exemplo, são notificados mais de 3
milhões de casos por ano. No Brasil, de acordo com uma
pesquisa inédita do Laboratório de Estudos da Criança,
Lacri, da Universidade de São Paulo, o número de
denúncias não chega nem perto: em 1998, as
notificações de violência física ou sexual
alcançaram a tímida marca de 3.548. Mais de 500
pesquisadores esmiuçaram os arquivos de 75
instituições de apoio à criança e ao adolescente em
dezesseis Estados varas da infância e
adolescência, conselhos tutelares, hospitais, delegacias
e organizações não governamentais. Dessas, apenas nove
ofereceram um atendimento considerado satisfatório, de
acordo com a pesquisa. A falta de instituições
adequadas para atender crianças e adolescentes vítimas
de maus-tratos é apontada por especialistas como uma das
principais razões para o número tão baixo de
notificações. "O que se fica sabendo não passa da
ponta do iceberg. É preciso que as pessoas se
conscientizem de que não é normal um pai maltratar o
filho", alerta a psicóloga Maria Amélia Azevedo,
coordenadora do Lacri. "Os abusos têm de ser
denunciados, para que seja possível ajudar a vítima
antes que ela se transforme em um prontuário médico, um
boletim policial, um processo judicial, uma notícia de
jornal ou um corpo no necrotério."

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