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Diplomacia Vida sem disfarceCasal gay
em consulado israelense ilustra experiência
Sui Generis não é o tipo de publicação que se espera ver circulando abertamente em instituições judaicas. Na semana passada, contudo, a revista dirigida ao público homossexual tornou-se assunto quente entre os judeus do Rio de Janeiro. O motivo são três páginas de conversa franca na edição que está nas bancas, nas quais o vice-cônsul de Israel na cidade, Yitzhak Yanouka, discorre sobre sua experiência homossexual. O consulado chegou a receber alguns telefonemas de protesto mas só os desavisados foram pegos de surpresa pela franqueza do vice-cônsul. Não apenas o serviço diplomático israelense, mas as Forças Armadas e até o Mossad, o serviço secreto, aceitam funcionários abertamente homossexuais. Yanouka, 33 anos e diplomata em sua primeira missão no exterior, vive há cinco anos com um companheiro, Mikie Goldstein. Três anos atrás, quando o destacou para o Brasil, o Ministério das Relações Exteriores de Israel aceitou que Goldstein viesse junto, na condição de cônjuge. Atitudes como essa colocam o Estado de Israel entre os países mais liberais na aceitação de homossexuais no serviço público. "A política do governo em relação a seus funcionários é de não discriminação", garante o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Aziz Shir On. "Assumir-se facilita a vida profissional no corpo diplomático e evita chantagens", disse Yanouka na entrevista polêmica. Nem sempre foi assim. A religião judaica vê o homossexualismo como um pecado bíblico e até recentemente a lei civil o considerava crime. As mudanças, nesta década, refletem a tendência liberal de parte da sociedade israelense. Ocorreram, sobretudo, por pressão dos lobbies gays organizados e em razão dos processos judiciais por discriminação contra órgãos estatais. No caso de maior repercussão, o companheiro de um coronel morto em 1991 obteve na Justiça pensão por viuvez. A embaixada em Brasília mostra desconforto com a súbita evidência do vice-cônsul. Não se confirmou, contudo, o temor de maiores protestos na comunidade judaica. "Não é o caso de se pedir sua expulsão", diz o rabino Avraham Beuthner, que não tem nada de moderninho. "O homossexualismo é uma doença. O doente precisa ser tratado, não perseguido." A presença de gays assumidos na política e na diplomacia é um tema que convulsiona a questão dos direitos dos homossexuais. O debate ocorre em diversos países do mundo, incluindo o Brasil, onde o Congresso Nacional adia há mais de dois anos a votação de um projeto que permite a união civil de homossexuais. Duas semanas atrás, o Senado dos Estados Unidos vetou a nomeação do milionário James Hormel para a embaixada em Luxemburgo. O cargo no microscópico ducado europeu não tem relevância, mas Hormel teria sido o primeiro embaixador americano assumidamente gay. Na semana passada, foi a vez de um ministro inglês, Ron Davies, perder o cargo depois de ser roubado dentro do próprio carro por desconhecidos que conheceu num notório ponto de encontro de homossexuais em Londres. Secretário do País de Gales, estrela em ascensão no Partido Trabalhista, casado e pai de uma adolescente, Davies pediu demissão e diz que decidiu passear no parque, à noite, por se sentir "estressado". O episódio bizarro dá razão ao israelense Yanouka quando diz que, em funções públicas, corre menor risco o gay assumido. Consuelo Dieguez
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