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• Música: John Neschling lança o livro Música MundanaEducaçãoNota zero em gestãoUma pesquisa da Fundação Victor Civita mostra que,
no Brasil,
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Roberto Setton![]() |
| CASO RARO A diretora Maria de Fátima, em São Paulo: há doze anos na mesma função |
Está provado que a presença de um bom diretor não
é apenas desejável - mas decisiva - para um elevado nível
de ensino numa escola, seja ela pública, seja particular. Por isso, merece
atenção uma nova pesquisa que traz à luz o mais completo
perfil já feito sobre esses profissionais no país. Antes do levantamento,
que ouviu 400 diretores de colégios públicos no país inteiro,
o conhecimento que se tinha sobre eles era, basicamente, intuitivo. Agora, tratou-se
de mensurar a realidade - e dimensionar os problemas. Logo de saída,
a pesquisa, conduzida pelo Ibope em parceria com a Fundação Victor
Civita, mostra que 64% dos diretores reconhecem, sem rodeios, não estar
suficientemente preparados para exercer o cargo que ocupam. Quando eles versam
sobre o ofício, as fragilidades ficam ainda mais evidentes. A pesquisa
indica que os diretores não costumam basear suas decisões em nenhuma
meta acadêmica e chegam a ignorar a nota de sua escola nos rankings oficiais.
Talvez o mais preocupante de todos os dados, no entanto, diga respeito à
visão que eles têm da função: apenas 2% deles se
sentem responsáveis pelos maus resultados de sua própria escola,
ao passo que os outros 98% culpam pais, professores, alunos, o colégio
e até o governo. Conclui o especialista Francisco Soares, da Universidade
Federal de Minas Gerais: "É preciso mudar urgentemente esse cenário
para começar a pensar em bom ensino".
Não é tarefa simples. Há, no Brasil, pelo menos dois grandes obstáculos. A começar pela formação dos diretores - a maioria egressa da carreira de professor -, dos quais não se requer nenhuma experiência como gestores nem a passagem por um curso em que desenvolvam habilidades como a liderança de equipe. A pesquisa mostra que 21% deles só estão no cargo porque algum político os indicou, enquanto apenas 5% ascenderam por critérios técnicos. "Não há no país um sistema eficiente para escolher e treinar profissionais de modo que se tornem bons líderes nas escolas", avalia Mário Aquino, especialista em administração pública. O segundo ponto que atrapalha no Brasil é o excesso de tarefas burocráticas delegadas aos diretores, situação que leva a uma total inversão de prioridades. Para 90% deles, a supervisão da merenda fornecida pelo governo é uma das atividades que mais consomem tempo, além da limpeza do prédio e da fiscalização na entrega do material didático pelas secretarias de ensino. São informações que escancaram a absoluta desconexão dos diretores brasileiros com a sala de aula. "Só sobra tempo para a educação se eu deixar de lado as tarefas administrativas pelas quais também sou cobrada", resume Maria de Fátima Borges, 55 anos, diretora da escola Olavo Pezzotti, em São Paulo. "Estou sempre devendo relatórios à secretaria."
Manoel Marques![]() |
| ROTINA ÀS AVESSAS Andréa Tavares, de Taboão da Serra: mais tempo na cozinha do que com os alunos |
Aos diretores brasileiros, faltam praticamente todos os pré-requisitos
que os especialistas definem como básicos para o desempenho da função.
Além de boa formação e experiência em gestão,
já se sabe que o diretor deve conseguir manter sua atenção
voltada para as salas de aula e ser capaz de traçar objetivos acadêmicos
claros, que servirão de norte para os professores. Também se espera
dele que envolva os pais na vida escolar, passo decisivo para o avanço
dos alunos. No mundo todo, é esse o tipo de diretor que alcança
os melhores resultados no ensino - inclusive no Brasil, segundo mostra uma recente
pesquisa feita por especialistas da Fundação Getulio Vargas (FGV),
também em parceria com a Fundação Victor Civita. O estudo,
que comparou escolas de bom resultado nas avaliações oficiais
às de ensino mediano, concluiu que à frente dos melhores colégios
estão justamente aqueles diretores com visão de longo prazo. Diz
o cientista político Fernando Abrucio, coordenador da pesquisa: "Os diretores
mais eficazes entendem que um plano pedagógico ambicioso precisa de tempo
para ser concluído". Estes chegam a ficar até catorze anos numa
mesma escola, enquanto um típico diretor de escola pública no
Brasil troca de emprego a cada cinco anos.
A experiência internacional chama atenção para um conjunto de práticas que tem contribuído para formar e manter bons diretores à frente das escolas. Elas podem funcionar também no Brasil. Uma medida eficaz é proporcionar aos aspirantes ao cargo uma experiência prévia, como um período em que atuam como assistentes de diretor. Em alguns países, como Singapura, chega-se a exigir dos candidatos até estágio numa grande empresa privada, período em que se espera que absorvam os conceitos básicos de gestão. Ao assumirem o cargo, há meios para livrar os diretores do excesso de atribuições burocráticas, tão maçantes no Brasil. Quem faz boa parte dessas tarefas nos Estados Unidos, por exemplo, é uma espécie de auxiliar administrativo, o que permite ao diretor mirar o ensino. Caso fracasse, ele pode até ser demitido, o que já ocorreu com 80% dos diretores da cidade de Nova York desde 2002. Tornar-se diretor de escola é, em geral, a maior ambição de um professor. No Brasil, significa, em média, um aumento de 50% no salário - que, na nova função, pode chegar a 7 000 reais. Foi uma das motivações para que Andréa Tavares, 39 anos, hoje no comando de uma escola municipal de Taboão da Serra, em São Paulo, trilhasse esse caminho. Há apenas dois anos no cargo, ela diz: "Com uma formação melhor, sei que eu e meus colegas teríamos mais chances de acertar".
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