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Edição 1976 . 4 de outubro de 2006

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CINEMA

Divulgação
Dakota, em Sonhadora: previsível, mas muito simpático


Sonhadora
(Dreamer,
Estados Unidos, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país) – Muito embora seu pai (Kurt Russell) seja um treinador de puros-sangues de corrida, Cale (Dakota Fanning) mora num haras em que não há nenhum cavalo à vista. Isto é, até a chegada de Soñadora – Sonya para os íntimos –, uma égua que estava a caminho de se tornar um fenômeno das pistas quando uma fratura numa das pernas encerrou sua carreira. Cale, que é páreo para o pai em teimosia, decide que Sonya vai não só correr de novo, como também vencer. O saldo do filme é mais do que previsível – o que não tira nada da sua simpatia. Mérito do bom elenco e do diretor John Gatins, que vem se especializando em histórias de superação pessoal, como Hard Ball e Coach Carter. Veja cenas.

 

DVDs

Hiroshima Meu Amor (Hiroshima Mon Amour, França/Japão, 1959. Aurora) – Uma atriz francesa (Emmanuelle Riva) e um arquiteto japonês (Eiji Okada) se conhecem na cidade do título, sentem uma atração mútua e profunda e, durante um dia, vivem um romance que parece se desenrolar num plano distinto daquele de suas vidas normais. Mas pesam sobre eles a sombra da bomba atômica de 1945 e as lembranças da atriz, que experimentou sentimentos semelhantes apenas com um soldado nazista, durante a II Guerra. Como sempre em se tratando do cineasta francês Alain Resnais – de O Ano Passado em Marienbad –, esse é um filme um bocado inescrutável e distante. E talvez por isso mesmo pareça oferecer algo de novo cada vez que se volta a ele.

De Bico Calado (Keeping Mum, Inglaterra, 2005. Imagem) – Jovem, grávida e de olhos inocentes, Rosie é presa num trem quando se descobre que ela está levando consigo as partes desconjuntadas de seu marido adúltero e da amante deste. "Ora, e o que eu deveria fazer então? Nada?", justifica ela para a polícia. Não se está revelando nada de mais então em dizer que é Rosie a governanta que, quatro décadas depois, se apresenta com o nome de Grace na casa do reverendo anglicano Walter e passa a operar pequenos milagres diários para sua família – com métodos no mínimo heterodoxos. Na tradição das comédias modernas inglesas, aqui o que dá o tom são a irreverência e as ótimas atuações, em especial de Maggie Smith e de Rowan Atkinson, mais conhecido como Mr. Bean.

 

LIVROS

Mao – A História Desconhecida, de Jon Halliday e Jung Chang (tradução de Pedro Maia Soares; Companhia das Letras; 960 páginas; 70 reais) – A chinesa Jung Chang – autora do best-seller Cisnes Selvagens – e seu marido, o historiador Jon Halliday, pesquisaram por dez anos e entrevistaram centenas de colaboradores do ditador chinês Mao Tsé-tung para compor uma biografia devastadora desse que é o maior assassino de massas do século XX. O livro desfaz os mitos que ainda subsistiam sobre Mao – na Grande Marcha, por exemplo, ele teve uma atuação nada heróica, sacrificando inutilmente seus próprios soldados – e também apresenta a intimidade do tirano, um homem caprichoso e egoísta, que não se importava nem com o bem-estar de esposas e filhos. Leia trecho.

Recordações da Casa dos Mortos, de Fiodor Dostoievski (tradução de Nicolau S. Peticov; Nova Alexandria; 328 páginas; 49 reais) – Quando jovem, o russo Fiodor Dostoievski (1821-1881) freqüentava os círculos políticos radicais de São Petersburgo. Acabou preso pela polícia czarista. Passou quatro anos aprisionado na Sibéria, experiência que inspirou o romance Recordações da Casa dos Mortos – que aparece pela primeira vez aqui em tradução direta do russo. Mestre no exame psicológico da humilhação, Dostoievski fez desse livro um testemunho de sua própria vida no cárcere. A presente edição inclui uma carta que o escritor mandou a um irmão logo depois de sair da prisão, relatando as experiências degradantes que mais tarde usaria no romance. Leia trecho.

 

DISCOS

 

Greg Campbell/AP
A revelação pop Timberlake: e pensar que ele foi do 'N Sync...  

Futuresex/Lovesounds, Justin Timberlake (Sony/BMG) – O segundo CD-solo do cantor americano dá continuidade aos seus ensinamentos sobre como fazer música pop sem apelar para a banalização. Espécie de Michael Jackson com mais testosterona, Timberlake se mantém fiel aos vocais em falsete e às letras ruinzinhas. Mas capricha na atitude e, graças ao produtor Timbaland, que se saiu com modernas programações de bateria e referências à soul music dos anos 80, consegue um ótimo resultado musical – com destaque para as faixas SexyBack, My Love e Chop Me Up, uma mistura de soul e rap que tem tudo para estourar nas pistas de dança. E pensar que Timberlake foi um dos membros do abominável grupo juvenil 'N Sync.

Rafa Rivas/AFP
Dave Holland: jazz com inovação  

Critical Mass, Dave Holland Quintet (Universal) – O baixista inglês é sinônimo de qualidade no jazz. Holland tocou com artistas consagrados como Miles Davis e Chick Corea, e atualmente se divide entre trabalhos ao lado de uma big band e de um quinteto. Nas palavras de Holland, o grupo tem a potência e a suavidade de uma Ferrari: os músicos experimentam diversos estilos e improvisações, mas sem transformar as faixas num exercício entediante de virtuosismo. Outra boa invenção de Holland foi trocar o piano, tão comum em grupos de jazz, por uma marimba (a cargo de Steve Nelson). O instrumento brilha principalmente na faixa de abertura. Os momentos de maior emoção ficam por conta dos solos do trombonista Robin Eubanks, que dá um show na faixa Full Circle.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Campo Grande: Leitura; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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