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Edição 1976 . 4 de outubro de 2006

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Atletismo
Quando o esporte fere

Casos como o da árbitra atingida por um
dardo são mais comuns do que se imagina


Jonne Roriz/AE
A árbitra e o dardo: apesar do choque, ela sonha em trabalhar no Pan de 2007, no Rio de Janeiro

É normal que aconteçam acidentes em competições esportivas, como resultado do contato físico entre os atletas e de movimentos rápidos e arriscados. Mais incomuns são casos como o ocorrido no domingo passado no Troféu Brasil de Atletismo, em São Paulo. Lia Mauro Lourenço, árbitra há mais de dez anos e aspirante a voluntária nos Jogos Pan-Americanos de 2007, teve o pé esquerdo perfurado por um dardo. Hospitalizada, ela deve voltar a andar normalmente e, apesar do choque, pode considerar-se afortunada. Um dardo pesa 800 gramas e viaja no ar a 80 quilômetros por hora. Sua ponta metálica é dura o bastante para fincá-lo no solo – ou ferir gravemente uma pessoa. Em 2004, um atleta de 13 anos foi morto por um dardo em uma competição juvenil na República Checa. Em todo o planeta, registra-se uma dúzia de incidentes a cada ano, nem sempre fatais, nas provas de arremesso de dardo, disco, peso ou martelo. O salto com vara também é uma prova sujeita a riscos quando as varas flexíveis se partem ou o saltador cai de mau jeito no colchão amortecedor.

Há uma série de procedimentos para prevenir tragédias nas competições. Atletas só iniciam arremessos depois de autorizados pelos árbitros. Estes, por sua vez, são treinados para não cruzar a trajetória do artefato voador. Uma grade de ferro impede que o lançador de martelo erre a direção do arremesso (há casos, porém, em que o martelo ricocheteia na grade, ferindo o próprio atleta). Muitos acidentes ocorrem em treinos. O da semana aconteceu durante o aquecimento para a competição. "Aparentemente, a árbitra avançou na hora errada para retirar um dardo do solo", diz Martinho Nobre dos Santos, secretário-geral da Confederação Brasileira de Atletismo.

Em outros esportes também ocorrem acidentes incomuns, envolvendo atletas, árbitros e, às vezes, até espectadores (veja o quadro). No atletismo, pelo menos, o público não tem nada a temer – por enquanto. Duas décadas atrás, quando os melhores lançamentos de dardo já atingiam o comprimento de um campo de futebol, o design das peças foi alterado para que não chegassem às arquibancadas. Mas o recorde mundial com o dardo redesenhado já é de 98 metros, o que deve exigir nova alteração dentro de alguns anos.

 


Ron Jenkins/Fort Worth Star-Telegram/MCT

 
 
 
 
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